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Saúde mental: uma nova tendência no mercado de alimentos e bebidas

Saúde mental: uma nova tendência no mercado de alimentos e bebidas

Será a saúde mental uma nova tendência no mercado de alimentos e bebidas? É o que apostam alguns institutos de pesquisa para 2021! Entenda os motivos e descubra duas estratégias para associar saúde mental aos seus produtos.

 

Vivenciar uma pandemia foi um grande desafio para a saúde mental de todos. De alguma maneira, o bem-estar psicológico foi abalado, seja pelo medo de ser infectado, seja pelas perdas financeiras ou de pessoas queridas, ansiedade pela situação jamais experienciada ou pelas medidas de isolamento social. 

 

Por esse motivo, o assunto sobre saúde mental durante a pandemia foi amplamente discutido por profissionais, tendo relevância em diversos estudos. Um deles, coordenado pelo Instituto Fiocruz em 2020, foi feito com 22.876 participantes, para verificar o impacto da pandemia na saúde mental dos trabalhadores de serviços essenciais. 

 

No Brasil, 12,7% dos participantes apresentaram sintomas de ansiedade, 9,2% depressão, e 33,1% apresentavam ambos os sintomas, demonstrando que a pandemia impactou, sim, negativamente a saúde mental de grande parcela da população.

 

Assim como no Brasil, diversos países tiveram o emocional de sua população abalado, e isso fez com que a procura por alimentos que ofereçam um benefício à saúde mental pudesse ser favorecida. É o que traz em uma das tendências o relatório da Mintel de tendências para 2021!

 

Alimente a mente (Feed the mind)

 

“Feed de mind”, traduzido para o português “alimente a mente"

Os consumidores buscarão mais produtos e serviços que ofereçam benefícios à saúde mental e emocional devido aos prejuízos no bem-estar mental causados pela pandemia.

 

Paralelamente a isto, durante a pandemia também houve o aumento da procura por alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, pelos indulgentes. A pesquisa feita pela Decode em 2020 apontou que a busca por alimentos gourmet e indulgentes aumentou mais de 800%, enquanto a de alimentos que apresentavam algum benefício, como alimentos para imunidade, cresceu 145%.

 

O consumidor busca saúde e imunidade na dieta, mas também conforto emocional, o “eu mereço” de um docinho... A Fim de auxiliar a indústria de alimentos, bebidas e suplementos a desvendar esta nova tendência, nós do BHB acreditamos que existem dois principais movimentos a serem feitos para trazer o conceito de saúde mental aos seus produtos:

 

  • Novos ingredientes

 

Para atender às necessidades dos consumidores é preciso inovar utilizando ingredientes funcionais que garantam esse benefício. As pessoas buscarão alimentos e bebidas funcionais que auxiliam na concentração, relaxamento e no alívio de problemas de saúde emocional. 

 

No mercado já existem opções de produtos alimentares que trazem esta relação com o emocional. Os chamados food mood são alimentos pensados e desenvolvidos para melhorar o humor do consumidor.

 

Isso acontece porque alguns alimentos são capazes de estimular a produção e liberação de neurotransmissores que ajudam na sensação de bem-estar. O chocolate, por exemplo, é rico em triptofano, substância precursora da serotonina, o “hormônio da felicidade”.

 

Assim como o triptofano, a melatonina também é encontrada em alguns alimentos e pode ser utilizada para melhora na insônia e na qualidade do sono. Alimentos como ovos, peixe e carnes, assim como morango, cereja e uva são ricos em melatonina e também ajudam a manter a saúde mental.

 

Mas um dos principais ingredientes utilizados no mercado de food mood são os nootrópicos, eles que têm o poder de melhorar as funções cognitivas e o desempenho mental em pessoas saudáveis. 

 

Os nootrópicos são substâncias naturais que podem ser adicionadas aos produtos para potencializar os efeitos, e os mais comuns são as vitaminas do complexo B, ômega-3, cafeína, triptofano, L-teanina, dopamina, óleo de CBD, bacopa, panax ginseng e ginkgo biloba. Algumas dessas substâncias ainda não podem ser utilizadas em alimentos no Brasil e esses são apenas exemplos de estudos acerca de seus benefícios nutricionais. 

