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9 tipos de fome e sua relação com o consumo de alimentos

9 tipos de fome e sua relação com o consumo de alimentos

 A alimentação sofre não apenas influência de aspectos nutricionais, mas também socioculturais e emocionais, o que ocasiona diferentes tipos de fome no indivíduo. Entender a diferença entre elas e as suas especificidades pode auxiliar na compreensão do processo de decisão feita por quem “come” ou “consome” 

A alimentação faz parte da vida de todos nós, e embora pareça algo simples - inerente a todos - envolve uma complexidade de fatores biopsicossocioculturais

 BIOPSICOSSOCIAIS, visto que estamos inseridos em uma sociedade com uma cultura historicamente construída, mas também que tem grandes diferenças regionais, ainda mais no Brasil, um país continental. Mais que isso, a cultura também sofre adaptações em cada núcleo familiar. Assim como somos capazes de sentir emoções que interferem no nosso organismo, no aspecto cognitivo e, consequentemente, em várias das nossas ações alimentares. Com isso, fica evidente que a fome no consumidor não está ligada apenas a suprir a sua demanda de energia, sua necessidade biológica por nutrientes, mas também pode ser desencadeada por emoções. Para compreender isso, existe uma divisão didática trazida no livro Comer com Atenção Plena, da Editora Abril, inspirado nos ensinamentos da monja e pediatra Jan Bayes que cita  nove tipos de fome, que são eles:

1. FOME DOS OLHOS: Quem nunca ouviu “está de comer com os olhos”? A apresentação visual de um alimento, uma fruta, uma receita, ou mesmo um snack terá um diferente impacto na fome dos olhos. Uma foto bem elaborada e ainda assim verdadeira, vai aguçar esta fome. O uso de utensílios, ou no caso de um produto industrializado, o design da sua embalagem, além do emprego de cores e imagens, despertam esta fome dos olhos. No entanto, ela só será confirmada quando o produto em si for autêntico e corresponder à expectativa criada na mente do consumidor, em relação a tamanho, cores, texturas e aromas. Vivemos a era da transparência. E somente uma imagem bonita na foto ou embalagem não irá  satisfazer um consumidor, ávido por verdade em suas experiências. 

2. FOME DO NARIZ: Comida no fogão desperta em nós a fome e o salivar, nosso corpo já começa a se preparar para digestão do alimento, o aroma aguça nosso organismo, parte de  um sistema ancestral de vida. O Foodservice tem essa experiência ao seu favor. Já a indústria de alimentos, muitas vezes, não pode contar com esse recurso no momento de decisão de compra, afinal de contas, o produto vem embalado. E, por isso, já fica aqui um insight para o desenvolvimento de produtos que despertem este sentido, ao utilizarem ingredientes naturais e por meio de uma comunicação que leve o consumidor a esta conexão e apreciação do cheiro do alimento antes de comê-lo. Uma curiosidade: é o cheiro que confere, junto ao gosto, o que conhecemos como ‘sabor’ , do inglês ‘falvo’. Experimente uma bala de nariz tampado: sem o cheio você só terá o gosto. Aliás, isso é algo que tem a ver com a nossa próxima fome.

3. FOME DA BOCA: Sentir a forma, a crocância, o gosto dos alimentos e preparações por meio das papilas gustativas:, doce, picancia, azedo, salgado, picante, amargo, umami (5°gosto) e até o novo 6º gosto , que é o fator número um para a escolha de alimentos, claro, em uma classe social com poder de compra.

Para estimular o gosto, o uso de sal, gordura e açúcar tem sido a principal estratégia  da indústria. No entanto, com as novas regulamentações e o conhecimento sobre o impacto destes na saúde pública, novos caminhos devem ser buscados para a inovação. Um deles é a introdução de ingredientes simples e integrais (ver wholefood innovation), a volta de dulçores como o Algarve, beterraba, tâmara e uso de ervas e vegetais como intensificadores de sabor. A Sociedade Internacional de Neurogastronomia, do Reino Unido, já pesquisa alimentos da natureza que intensificam o sabor para utilizar na produção de alimentos para indivíduos pós-quimioterapia. 

4. FOME DO ESTÔMAGO: Barriga roncando é o sinal. A necessidade do corpo se pronuncia e se eleva a tal ponto que você primeiro precisa dar atenção a ela para conseguir continuar produzindo e rendendo em outras atividades. Por conta disso, a indústria de alimentos é um serviço essencial e carrega consigo uma missão, um papel social de acesso e segurança dos alimentos para toda a população. 

Em países com uma população de baixa renda, o grande desafio da indústria de alimentos está justamente em trazer uma alimentação que supra as três fomes cima: a do estômago e as fomes do prazer, mas não fique apenas aí, e consiga ter qualidade para democratizar a saúde. 

