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Saiba porque a Carne Híbrida pode chegar com força ao mercado

Saiba porque a Carne Híbrida pode chegar com força ao mercado

As alternativas globais à carne bovina vão além do nicho de vegetarianos e veganos, abrangendo também a população que deseja apenas reduzir o consumo de carne animal por si só. É aqui que o conceito de carne híbrida ganha força. A carne híbrida pode ser definida como um produto feito com 50% de carne animal e 50% de proteínas à base de plantas e vegetais. 

O flexitarianismo é um estilo de alimentação que é caracterizado pelo desejo de reduzir - mas não eliminar - o consumo de carne da dieta. Os dois motivos principais pelos quais as pessoas aderem estão ligados aos benefícios ambientais, visto que a produção animal é responsável pela emissão de grande parte dos gases do efeito estufa, e à saúde, pela preocupação com aumento do consumo de vegetais em substituição às carnes. Embora se importe com esses quesitos, este público não quer desistir do sabor e nutrição associados à carne animal. Assim, existe uma clara oportunidade de desenvolvimento de novos produtos para esse consumidor, visto que o desejo por uma dieta mais sustentável é valorizado!

  De acordo com dados do Innova Market Insights, os substitutos de carne representaram 11% dos lançamentos de novos produtos desse segmento reportados na Europa, em 2018. O cenário global ainda mostra um forte crescimento, com aproximadamente 14% dos lançamentos de carne sendo alternativas à carne convencional. O diretor da New Nutrition Business, Julian Mellentin, pontua que “uma estratégia híbrida ou combinada dá aos consumidores flexitarianos permissão para comer alimentos favoritos sem sentir culpa”, e acrescenta “produtos híbridos podem permitir que eles desfrutem do que apreciam, além de se sentirem bem por estarem recebendo mais plantas em sua dieta e até por estarem ajudando o planeta”. 

Os híbridos oferecem aos produtores tradicionais de carne uma resposta viável à ameaça representada pelas opções plant-based, que vêm ganhando forte participação no mercado. Mellentin finaliza “eles têm o potencial de evoluir para um 'grande nicho' premium nos próximos cinco anos”.

Produtos híbridos podem ter uma melhor aceitação também de parte dos consumidores, por conta de sua proximidade com o sabor tradicional. 

 MARCAS NO MERCADO

TYSON FOODS: a maior processadora de carne dos Estados Unidos não quis ficar de fora desse crescente mercado de proteínas alternativas. A empresa lançou pela marca Raised & Rooted um hambúrguer metade Angus e metade de proteína de ervilha, além de nuggets à base de plantas. Sua outra marca, Aidells Whole Blends™, desenvolveu salsichas e almôndegas feitas com frango e ingredientes à base de plantas. Todos esses produtos já estão sendo comercializados em diversos supermercados americanos. 

Noel White, presidente e CEO da Tyson Foods, diz que "os consumidores de hoje estão buscando mais opções de proteínas, por isso estamos criando novos produtos para o crescente número de pessoas abertas a dietas flexíveis, que incluem proteínas à base de carne e vegetais. Para nós, trata-se de 'e' - não 'ou'. Continuamos firmemente comprometidos com o nosso crescente negócio de carnes tradicionais e esperamos ser líderes de mercado em proteínas alternativas”.

O valor nutricional do hambúrguer também é enfatizado. Eles dizem que o hambúrguer híbrido possui menos calorias e menos gordura saturada do que os hambúrgueres à base de plantas vendidos por várias empresas concorrentes.

 

REBEL MEAT: essa startup austríaca também entrou neste mercado, mas com uma pegada mais clean label. Ela também oferta hambúrgueres 50% carne bovina, 50% vegetais, e diz que todos os ingredientes são de origem local, natural, orgânica e sem aditivos. Atualmente, a empresa comercializa seu hambúrguer para lojas de alimentos e restaurantes e, posteriormente, quando a marca estiver consolidada, deseja vender no setor de varejo.

O CEO da empresa, Philipp Stangl, também pensa em novas parcerias. Ele prevê que as carnes de laboratório futuramente serão vendidas com a mistura de ingredientes vegetais, para trazer uma melhor textura e baratear o custo. Assim, a estratégia da startup é fazer parceria com empresas de carnes limpas e ajudá-las a entrar no mercado. 

E NO BRASIL?

Em nosso país ainda não existem opções de carne híbrida no mercado. Entretanto, de acordo com pesquisa realizada pelo The Good Food Institute (GFI), que entrevistou nove mil brasileiros, 29% dizem que estão reduzindo ou almejam reduzir o consumo de produtos de origem animal. E, ainda, mesmo entre as pessoas que não reduzem, 76% consideram essa escolha alimentar positiva. Enquanto isso, o número de opções plant-based aumenta no cenário mundial e brasileiro. Será a versão híbrida uma nova opção para os brasileiros que desejam reduzir o consumo de carne animal? Acompanharemos de perto as novidades no mercado de proteínas alternativas em nosso país.

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