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Redução do consumo de carne e o mercado plant-based

Redução do consumo de carne e o mercado plant-based

Cada vez mais a população vem reduzindo ou excluindo do cardápio a carne, laticínios, ovos e outros alimentos de origem animal. De acordo com uma pesquisa realizada pelo The Good Food Institute (GFI), que entrevistou nove mil brasileiros, 29% dizem que estão reduzindo ou querem reduzir o consumo de produtos de origem animal. E ainda, mesmo entre as pessoas que não estão reduzindo o consumo, 76% dizem considerar essa escolha alimentar positiva. Além disso, segundo o IBOPE (2018), cerca de 30 milhões de brasileiros se declaram vegetarianos, representando 14% da população.

Nesse sentido, uma outra pesquisa realizada pela New Nutrition Business (NNB) observou que 20% dos americanos, espanhóis, ingleses e australianos possuem a vontade de reduzir o consumo de carne, porém apenas 8% são vegetarianos.

Esse comportamento aparece de diversas formas, com dietas que podemos classificar como:  vegetarianismo, veganismo ou flextarianismo Por definição, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) classifica o vegetarianismo da seguinte forma:

  • Ovolactovegetarianismo: utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação;

  • Lactovegetarianismo: utiliza leite e laticínios na sua alimentação;

  • Ovovegetarianismo: utiliza ovos na sua alimentação;

  • Vegetarianismo estrito: não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação.

Além desses tipos de vegetarianismo, de acordo com a Vegan Society, temos o veganismo, mais do que uma dieta, é considerado um estilo de vida que busca excluir, na medida do possível, todas as formas de exploração aos animais, seja na alimentação, no vestuário ou em outras esferas do consumo. Muitas pessoas não sabem, mas um vegano estrito não consome nada que contenha mel e nem teria um carro com banco de couro! 

Saindo das visões mais complexas ou até mesmo “radicais”, existem os adeptos ao flextarianismo. São pessoas que digamos, “simpatizantes” ao vegetarianismo, podem ou não estar em uma etapa de transição e alternam entre consumo de vegetais, mas ainda consomem carne ou produtos de origem animal ocasionalmente). 

Com todo esse cenário crescente, o mercado de alimentos como alternativas às proteínas de origem animal também cresce em todo o mundo! Segundo o Google, observou-se um aumento em 150% nas buscas por “carne vegetal” pelos brasileiros. Além disso, o mercado dos substitutos de carnes vem crescendo, tendo movimentado mais de 19 bilhões de dólares no mundo nos dois últimos anos, segundo a Euromonitor. 

E aí o surgimento dos produtos plant-based. Esses produtos têm como proposta serem exclusivamente de origem vegetal, da forma mais natural, saudável e clean label possível. Ficam de lado os produtos ultraprocessados, rico em açúcares e gorduras ruins mesmo que não tenham nenhum ingrediente de origem animal.

Hoje, tanto produtos veganos quanto livre de alergênicos, já são vistos não apenas de forma especial, para nichos, mas sim como produtos inclusivos, ou seja, produtos que sejam aptos ao consumo tanto de onívoros quanto de vegetarianos, veganos ou pessoas com intolerâncias ou alergias alimentares.

Os produtos plant-based podem amarrar em si um conjunto de soluções muito mais abrangentes e, além do nicho de consumidores que dizem não a carne, consumidores que optam por esse estilo em sua alimentação motivados por outros fatores, como saúde, bem-estar animal e principalmente sustentabilidade. Esses consumidores ainda, querem aumentar o consumo desses produtos sem abrir mão do sabor, textura, aparência, sensação ao mastigar e suculência. 

Nesse sentido, as empresas começam a se posicionar e atender à busca dos consumidores por esses produtos. Marcas voltadas somente para esse nicho crescem desenvolvem produtos criativos e saborosos, como Flormel, Vida Veg, Fitfood, Picme.

Esse mercado tem crescido exponencialmente nos últimos anos e deverá atingir 80,23 bilhões até 2024. Por isso, empresas tradicionais também buscam se reinventar e trazer produtos para esse nicho. Como é o caso da Nestlé que, além de investir em no seu portfólio à base vegetal, por exemplo ninho, também optou pela fusão com Nature’s Heart. Outras empresas gigantes também entraram nessa categoria através de aquisições e fusões, por exemplo Piracanjuba com Almond Breeze e Danone com White Wave.

Como inovar dentro desse mercado:

Sabemos que não existe uma receita para inovação, mas alguns métodos podem te ajudar, então, vamos a alguns desses passos:

1. Converse com sua “persona” - nada melhor do que entender as necessidades e desejos de quem seria seu possível cliente dentro desse segmento. Extraia o máximo de informações possíveis para criar um protótipo ou o chamado MVP (em português: Mínimo Produto Viável), acredite é surpreendente e você pode evitar erros já desde o início;

2. Criar uma marca nova ou colocar como alternativa ao portfólio?

Esse é um dilema frequente e a resposta é DEPENDE! Para responder essa pergunta é necessário entender a sua marca atual mas profundamente e se esse consumidor enxerga dentro dela algo plant-based, se sim, pode ser uma caminho mais curto e viável, pois reconhecimento de marca a gente não constrói da noite para o dia, se não, melhor investir em uma nova marca do que “queimar” seu lançamento por isso;

3. Posicionamento e custo. Sabemos que em geral a produção desse tipo de alimento é x % mais cara como falado anteriormente, mas cuidado com a precificação. Garantir uma maior margem no início pode não ser estratégico para tornar seu produto conhecido e gerar recompra e hábito de consumo, esse é um dos maiores desafios desse tipo de produto, criar clientes fiéis.

Uma coisa é fato, esse mercado é um caminho sem volta, hoje pode não ser um “grande negócio” mas em um curtíssimo espaço de tempo você vai desejar ter começado hoje a construir algo nesse sentido para sua marca!   

 

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