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Cinco estratégias de sustentabilidade para uma grande transformação alimentar

Cinco estratégias de sustentabilidade para uma grande transformação alimentar

Você sabia que a comida é a alavanca mais eficiente para promover saúde e sustentabilidade? Por isso, a comissão EAT-lancet nos oferece cinco estratégias de sustentabilidade para uma grande transformação alimentar.

 

A The Lancet, revista científica do Reino Unido e reconhecida mundialmente, fez de 2019 o ano da nutrição, lançando iniciativas para a tão necessária transformação alimentar. A primeira delas foi a comissão EAT-lancet, que reuniu 37 cientistas, de 16 países e que são líderes mundiais de várias áreas do conhecimento.

 

A Comissão estabeleceu metas para que sejam possíveis dietas saudáveis ​​e a produção sustentável de alimentos, concentrando suas análises em dois pontos: consumo final e produção.

 

O Dr. Walter Willett MD, pesquisador de Harvard e presidente da comissão, disse que, para alcançarmos as metas estabelecidas, precisamos duplicar o consumo de frutas, vegetais e nozes, além de reduzir em mais de 50% a ingestão de carne vermelha e açúcar.

 

Estratégias para uma grande transformação alimentar: como foram criadas?

 

A pesquisa partiu da premissa de que se não mudarmos o modo de consumo e produção, o mundo corre o risco de não cumprir os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e do Acordo de Paris, fazendo com que  as novas gerações herdem um planeta gravemente degradado e com doenças que poderiam ser evitadas.

 

Assim, a comissão estabeleceu o objetivo de oferecer uma "dieta planetária" para ser viável alimentar 10 bilhões de pessoas, até 2050. 

 

Para obter essa estratégia de sustentabilidade rumo à dieta planetária, duas metas científicas foram estabelecidas: 

 

  1. Dietas saudáveis: a primeira delas diz respeito às mudanças que precisamos fazer em nosso consumo e quais alimentos são importantes para que se alcance uma dieta saudável, sustentável ou "dieta planetária'. E, a partir dessa dieta, existirão grandes benefícios à saúde da população.

 

Para uma grande transformação alimentar, o prato deve ser composto por metade de vegetais, e a outra metade deve conter principalmente grãos integrais, fontes de proteína vegetal, óleos vegetais insaturados e, opcionalmente,  quantidades moderadas de proteína animal, conforme o prato a seguir:

 

 

E quem pensa que a dieta planetária é “sem graça” ou pouco atrativa está muito enganado. O material traz alguns exemplos de pratos flexitarianos reais que são de comer com os olhos. A arte de cozinhar e a criatividade são pontos-chave para, além da saúde e sustentabilidade, ser saborosa e prazerosa.

 

 

 

2. Produção sustentável de alimentos: a segunda meta científica propõe limites em todo o processo de produção, principalmente no tratamento do solo. Também comunica que serão necessárias reduções drásticas nas perdas e desperdícios de comida, além de melhorias nas práticas de produção de alimentos e uma dieta baseada em plantas.

 

Cinco estratégias de sustentabilidade para uma grande transformação alimentar

 

E para que seja possível alcançar as metas estabelecidas, a EAT-Lancet lançou cinco estratégias para uma grande transformação alimentar, e acrescentamos qual é o papel da indústria neste contexto, confira:

  1. Buscar o compromisso internacional e nacional para alcançar dietas saudáveis.

 

A dieta planetária pode ser alcançada tornando os alimentos saudáveis ​​mais disponíveis, acessíveis, melhorando as informações a seu respeito e o seu marketing, além de um investimento em educação sobre saúde pública e sustentabilidade.

 

A indústria tem um papel importantíssimo aqui. Ela também é responsável pela educação dos consumidores e pode estimular o consumo de alimentos saudáveis por meio  de conteúdos e produtos que ofereçam esse benefício.

 

2. Reorientar as políticas agrícolas e marinhas.

 

Além de oferecer aporte de calorias, a agricultura e a pesca necessitam se reorganizar para que seja produzida e/ou cultivada uma diversidade de alimentos que promovam a saúde e apoiem a sustentabilidade ambiental. 

