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Como anda o cenário de transgênicos no Brasil e no Mundo?

Como anda o cenário de transgênicos no Brasil e no Mundo?

Vivemos em uma época marcada pela supremacia da ciência e da tecnologia. Com o passar dos anos e o avanço dos estudos, foi possível desenvolver novas técnicas, como a  biotecnologia, e com ela surge um tema muito atual e polêmico: a transgenia. Como será que está a questão dos transgênicos no Brasil e no mundo?

O descobrimento de substâncias e o aperfeiçoamento, graças à biotecnologia, de técnicas proporcionaram a solução de diversos problemas. Entretanto, o desenvolvimento de novas tecnologias não está isento de ônus. 

Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) são considerados um avanço importante para a melhoria e aumento da produção de alimentos. De fato, o cultivo de plantas geneticamente modificadas pode ser considerado um avanço científico e, também, de lucratividade para aqueles que trabalham com a área, já que confere às plantas características que não seriam adquiridas por meio do melhoramento convencional. 

Os OGM são organismos, principalmente plantas, que têm seu material genético modificado pela introdução de um ou mais genes, de acordo com a técnica de biologia molecular. 

 

COMO ANDA O CENÁRIO DOS TRANSGÊNICOS NO BRASIL?

O Brasil é dono de um forte segmento de agronegócio, não é de se espantar que os números nesse setor sejam altos. Atualmente, nosso país é considerado o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, que possui mais de 75 milhões de hectares plantados.

 

Uma pesquisa da Céleres, empresa de consultoria focada na análise do agronegócio, indicou que noss área plantada de transgênicos tende a aumentar. Na temporada atual (2019/2020), o Brasil está com um total cultivado de 53,1 milhões de hectares, um crescimento de 2,6% ante temporada anterior, muito impulsionado pela plantação de soja e milho transgênicos. 

 

Deste total, 35,3 milhões de hectares serão semeados com soja, 16,3 milhões com milho e 1,45 milhão com algodão.

 

Ademais, a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - desenvolve estudos nesta área desde a década de 80. Investigações estão sendo realizadas com várias espécies agrícolas, tais como soja, feijão, arroz, milho, algodão, alface, batata, café, cana-de-açúcar e mamão.

 

E NO MUNDO?

 

Assim como no Brasil, mundialmente o mercado continua crescendo. Em 2018, foi feito um estudo pela Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA), que monitorou lavouras transgênicas em 26 países. Todos eles, juntos, cultivaram 191,7 milhões de hectares. Desse total, somente a área plantada brasileira corresponde a 27%.

 

Os cinco maiores produtores de transgênicos no mundo são Estados Unidos, Brasil, Argentina (23,9 mi/ha), Canadá (12,7 mi/ha) e Índia (11,6 mi/ha). Essas cinco nações respondem por 91% da área plantada com sementes transgênicas.Outros 21 países, de todos os continentes, foram os responsáveis pelo cultivo dos 17,4 milhões de hectares restantes, o equivalente a 9% do total. 

 

Se por um lado os números crescem, por outro, certos países vão na contramão. Existem Estados, principalmente na Europa, que não enxergam os transgênicos com bons olhos e preferem não cultivá-los. 

 

Em 2015, houve um acordo entre os membros da União Europeia e ficou decidido que 19 dos 28 países do bloco iriam banir o cultivo de alimentos geneticamente modificados. Entre eles, gigantes como Alemanha, França e Itália, além de parte do Reino Unido (agora fora da UE).

 

MAS ENTÃO, NO QUE ACREDITAR?

 

Desde que os transgênicos chegaram às nossas mesas, há mais de duas décadas, uma verdadeira guerra vem sendo travada. De um lado estão as grandes empresas de biotecnologia e os agricultores que produzem commodities agrícolas em larga escala. Do outro, ambientalistas e pequenos produtores rurais, que defendem não haver nessa prática segurança para a saúde humana e para o meio ambiente. 

