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Temperos e condimentos na era da naturalidade

Temperos e condimentos na era da naturalidade

 

Quando se trata de alimentação, poucas coisas são tão importantes quanto o sabor. A comida pode ser a mais saudável, a mais luxuosa, com o melhor custo-benefício, mas se não tiver sabor, não cativa as pessoas. Temperos e condimentos tornam-se então essenciais. Mas e hoje, na era da naturalidade, como fica aquele tempero pronto?

A combinação dos cheiros e gostos percebidos pelos sentidos, além das contribuições sensoriais dos alimentos (temperatura, ardência, textura) resulta no sabor, o que mostra que a comida está diretamente ligada ao prazer de se alimentar.

Tendo isso em mente, sabemos do papel crucial que os temperos têm em transformar simples alimentos em uma refeição saborosa. Para o cozinheiro, o tempero é quase a “alma da comida”, uma alquimia de ingredientes, que tem um resultado final quase que exclusivo para cada pessoa e preparação.

 

Especiarias: o tempero da história e o surgimento do tempero pronto

 

Não há como falar de temperos e condimentos sem citar as especiarias e lembrar da importância delas em nossa história. Por conta delas ocorreram guerras, ascenderam e declinaram nações, abriram-se rotas comerciais, mudaram os hábitos gastronômicos... Com a facilidade que temos para comprá-las atualmente, nem nos damos conta de como eram um artigo de luxo nos tempos medievais. 

 

Os preços dos condimentos eram elevadíssimos, isso porque eles precisavam ser transportados do Oriente para a Europa Ocidental, em extensas rotas que ligavam comerciantes árabes e italianos, especialmente venezianos e genoveses..

 

Com o fechamento do Mediterrâneo pelos turcos-otomanos em 1453, os países da Europa, entretanto, se viram obrigados a buscar rotas alternativas para esse lucrativo comércio, e assim Portugal e Espanha foram os primeiros países do Velho Mundo que se aventuraram em navegações transoceânicas em direção a Ásia. Os espanhóis, querendo atingir o Oriente circunavegando a Terra, acabaram aportando na América e os portugueses chegaram às Índias contornando a África. Foi através das rotas marítimas que a Europa manteve acesso a condimentos como pimenta, cravo-da-índia, açafrão, noz-moscada, entre vários outros, que ainda são muito presentes em nossa comida.

 

Já a ideia de comercializar temperos concentrados surgiu no final do século XIX, quando foi visto que as mulheres, trabalhando na indústria, não tinham mais tempo para cozinhar. Foi Julius Michaël Johannes Maggi, posteriormente fundador da marca Maggi, que começou com o negócio de temperos prontos. Os produtos eram desenvolvidos para um público financeiramente desfavorecido , e por isso, os custos eram baixos.

 

Mas foi apenas em 1908 que começou o comércio dos temperos prontos em cubos, aqueles que conhecemos até hoje. Eles fizeram muito sucesso entre as donas de casa por serem um produto prático e altamente palatável. 

 

Cultura do consumidor brasileiro em relação aos temperos e condimentos 

 

É da cultura alimentar do brasileiro comidas bem temperadas, e como a praticidade está em alta, não é de se espantar que seja um hábito o consumo de temperos prontos no Brasil. Os sabores mais populares estão atrelados à receitas do dia a dia, como o caldo de carne, de frango, de aves e de legumes.

 

Segundo a pesquisa “Hábitos Alimentares do Brasileiro: preferências, dietas e tendências de consumo”, que foi realizada em 2018, com 1.021 participantes de diversas regiões do país, 72,6% dos brasileiros afirmaram fazer o uso de temperos prontos nas receitas.

 

Dentre os que consomem, 35% preferem as especiarias naturais, porém utilizam os condimentos prontos; 23,5% usam os temperos industrializados ocasionalmente, e 14% os utilizam com frequência na cozinha, por serem práticos.

 

O sódio deve ser o principal foco de atenção quando falamos em temperos prontos. Por um lado, em excesso, ele é prejudicial, porém o que se espera de um tempero pronto é que ele salgue o alimento. Se a indústria reduz o sal da formulação, muitas vezes o cozinheiro acrescenta, por conta própria, mais sal em sua preparação. 

 

Segundo o IBGE, o consumo de sal do brasileiro é quase duas vezes maior que o limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de cinco gramas por dia. A média nacional é de 9,3 gramas. Dado esse confirmado recentemente por uma pesquisa da FIOCRUZ, que levou em conta exames de sangue e urina de 9 mil adultos, nos quais menos de 3% dos voluntários apresentaram resultados correspondentes a um consumo menor que 5g diárias.

 

MAS ENTÃO, O QUE FAZER? 

 

Com a saudabilidade e a naturalidade cada vez mais desejadas pelo consumidor, o mercado de temperos prontos também evoluiu. É o que mostra uma pesquisa da Nielsen de 2016, na qual foi observado que a venda de temperos e caldos prontos apresentou queda, enquanto temperos frescos e naturais estão se destacando. 

 

Na tentativa de querer estar mais próxima do conceito de naturalidade, a Knorr lançou o “potinho de caldo”, tempero pronto feito com ingredientes naturais, 0% de gordura e 25% menos sódio em relação aos produtos tradicionais. 

 

 

Em alguns países como a Bélgica e Reino Unido, esse produto foi um sucesso, mas aqui no Brasil, devido ao custo maior em comparação aos outros produtos da marca, acabou saindo de linha. 

 

Diante deste cenário, algumas empresas utilizaram uma estratégia diferente, como foi o caso da Kitano, que trouxe mais naturalidade e bem-estar na comunicação com a linha VIVA BEM. 

 

 

A marca Masterchef Brasil, da empresa Latinex, foi pelo caminho gourmet e  lançou uma linha de temperos e molhos feita com produtos naturais e de alta qualidade, reforçando sua associação ao programa televisivo que é sucesso de audiência e sinônimo de boa comida.  

 


 

Oferecer temperos regionais também pode ser uma oportunidade nesse mercado, dando margem para um produto com maior valor agregado. Mercadorias com identidade e origem fazem parte de uma tendência mundial, na qual os consumidores procuram ingredientes locais, alimentos sustentáveis e saudáveis. Além disso, desenvolver receitas próprias com seu produto pode ser absolutamente relevante na prestação de serviços e como sugestão de preparo.

 

INVESTIR NA EDUCAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O CONSUMIDOR:

 

Sabemos que, no Brasil, o maior consumo de sódio ainda vem do sal de cozinha (cerca de 76%) e não dos temperos prontos. Mas isso não exime a indústria da tarefa de trabalhar continuamente no aperfeiçoamento de seus produtos e exercer um papel educativo junto a seus consumidores.

Este conteúdo pode ter caráter informativo, como revelar a quantidade de sódio em receitas, por exemplo. Outras atitudes positivas podem ser publicar dicas de como conseguir reduzir o consumo de sódio diário, ouvindo sempre profissionais nutricionistas que podem ajudar também com o comportamento alimentar, ou mesmo  criar ferramentas que facilitem a vida do consumidor. Um bom exemplo é a calculadora de Sódio da Nestlé

 



 

Vamos em busca de mais sabor e menos sódio para todos os envolvidos. 

 

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