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Rastreabilidade na hora da compra não é mais para poucos!

Rastreabilidade na hora da compra não é mais para poucos!

O que de fato os consumidores querem saber sobre rastreabilidade?

Quem produziu? O quê? Quando? Como? Para quem vendeu? Essas perguntas são cada vez mais importantes para os consumidores quando tomam suas decisões de compra e põem sua fidelidade em uma marca. Isso porque as pessoas estão mais exigentes e conscientes sobre suas escolhas.

Mas afinal, o que é a rastreabilidade de uma mercadoria? Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), esse termo se refere à “habilidade de seguir a movimentação de um alimento por estágios específicos de produção, processamento e distribuição”.  É uma ferramenta importante para garantir a segurança do comprador e sua confiança na marca e na qualidade do produto.

 No Brasil, já existe uma legislação que regula a rastreabilidade no setor de alimentos. Dentre as normas, há a RDC nº 24, que aprova os critérios e procedimentos para o recolhimento de alimentos. Além dela, temos a  INC nº 02, que dispõe sobre a obrigatoriedade de se aplicar a rastreabilidade no decorrer da cadeia produtiva dos vegetais frescos voltados à alimentação humana. Ainda existe IN nº 51 , que garante a rastreabilidade dos animais e de seus produtos.

Visto isso, muitos clientes estão cada vez mais atentos à origem de seus alimentos. E não só com todo o trajeto percorrido pelo produto, mas também com o impacto dele no meio ambiente. Como reflexo disso, segundo a Nielsen, para mais de 32% dos brasileiros, a sustentabilidade já está na lista das TOP 3 de suas preocupações. Além disso, outros dados mostraram que 42% dos brasileiros estão mudando seus hábitos de consumo para reduzir seu impacto ambiental. Já a pesquisa Food and Health Suvery, de 2019, mostrou que 27% dos americanos veem a sustentabilidade como chave para impulsionar decisões na hora da compra.

No entanto, segundo a New Nutrition Business, muitos consumidores ( 77% dos suecos e 63% dos americanos), ainda têm dificuldade para saber se o produto foi produzido de forma sustentável ou não.

Dados da Mintel ainda mostraram que 41% dos brasileiros que compram carne gostariam de saber sua origem.

Como as empresas podem atender a essas expectativas dos consumidores.

Essa crescente pressão sobre as indústrias para que elas sejam mais transparentes e proativas exige mudanças o mais rápido possível. Mas o que as empresas podem fazer para atingir esses objetivos?

Muitas iniciativas passaram a ser tomadas com isso em mente. Na Europa, por exemplo, uma estratégia que faz parte do European Green Deal, chamada Farm to Fork, tem como objetivo tornar o sistema alimentar europeu mais sustentável. Além de fornecer ferramentas de rastreamento do alimento, as indústrias podem investir em diversas etapas do processo, como, por exemplo, no estágio das embalagens, no qual pode-se optar pelas recicláveis ou retornáveis, a fim de reduzir a produção de lixo.

As empresas podem ainda investir na redução da emissão de carbono tanto na produção, utilizando prioritariamente fontes de energias renováveis, quanto na etapa de distribuição, preferindo transportes mais eco friendly, como trens e barcos.

A escolha da matéria-prima é algo fundamental nesse processo, orgânicos ou não, o fato de serem produzidas por agentes locais ou fazendas que ficam em um raio de distância menor que grandes fornecedores e assim reduzem o footprint do produto

Somado a isso, uma tendência associada à sustentabilidade da cadeia produtiva que veio para ficar é o plant-based. De acordo com  a Plant Based Foods Association, as vendas no varejo de alimentos à base de plantas nos EUA cresceram 11,4% no ano passado. Uma pesquisa feita pelo International Food Information Council revelou que aproximadamente 47% dos entrevistados consideram alternativas plant-based melhores para o meio ambiente. A produção do plant-based, além de consumir menos água, tem menor liberação de gases do efeito estufa. Escrevemos um artigo falando sobre como as marcas podem trabalhar melhor com isso, você pode acessá-lo aqui

O que as marcas já estão fazendo 

Levando em conta o que os consumidores procuram, muitas marcas já estão lhes dando ouvidos e investindo em ferramentas para rastrear seus produtos, bem como em formas de tornar a cadeia produtiva mais sustentável.

Como exemplo, temos o caso do Carrefour, que implantou, em 2019, a Blockchain, uma ferramenta para rastrear a mercadoria. Com a tecnologia, seus clientes têm acesso, via QRcode, às informações das etapas de produção e distribuição da linha de suínos Sabor & Qualidade.

No quesito embalagens, a Unilever já está tomando a frente no mercado. A marca estabeleceu a meta de ter, até 2025, ao menos 25% de resina reciclada nas suas embalagens, bem como reduzir pela metade o uso de plástico virgem. Em uma de suas ações no Canadá, por exemplo, os potes e frascos de maionese da Hellman’s serão fabricados com plástico 100% reciclado.

Outro meio de comunicar a sustentabilidade é a reutilização dos alimentos. E algumas marcas como a Barnana e a Campo Largo já direcionaram esforços para essa área. Para a Campo Largo, os restos de frutas que não são aproveitados na confecção dos sucos são usados para compostagem e viram adubo para os animais. Enquanto para a Barnana, as bananas rejeitadas para exportação são matéria-prima de seus snacks.

É possível ainda agir no ramo da energia utilizada durante a cadeia produtiva. Segundo a QNews, a PepsiCo, como parte de sua meta global para reduzir as emissões de gases em 20% até 2030, pretende atingir 100% de eletricidade renovável em todas as suas operações diretas nos EUA.

Muitas marcas já estão apostando suas fichas no mercado plant-based a fim de se tornarem mais sustentáveis.É o caso da Arla e da Fazenda Futuro, que estão apostando em alternativas para produtos de origem animal.

E sua empresa, já está investindo na rastreabilidade dos alimentos, tentando melhorar suas etapas e também comunicá-las da melhor forma?

 

 

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