 

Nessa história, até os próprios profissionais da saúde e da indústria ficam sem saber ao certo qual o cenário ideal. Em uma pesquisa com nutricionistas, mais de 60% dos participantes alegaram ter dúvidas a respeito do uso de transgênicos, confirmando assim as incertezas que a população tem sobre o  assunto. 

 

O argumento favorável ao uso dos transgênicos está relacionado ao barateamento do custo de produção e a um menor uso de fertilizantes e agrotóxicos, facilitando a produção agrícola algo que poderia ajudar no combate à insegurança alimentar do mundo. Também existem estudos científicos com resultados positivos quanto ao uso dos transgênicos. 

 

Os argumentos desfavoráveis são justamente a falta de respostas claras sobre seus impactos na saúde humana, animal e ambiental. A ausência de estudos que observem os efeitos, a longo prazo, do uso de transgênicos faz com que muitos órgãos sejam contrários à transgenia para o consumo humano e animal. Por exemplo, esses alimentos podem causar alergias, além de produzirem compostos que poderiam ser “tóxicos” para o corpo.

 

Outro ponto sempre questionado é que muitos estudos sobre a transgenia são realizados pelas próprias empresas, e o conflito de interesses é colocado à prova. Os métodos utilizados também podem ser contestados por não conseguirem garantir a detecção de alergias a novas proteínas.

 

Mas, o que seria melhor? Não haver nenhum estudo sobre o tema ou começarmos a entender cada vez mais sobre esse assunto que, por meio de financiamento pela iniciativa privada, já realidade no Brasil e no mundo?  

 

OPINIÃO PÚBLICA

 

Diante desse cenário, alguns órgãos governamentais e instituições de saúde se posicionam. 

 

O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) se coloca a partir do princípio da precaução: devido à ausência de certeza científica e à existência de possíveis riscos, não recomenda o uso. 

 

Além deste órgão, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Greenpeace - organização global e independente que atua para defender o meio ambiente e promover a paz - são contra a liberação de OGM no meio ambiente e se opõem ao seu uso na alimentação humana e animal. 

 

Em contrapartida, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) defende seu emprego e garante a segurança dos transgênicos, alegando que a lei da biossegurança é rígida: além dos estudos com transgênicos durarem aproximadamente 10 anos, somente depois de analisado e aprovado pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) é que o produto vai para o mercado.

 

E A ROTULAGEM SOBRE OS TRANSGÊNICOS NO BRASIL?

 

A história da rotulagem no Brasil começa em 1990, a partir do Código de Defesa do Consumidor, que garante ao comprador o direito de saber qual matéria-prima, corante ou conservante foram utilizados em determinado produto, para que lhe seja garantido o direito de escolha para os alimentos em geral.

 

Em 2001, o Decreto nº 3.871/01, estabeleceu que a rotulagem indicativa deveria ser feita para produtos alimentares de consumo humano, embalados e que apresentem no mínimo 4% de ingredientes geneticamente modificados. 

 

Mas, em 2003, começou a valer o decreto 4.680/03, que determinou que a rotulagem fosse estendida para todos os alimentos embalados, a granel ou in natura, que contenham mais de 1% de transgenicidade em sua composição. 

 

Foi neste decreto que foi criado o símbolo que deve constar nas embalagens de produtos transgênicos ou em seus derivados.

 

Já em 2005 foi estabelecida a Lei federal 11.105/05, lei da Biossegurança, que está em vigor até os dias atuais. Ela dá força e responsabilidade de regulamentação ao Decreto de Rotulagem 4.680/03: “alimentos produzidos a partir de OGM ou derivados deverão conter informação nesse sentido em seus rótulos”.

 

Com toda essa discussão, podemos tirar apenas uma conclusão: como em relação a diversos outros temas da nutrição e saúde, sobre este assunto também não há consenso, e ainda não haverá por muitos anos, até que um lado da história comprove cientificamente seus postulados. E você, no que acredita?


 

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