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Açúcar na indústria: descubra cinco estratégias para lidar com ele

Açúcar na indústria: descubra cinco estratégias para lidar com ele

Ao longo dos anos, a relação da indústria com o açúcar foi sendo moldada pela demanda dos consumidores por alimentos doces e gostosos. Rapidamente, no entanto, profissionais da saúde e órgãos públicos reguladores começaram movimentos e campanhas, que chegam até os dias atuais, por produtos menos calóricos e mais nutritivos. Assim, as empresas de alimentos e bebidas lutam com esse desafio, o de continuar entregando produtos que agradem ao paladar, porém que sejam nutricionalmente mais adequados, buscando soluções para a redução do açúcar. 

Mas nem sempre reduzir é a única resposta. Entenda agora cinco estratégias para as empresas lidarem com a questão do açúcar na indústria de alimentos e bebidas. 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo de açúcar domiciliar é de 30,07 quilos por ano, e, dessa quantidade, o açúcar adicionado em alimentos industrializados responde por 19,2% do total consumido pelos brasileiros. 

Diversos estudos científicos demonstram que açúcar em excesso pode causar malefícios à saúde dos seres humanos, podendo estar associado ao surgimento de doenças crônicas não transmissíveis como a diabetes e obesidade, que, por sua vez, podem acarretar em maiores complicações cardiovasculares e hipertensivas.

A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde (OMS) é a de que o consumo diário não ultrapasse 10% das calorias. Ainda pontuam que maiores benefícios à saúde podem ser alcançados se a ingestão diária de açúcar for reduzida para 5% das calorias, o que representa cerca de 25 gramas de açúcar por dia. 

HISTÓRICO DO AÇÚCAR NOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS

O início da utilização do açúcar na indústria veio com a Revolução Industrial. Naquela época, era utilizado uma grande quantidade de açúcar nos alimentos para sua conservação. No momento do consumo, estes eram diluídos em água ou leite. 

É nesse momento da história que surgem produtos que fazem sucesso até hoje, como o leite condensado e cereal matinal (corn flakes).

O aumento da obesidade e a popularidade do mercado fitness fizeram com que a indústria precisasse se adequar à demanda, e, assim, criou novos produtos denominados light e diet, reduzindo bastante a quantidade de açúcar e utilizando outros substitutos com sabor doce para os seus produtos. Desse modo, outras substâncias entraram na jogada: os adoçantes! O açúcar passou a ser visto como vilão e abriu espaço para os adoçantes se firmarem na indústria, sendo amplamente utilizados até hoje, inclusive em produtos infantis, o que motiva críticas a respeito de seu uso. Ademais, com os avanços científicos, alguns estudos demonstraram que o uso regular de adoçantes poderia ocasionar alterações na microbiota intestinal. E, assim, o adoçante perdeu um pouco de sua popularidade na comunidade saudável.

Recentemente foi estabelecido um acordo entre o Ministério da Saúde e representantes das indústrias brasileiras pelo qual as indústrias se comprometeram a diminuir a quantidade de açúcar em alimentos e bebidas industrializadas. Entraram no combinado bebidas adoçadas, biscoitos, bolos prontos e mistura para bolos, achocolatados e produtos lácteos. A meta é retirar mais de 144 mil toneladas de açúcar de alimentos e bebidas até 2022. 

As empresas, desde então, estão tentando descobrir como podem reduzir a quantidade de açúcar em seus produtos, adicionar açúcares "melhores", não fazer uso de edulcorantes em excesso, preservar seu sabor e ainda manter a fidelidade dos clientes.

E, por conta dessa complexidade de fatores, a indústria muitas vezes não sabe qual é o melhor caminho a seguir. Qual seria a alternativa mais adequada para a indústria no manejo do açúcar?

A NewNutrition Business 2019 traz quatro estratégias para a indústria lidar com a “demonização” do açúcar nos últimos anos, e nós do BHB acrescentamos mais uma a lista, são elas:

 

  1. REDUZIR, SUBSTITUIR OU ELIMINAR: é uma alternativa óbvia, mas cuidado, não é sinônimo de mais vendas! Para o produto ganhar aceitabilidade, os consumidores precisam gostar da textura e do sabor dessa nova fórmula, caso contrário, eles se afastam e as vendas diminuem. A popularidade dos adoçantes naturais está maior em comparação aos artificiais. Em pesquisa da Nielsen, houve um crescimento de 11,9% em vendas de estévia até agosto de 2018, enquanto os adoçantes artificiais caíram, em média, 6,6%. As empresas estão procurando maneiras diferentes de reduzir o açúcar, mas a aceitação varia muito dependendo do país e do nicho de consumidores em que a empresa está focando. Veja alguns exemplos no Brasil:

 

  • Mais Mu: o creme de amendoim Crunchy não tem adição de açúcar, apresentando apenas os açúcares dos próprios ingredientes, além de ser acrescido de Whey isolado +Mu. Para adoçar, há a utilização não só do adoçante natural estévia, mas também do eritritol e maltitol.