5. FOME DE TATO: Sentir os alimentos, rasgar um pedaço de pão, ou ainda, colocar a mão na massa é um fenômeno que cresce a cada dia mais, especialmente em meio à pandemia do coronavírus (93% das pessoas declaram estar cozinhando em casa). Olha que fato curioso: apesar de o E-commerce de alimentos ter crescido durante a pandemia, uma pesquisa da Qualibest mostrou que 63% das pessoas que não compravam, continuam não comprando alimentos online. Um dos motivos é justamente a necessidade de escolherem pessoalmente os produtos, principalmente os hortifrutis “as pessoas têm necessidade de tocar nas frutas, escolher os tomates, por esse motivo, muitos ainda insistem em ir às lojas”, diz Claudio Nogueira, pesquisador da QUALIBEST. Será aí uma questão de fome de “ato”? 

6. FOME DE OUVIDO: Ouvir uma cebola refogando, o barulhinho da pipoca estourando ou até mesmo o “croc croc” de alguém mastigando ao seu lado, pode dar aquela vontade de experimentar! 

Agora, aqui, vou fazer uma licença poética ao conceito das fomes e lembrar que também ouvimos um barulho do alimento que vem do boca a boca. Se você prova um produto e acha uma delícia vai querer compartilhar com alguém. Incentivar a recomendação de seu produto, de forma genuína e verdadeira, por meio de microinfluenciadores pode ser um determinante de sucesso. Assim como uma comunicação responsável e especializada com os profissionais de saúde, como o trabalho desenvolvido pela  Equilibrium Latam, que tem um canal de comunicação exclusivo com nutricionistas que precisam conhecer seu produto. 

7. FOME CELULAR: É aquele sinal do seu corpo mais profundo possível, que vem das células, de uma necessidade fisiológica e da sabedoria do corpo. Alguns vegetarianos relatam um enorme ímpeto de comer carne em algum momento da vida, e que isso não está, necessariamente, relacionado à “vontade”.  Assim como as grávidas e seus desejos, cujas células podem expressar maior necessidade de certos nutrientes. Por isso,  é necessário saber que ela existe, entender e respeitar o sinal do corpo.

8. FOME DE MENTE: Quando pensamos: “Eu deveria, eu merecia”, pensamos, por exemplo, eu deveria consumir mais saladas, eu não deveria comer esse chocolate. Tudo isso que é influenciado por nossas histórias de vida, e pelo que vimos e ouvimos, pode causar em nós, seres humanos, problemas como ansiedade, culpa e uma reação a determinados alimentos. Empresas de alimentos podem entender essa relação entre seus consumidores e a alimentação gerando serviços e desenvolvendo conteúdos com experts para trazer mais leveza ao dia a dia das pessoas.

9. FOME DE CORAÇÃO: é a fome despertada por alimentos que trazem lembranças afetivas, conforto em um momento difícil ou um simples acolhimento. Claro que comer é prazer e essa relação da comida com as emoções sempre estará presente, principalmente nas datas comemorativas. Entretanto, é diferente da “fome emocional” em que a comida vem tamponar um sentimento. Em geral são alimentos alimentos ricos em açúcar e gordura e consumidos de uma forma rápida e compulsiva. Se esta prática deve ser evitada, já a comunicação da fome de coração pode ser incentivada por meio de campanhas que tragam  receitas de família e ressaltem relações entre comida e emoção, como a clássica  campanha do café PILÃO, de alguns anos atrás, que mostrava como a fidelidade à marca passa de geração em geração.  

  Entender a influência de outros elementos que atraem o cliente, tanto consciente quanto inconscientemente, é fundamental. É válido ressaltar também que outro fator importante para o processo de decisão é a qualidade nutricional do alimento, visto que, apesar da preocupação  com a saúde, a população não está mais saudável. 

Podemos dizer, então, que a compra de alimentos é resultante de múltiplas necessidades: a fisiológica, de se nutrir, da necessidade de obtenção do prazer e de status, de se sentir aceito e parte de uma certo grupo ou tribo que consome aquele produto, da necessidade de fazer o que acredita ser respeitado, momento em que os valores da marca se alinham com os meus, ente outras coisas. Mas esses são temas para outros artigos por aqui!

Em resumo, a indústria de alimentos deve ser aliada dos anseios dos consumidores, ajudando em suas múltiplas fomes, sem abrir mão da qualidade nutricional, para garantir saúde e segurança. 

E também é papel da indústria, segundo a American Dietetic Association, ser parceira dos profissionais de saúde, fornecendo informações completas e confiáveis ao seu público, provendo auxílio, por meio do esclarecimento de dúvidas dos consumidores e promovendo campanhas publicitárias em prol de uma alimentação mais saudável! Além disso, a oferta de um produto ao consumidor deve vir ao encontro de tudo aquilo que ele procura e precisa - satisfação, prazer e saúde.  Essa é uma forma de inovar com responsabilidade, disponibilizando alimentos mais saudáveis e saborosos, promovendo saúde e bem-estar para o consumidor.

 

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