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A guerra com a balança ganha a força da tecnologia

A guerra com a balança ganha a força da tecnologia

A busca pelo corpo ideal e a vontade de pesar sempre alguns quilos a menos na balança têm tornado as pessoas cada vez mais infelizes. Vez por outra surgem algumas dietas milagrosas e fórmulas mágicas que prometem um efeito rápido e definitivo para acabar com essa dor. Algo muito importante quando levamos em conta que 66% dos brasileiros possuem grande preocupação com a aparência e 49% consideram que estão acima do peso.

Agora, você sabia que a indústria da tecnologia também está procurando intensamente essa solução?

Como o comer envolve um conjunto de sensações construídas pelos nossos cinco sentidos e, claro, o cérebro, a ciência, à parte da nutrição ou da engenharia de alimentos, também entrou em ação! Veja 3 propostas de recentes pesquisas nesse sentido:

 

1 COMER COM OS OLHOS

Estudos realizados na Universidade de Tóquio levaram “ao pé da letra” a ideia de comer com os olhos. Um grupo de pesquisa liderado pelo professor Michitaka Hirose, especialista em realidade virtual, criou 3 experiências que confundem os sentidos do ser humano.

As tecnologias desenvolvidas pelo grupo de pesquisa têm como finalidade facilitar o processo de emagrecimento,  “iludindo” os órgãos que constroem a percepção de sabor.

A primeira experiência desenvolveu óculos que aumentam o tamanho dos alimentos, proporcionando saciedade com um volume menor de consumo.

Os “Óculos de Dieta”, como ficaram conhecidos, podem ser operados por computadores para ajustar a perspectiva do tamanho dos alimentos nas mãos, de forma que apenas a imagem do alimento seja aumentada ou diminuída, garantindo a sensação de realidade.

Um pedaço de chocolate de 2cm pode ter sua imagem aumentada em até 50%, ou seja, por meio dos “Óculos de Dieta” veríamos o chocolate com 3cm.

Essa técnica pode ser usada na confeitaria:  um confeito pode ter a imagem de um detalhe aumentada até atingir o tamanho de um biscoito, por exemplo, sem que haja alteração na proporção dos elementos ao redor.

No Japão, a pesquisa foi levada a campo e apresentou resultados satisfatórios ao grupo de pesquisa: a quantidade média de alimentos necessários para a pessoa se sentir satisfeita foi 9,3% menor com a utilização dos óculos.

É um resultado contraditório em relação ao conceito do comer com equilíbrio. Ao mesmo tempo que os óculos atingiram o objetivo para o qual foram criados, eles enfrentam algumas questões éticas sobre o comportamento e a nossa relação com a comida. Afinal, para alguns não parece honesto “enganar” nossos sentidos buscando apenas uma meta, resultado final o emagrecimento. 

2 TRAPACEANDO O CÉREBRO

 Buscando evoluir no estudo, os mesmos pesquisadores desenvolveram um segundo dispositivo, apelidado de MetaCookie+. A experiência utiliza a visão e o olfato para tentar “enganar” o paladar, induzindo a um determinado sabor, diferente daquele do alimento degustado. A pessoa segura em sua mão um biscoito, mas, por meio do MetaCookie+, é impactada pela imagem e pelo cheiro de chocolate. Quem participou da experiência afirma que o sabor é o de chocolate, apesar de estar comendo um biscoito. Estudiosos sobre o assunto, como o Instituto de Nutrição Comportamental, no Brasil, defendem a alimentação pensada e planejada nos contextos fisiológico, cultural, social e emocional, e afirmam que “todos os alimentos podem fazer parte de uma alimentação saudável – respeitadas as questões de quantidade e frequência.”

Quão grande é a “fome” por emagrecer para que ela seja vista como prioridade em relação ao prazer de comer e ao equilíbrio?

3 - TUDO AZUL

A terceira inovação na busca pelo emagrecimento são óculos que fazem todas as imagens à frente ficarem em tons de azul. A empresa que está desenvolvendo os óculos afirma que esta cor acalma o centro de apetite do cérebro e induz à perda da vontade de comer.

Vimos três exemplos polêmicos de tecnologia supostamente aplicada  a serviço da saúde, na busca por emagrecimento. Qual sua opinião? Achou bizarro ou já quer saber onde serão vendidos? 

 Ellyn Satter, pesquisadora americana especialista em comportamento alimentar, defende o “comer normal” que, segundo ela, é “ser capaz de pensar um pouco para selecionar alimentos mais nutritivos, mas sem ser tão preocupado e restritivo a ponto de não comer os alimentos mais prazerosos.”

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