 

  • Jasmine: A marca possui a Granola Zero Açúcar Superfruta. É um produto vegano que possui superfrutas como cranberry e goji berry e é adoçado com estévia. Em 40 gramas de produto há 0,4g de sacarose, 0,1g de glicose e 0,3g de frutose. 


 

2. USE AÇÚCARES NATURAIS: Muitos consumidores partem da premissa de que se algo é natural, é mais saudável. Os produtos adoçados com mel, açúcar mascavo e tâmaras são os mais aceitáveis para os consumidores do que açúcar comum, de cana ou milho refinados. Até mesmo se o nível de açúcar não for realmente reduzido no produto. Algumas empresas ganham a aceitabilidade por se concentrarem nos benefícios de seus produtos, ao invés de focar apenas na quantidade de açúcar. 

 

  • Carob House: a marca possui barrinhas veganas adoçadas com tâmaras ou outras frutas, todas desidratadas. A linha conta com barrinhas de proteínas e de alfarroba, possuindo três sabores: abacaxi; nuts e maçã, canela e aveia.

 

  • Only4: a empresa produz tabletes de chocolate 70% cacau com apenas quatro ingredientes: óleo de coco, manteiga de cacau, massa de cacau e adoçado com açúcar de coco. 

 

  • Da magrinha: A pipoca da marca é 100% integral, composta de sete grãos com cacau e possui 39 gramas de carboidrato em 50 gramas de produto. É utilizado o açúcar demerara para seu adoçamento, sendo o ingrediente em maior quantidade no produto.

 

3. AÇÚCAR PARA ENERGIA: O público principal desta categoria é o esportivo, muitos desses consumidores valorizam o açúcar pelo rápido impacto da energia, que os auxilia a atingir seus objetivos de desempenho. Os alimentos com açúcar muitas vezes são vistos como um ajudante para dar um “impulso”. 

 

  • Exceed® Energy Gel: é um repositor energético sob a forma de gel disponível em sachês de 30 gramas, são 21 gramas de carboidratos em forma de glicose e frutose, apresentando rápida absorção, sendo uma opção para repor energia.

 

  • Nescau: Energia que dá gosto! se lembra deste slogan? 

Apesar de também entrar na onda da redução de açúcares com o lançamento de NESCAU 3.0, por exemplo, o mote principal do produto continua sendo a energia. 

No Nescau 3.0, a Nestlé reduziu em 33% o açúcar de sua fórmula. Além disso, aumentou a quantidade de nutrientes e fibras do produto. Em uma porção de 20 gramas, o açúcar corresponde agora a 10 gramas. m produtos anteriores, essa proporção era de 15 gramas. Como será que estão as vendas? 

4. INDULGÊNCIA HONESTA: Se a empresa faz produtos vistos como saudáveis, certamente os consumidores vão avaliar sua quantidade de açúcar.  Porém, se a empresa vende produtos que são vistos como prazerosos, os consumidores não serão tão rigorosos com a quantidade de açúcar presente. Deixar claro que ele existe para gerar um momento de prazer ocasional, sem estimular o consumo exagerado, é uma forma também de lidar com o açúcar do seu produto e de maneira honesta e transparente. O conceito serve para a indústria de biscoitos, balas, chocolates, etc...

 

  • Moça: a marca é pertencente à Nestlé. Todos os seus alimentos estão associados a uma linha de produtos açucarados. Seu carro-chefe, o leite condensado Moça, é tradicional, as pessoas compram porque gostam do sabor, mesmo que o leite condensado possua, em uma porção de 100 gramas, 54 gramas de açúcar.

 

5. MINDFUL EATING: Acreditamos que um alimento, por si só, não tem o poder de ser ou não saudável. O que é saudável é você, sua alimentação como um todo. A questão do açúcar é delicada, mas o problema está no excesso. Se conseguirmos ajudar os consumidores a comer de forma equilibrada, sentindo mais prazer que culpa, e ajudando-os a manter a saúde, essa será uma ótima forma de prestação de serviços. 

É no que tem apostado a MONDELEZ. Eles criaram uma plataforma para se comunicarem com profissionais da saúde e influenciadores chamada mindful snacking, onde trazem não só dicas, mas estudos científicos que comprovam o auxílio das técnicas de mindful para o equilíbrio da alimentação e saúde.

Apresentamos as estratégias para lidar com o açúcar de diversas formas. Cabe à empresa entender para qual público o seu produto é destinado, para que assim haja uma comunicação clara e consciente com o consumidor a respeito do açúcar em sua composição.

Aguarde as cenas dos próximos capítulos sobre as novas regras de rotulagem frontal que estão por vir, elas também podem impactar, e muito, a questão do açúcar nos alimentos.

 

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