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Biohacking, tecnologia a serviço da saúde e nutrição?

Biohacking, tecnologia a serviço da saúde e nutrição?

Em um ambiente onde as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde e bem-estar, as inovações estão seguindo em direção à personalização. E, nesse cenário, a tecnologia vem ganhando cada vez mais espaço na tentativa de oferecer um produto que atenda às expectativas e reais necessidades do consumidor. Surge daí  o biohacking, que promete, entre outros benefícios, mudar a forma como nos relacionamos com o alimento e atingimos nossos objetivos em relação à saúde.

 O termo biohacking significa hackear a própria biologia, ou seja, “invadi-la” e modificá-la. Essa prática tem como objetivo maximizar a performance, tornando as pessoas mais focadas e produtivas. Em resumo, quem a defende diz que com ela você não só conseguiria fazer melhor muitas coisas com as quais  já está habituado, como também poderia até mesmo realizar outras que você não era capaz de executar previamente.

O assunto é novo e polêmico, mas tem ganhado espaço especialmente entre executivos do Vale do Silício. Como é o caso de Dave Asprey, da empresa digital Trend Micro. Ele disse em entrevista que adere às práticas do biohacking porque quer “usar a ciência, a biologia e a autoexperimentação para ter controle e poder melhorar o próprio corpo, mente e vida”. Ele não esconde de ninguém que seu objetivo é viver até os 180 anos.

O termo biohacking pode ainda ser dividido em quatro categorias - Grinding: altera o próprio corpo por meio do implante de dispositivos cibernéticos; Biologia DIY (do it yourself):  estuda a inovação tecnológica de baixo custo que se pode aplicar ao corpo humano; Nutrigenômica: alterações no corpo feitas através de alimentos ou suplementação, associadas à relação entre o genoma humano e a nutrição individual e saúde; Quantified Self: coleta de dados sobre o próprio indivíduo para análise e aprimoramento pessoal.

Dessa forma, a parte que cabe à nutrição no biohacking se resume a intervenções em prol da saúde e do desempenho. Podem ser realizadas por meio de dietas, exercícios, suplementação ou intervenções médicas, sejam artificiais ou naturais.

Se você acredita que isso tudo está longe de se tornar algo aplicado em larga escala, veja alguns fatos que podem mudar seu pensamento e fazer você acreditar que essa é uma tendência emergente:

  1. De acordo com os relatórios da CB Insights e da Gartner sobre tendências tecnológicas para o futuro, o biohacking estará entre os movimentos mais importantes para os próximos anos. Inclusive, o CB Insights o vê como tendência forte já para 2020.

  2. O report QTrends, da Equilibrium Latam, mostra que as pessoas acreditam que quanto mais se conhecem, mais é possível intervir e melhorar sua saúde e qualidade de vida.

  3.  Os dados da New Nutrition Business Consumer Survey (2018) mostraram que 31% dos entrevistados aceitariam fazer um teste de rastreio do microbioma para obter dados mais personalizados de sua dieta. E dentre os 31%, 12% eram brasileiros, o maior percentual dentre as nacionalidades participantes. 

  4. Estudos da Mintel revelam que 23% dos consumidores americanos confiam na inteligência artificial para planejar suas refeições ou para realizar suas compras de alimentos.

 

Biohacking no mercado

Pensando nessa tendência, muitas empresas já começaram a investir no biohacking. É o caso da Bioma4Me, pioneira no Brasil em testes de composição do microbioma intestinal. Por meio de um exame de fezes, o consumidor consegue saber quais as cepas predominantes em sua microbiota intestinal e assim entender o que a influencia e o que pode ser feito para modificá-la, tornando o organismo como um todo mais forte.

Nesse mesmo caminho, a startup Habit é capaz de oferecer, através de seu aplicativo, um planejamento dietético personalizado baseado em uma série de perguntas feitas ao usuário, testes de DNA e outros marcadores bioquímicos.

O que está sendo consumido reflete não só uma preferência, mas também uma identidade, um estilo de vida. E as pessoas estão buscando formas práticas de melhorar sua saúde.

Como visto, isso vem sendo claramente sentido nas estratégias e nas vendas das empresas. E para sobreviver nesse ambiente cada vez mais complexo e volátil, conhecer bem o consumidor é fundamental para poder oferecer  o produto correto. 

Tecnologia x Saúde

Mas será que precisamos das tecnologias para sermos saudáveis? Ou, apesar de não serem imprescindíveis, elas podem ser um fator facilitador e crucial para uma vida moderna, longeva e com mais qualidade? 

 

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