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Mercado de substitutos de carne no Brasil

Mercado de substitutos de carne no Brasil

O Brasil é considerado o maior exportador de carne bovina do mundo, segundo dados da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). Para 2020, Lygia Pimentel, analista da Agrifatto, empresa de consultoria em agronegócios, informa que, possivelmente, a exportação de carne aumentará 10%, enquanto o consumo interno de carne bovina crescerá apenas 2%. 

 

Em meio a esses números “carnívoros”, há, no Brasil e no mundo, uma crescente tendência  para o consumo de proteínas de origem vegetal. Tal movimento pode ser explicado porque os consumidores brasileiros estão cada vez mais conscientes e atentos à sustentabilidade. Segundo pesquisa feita pela Nielsen em 2019, foi possível verificar que os brasileiros estão querendo ser mais sustentáveis: 42% dizem estar mudando seus hábitos de consumo para reduzir o impacto no meio ambiente, e serem mais saudáveis. Eles buscam diminuir a ingestão de gorduras, sal, açúcar, entre outros ingredientes que, em excesso, podem causar malefícios para a saúde.

 

Segundo dados da Euromonitor, as proteínas vegetais ainda são um mercado de nicho no país. Entretanto, a preocupação dos consumidores com a origem dos alimentos e a crescente demanda por opções mais sustentáveis fomentam o mercado a inovar e crescer neste ramo. “O plant-based não pode ser mais considerado somente para o público vegano e vegetariano, mas também para onívoros e flexitarianos (indivíduos que reduzem o consumo de carnes)” diz Luiz Augusto Silva, CEO da NotCo no Brasil.

 

O evento APAS Show, considerado o maior da América Latina para o setor varejista, antes dominado pelos frigoríficos do país, em 2019 revelou um crescimento na apresentação de proteínas vegetais., As demonstrações dos produtos neste evento podem ser consideradas um termômetro do futuro das prateleiras dos supermercados. Essa edição contou ainda com a presença de nove marcas certificadas pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), por meio do Selo Vegano. Marcas grandes e tradicionais do mercado de carnes, como a Seara, apresentaram novidades, mostrando ao público um hambúrguer plant-based. Tais tendências vêm acompanhadas do aumento de produtos e serviços destinados a este público, conforme indicam pesquisas de mercado recentes elaboradas por grupos como a Mintel.

 

A TENDÊNCIA PLANT-BASED

 

 O mercado de plant-based está crescendo sem sinais de desaceleração. Emma Schofield, analista da Mintel, aponta que a demanda por alimentos vegetais, juntamente com a procura por maior quantidade de proteína em alimentos e bebidas, direciona um futuro brilhante para os ingredientes das proteínas à base de vegetais. As fontes tradicionais de proteína, como as carnes, laticínios e peixes, são frequentemente citadas por terem um impacto negativo no meio ambiente. Vale lembrar que a preocupação com a natureza, assim como com a ética em relação ao bem-estar animal e o cuidado com a saúde são as principais razões pelas quais os consumidores estão à procura de alimentos plant-based. 

O mercado das proteínas apresenta uma grande oportunidade de desenvolvimento para as indústrias brasileiras. Porém, não basta apenas ser plant-based, também é preciso ser clean label, de origem, acessível e saboroso! No Brasil, o GFI (The Good Food Institute) é uma ONG que tem como objetivo estimular o mercado de proteínas alternativas aos ingredientes de origem animal, fazendo parte do movimento de inovação da indústria. A ONG trabalha em conjunto com empresas desse setor, direcionando-as nesse cenário de evolução e disrupção.

 

ALGUMAS MARCAS PLANT-BASED NO BRASIL

Conheça algumas marcas brasileiras que obtiveram sucesso no mercado plant-based!

  • Fazenda FUTURO: produzido pela Fazenda futuro, food tech brasileira. O hambúrguer é feito a partir da proteína da ervilha, proteína isolada da soja e do grão-de-bico, além de beterraba, que dá a cor de carne mal passada.

Seu portfólio ainda conta com “carne moída”, almôndegas e, esse ano, a empresa lançou uma versão de linguiça:

 

E eles estão trabalhando com FoodService: criaram um prato feito vegetal e o entregam em, parceria com iFood, por R$ 14,90. 

 

  • LINHA INCRÍVEL: pertence à marca Seara e é feita 100% à base de vegetais, com sabor e textura da carne. Além do hambúrguer, também traz versões de kibe, nuggets e um mix Oriental.

 

  • SUPERBOM: Gourmet Vegan Burger O produto é feito a partir da proteína da ervilha. Também é livre de glúten, transgênicos ou conservantes, e possui vitaminas A, B9 e B12, além de ferro e zinco. A marca possui diversos produtos na mesma linha, como frangos, steaks e salsichas!

  • FRIMESA: lançou em agosto 2020 seu primeiro produto à base vegetal.

 

  • Veg&Tal: Linha da Sadia lançada em março de 2020. No entanto, dois de seus produtos levam derivados de leite e ovos, o que já causou uma certa resistência por parte dos consumidores.

 

Além do varejo, o Food Service também tem prestado mais atenção nessa tendência, e, hoje, as principais hamburguerias gourmet de São Paulo já oferecem sanduíches vegetarianos. Assim como as redes de fast food Burguer King e Subway. 

 

Fica evidente que o mercado de substitutos de proteína animal no Brasil segue a tendência mundial de crescimento. 

Mas será que a carne e os laticínios voltarão a ser tendência? 

Existe também um movimento nascendo baseado em indivíduos que comem carne de forma moderada, desde que ela seja sustentável, orgânica, localmente produzida e criada com preceitos éticos. Assim, estamos em um estágio evolutivo com duas frentes: pondera-se se o consumo de carne e laticínios terá um renascimento ético e também se as alternativas baseadas em plantas continuarão evoluindo e crescendo. 

Food Trends

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