 

O  papel aqui é  fomentar e fazer parcerias justamente com os pequenos produtores, ou aqueles que produzem alimentos de maneira ética e ecologicamente correta, levando em consideração a biodiversidade do planeta.

 

Um exemplo de quem já faz esse trabalho é a  startup brasileira de comida pronta, a  Livup, que, além de oferecer pratos congelados saudáveis, também utiliza ingredientes cultivados por pequenos agricultores.

 

3.  Intensificar de maneira sustentável a agricultura para aumentar uma produção de alimentos alta qualidade. 

 

Para que seja possível uma produção sustentável, é necessário inovar o sistema de agricultura convencional. Para isso, é preciso aumentar a diversidade do plantio, de acordo com a sazonalidade. 

 

Ademais, o cuidado com a terra é essencial, com o uso consciente de fertilizantes e de água, e realizando a reciclagem correta de fósforo e nitrogênio no solo. 

 

Novamente, a indústria pode dar preferência a agricultores que estão trabalhando neste sentido, tornando o modo de produção mais diversificado. Além disso, no planejamento da empresa, é importante levar em consideração a sazonalidade, n o que pode auxiliar na fabricação de produtos mais variados. 

 

4. Uma governança forte e coordenada dos continentes e dos oceanos

 

A comissão EAT-lancet informa que é necessário cuidar das áreas produtivas que já temos e implementar uma política de expansão zero de novas terras agrícolas, visando políticas de gestão para reflorestar áreas degradadas.

 

Também é necessário melhorar o gerenciamento dos oceanos para garantir que a pesca não afete negativamente os ecossistemas.

 

Este certamente é um ponto difícil e que exige um planejamento a longo prazo. A indústria aqui desempenha o papel de apoiadora deste movimento, mas é o governo quem estabelece leis e acordos para que a agropecuária e a pesca sejam reorganizadas de uma forma sustentável.

 

5. Reduzir, ao menos pela metade, as perdas e desperdícios de alimentos, de acordo com os objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. 

 

Para que seja reduzido o desperdício, são necessárias melhorias na infraestrutura pós-colheita, transporte de alimentos, processamento e embalagem, aumentando assim a colaboração ao longo da cadeia de suprimentos, e também treinando e equipando os produtores e educando os consumidores.

 

Hoje, já existem diversas tecnologias que nos auxiliam a otimizar todo o caminho de produção dos alimentos, as chamadas Foodtechs têm um papel muito importante neste sentido. 

 

A parceria com Foodtechs e o uso da tecnologia podem ser grandes aliadas na redução dos desperdícios ao longo da cadeia produtiva. Além disso, é necessário procurar alternativas que favoreçam o uso de embalagens mais sustentáveis, ou que sejam, no mínimo, de fácil reciclagem.

 

Por fim, a educação aqui também é um ponto-chave, tanto para os produtores quanto para os consumidores. Produzir conteúdos neste sentido e incentivá-los é uma forma de educá-los para reduzir o desperdício.

 

Grandes transformações, pequenos passos

 

O material da comissão EAT-lancet nos trouxe cinco estratégias para nos inspirarmos a realizar grandes transformações alimentares e, para completar, trouxemos alguns insights de como a indústria pode caminhar para esse novo paradigma.

 

O caminho não é curto e nem fácil, mas necessário. Quando olhamos o quanto temos que mudar, ficamos assustados, mas grandes ações se constroem nas pequenas atitudes do dia a dia.

 

Então, que possamos vencer o desafio de encontrarmos a cada dia uma atitude que contribua para um consumo e produção sustentáveis, o que nos colocará sempre um passo mais próximo de alcançarmos uma grande transformação alimentar.


 

E aqui no BHB entendemos que há um movimento necessário no setor de alimentos: o investimento na inovação em matérias primas de origem vegetal, em sistemas produtivos de menor impacto ambiental e que suportem a economia circular.

 

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