 

Além destes, o mercado de Cannabis também pode ser um grande aliado no desenvolvimento de produtos com benefícios para a saúde mental. O principal ingrediente da planta utilizado para este fim é o CBD, um canabinóide não psicoativo que pode auxiliar em convulsões epilépticas, dores, ansiedade, depressão e insônia. 

 

Mas quando se trata de cannabis no Brasil, ainda há muitas questões regulatórias pela frente. Entretanto, mundo afora, há uma infinidade de opções alimentares que utilizam o CBD em sua composição. São energéticos, bebidas alcoólicas, chás, pipoca de microondas... até mesmo suplementos alimentares.

 

  • Ir além dos ingredientes

 

Algumas marcas já exploram a experiência que seus produtos podem trazer para além de seu sabor e benefícios nutricionais. Por meio deles é possível gerar diferentes experiências relacionadas a comer + saúde mental, como técnicas de mindful e até rituais inspirados no mercado da beleza. Tudo isso pode trazer atenção àquele momento da comida e transformá-lo em algo prazeroso, calmo e consciente. Com conhecimento e criatividade, sua marca pode PRESTAR UM SERVIÇO de ajuda ao bem-estar mental e emocional do seu consumidor. 

 

As marcas de alimentos e bebidas podem oferecer às pessoas estressadas ​​momentos de fuga, paz e outras conexões emocionais, por meio desses rituais de produtos, e eles podem ser realmente benéficos à saúde do consumidor. Na China, 77% dos adultos concordam que ter um senso de ritual na vida diária ajuda a melhorar o humor. E olha que de rituais eles entendem! 

 

O relatório da Mintel cita ainda que certos elementos sensoriais, como perfumes e aromas, podem ser usados ​​para adicionar uma experiência ao produto. Um exemplo pode ser o consumo de bebidas perfumadas calmantes, combinadas com um tutorial de meditação, por que não? Trazendo um mix de sabores e sensações para consumidor, e tornando aquele momento uma experiência única.

 

CASES: Como prestar um serviço de saúde mental e emocional com seus produtos? 

 

Veja esses exemplos para te inspirar:

 

A Barilla, marca de massas italianas, traz em seus comerciais e propagandas uma comunicação além da comida. Para eles, é possível enviar uma mensagem de amor através de um prato, e, portanto, o cozinhar é tão importante quanto o comer. Recentemente a marca criou 8 playlists no Spotify com o tempo exato do cozimento de suas massas, 9 ou 11 minutos. Deixando o preparo dos alimentos mais descontraído e prazeroso

 

Dentro da experiência com a comida, lembrei de uma campanha da marca de queijos Philadelphia, lançada em 2014. Foi a “cozinhaterapia”, fez um baita sucesso, e contava com vídeos de quinze segundos mostrando como o produto tem um uso variável, além do incentivo ao ato de cozinhar. Deu tão certo que criaram uma casa de experiências em uma temporada para isso. 

 

A Consul, empresa de eletrodomésticos, teve uma campanha muito interessante durante a pandemia. A marca fez a websérie “Na Cozinha, com Paulo Gustavo”, desenvolvida pela agência FCB Brasil. Ela contou com quatro episódios, exibidos no Instagram do artista, abordando situações descontraídas e bem-humoradas sobre a relação das pessoas com a casa e a rotina durante a pandemia. 

 

Neste caminho da diversão, o humorista Matheus Ceará também traz uma proposta diferente. Ele possui um canal no YouTube, onde realiza receitas e as compartilha de maneira descontraída. 

 

Acreditamos que os influenciadores do humor podem se relacionar com saúde mental, por trazerem, de alguma forma, alegria a momentos rotineiros, e, portanto, auxiliar no bem-estar psicológico dos indivíduos.

Por fim, a Mondelez, empresa que trabalha com categorias de snacks e chocolates, traz há alguns anos o conceito de mindful snacking. A empresa desenvolveu um site para falar sobre o assunto que traz conteúdos simples e científicos. A sua ideia é justamente educar as pessoas para um consumo mais consciente.

 

Saúde mental e alimentação

 

Há algum tempo já se explora o conceito de saúde mental na alimentação e, cada vez mais, a ciência mostra que o comer está intimamente ligado com nossas emoções. Assim sendo, quanto mais conectado com a emoção do seu consumidor, mais sua marca será lembrada.

 

Em tempos de pandemia, toda ajuda é válida para suportar os desafios que estamos vivenciando. Portanto, pense com carinho em como a sua marca pode ajudar o consumidor. 

 

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