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Biopsicossociocultural – um “palavrão” ou a descrição perfeita do comer?

Biopsicossociocultural – um “palavrão” ou a descrição perfeita do comer?

A construção das relações sobre o ato de comer ainda gera dicotomias e abrangem muitas questões, principalmente quando compreendemos o que, de fato, nós queremos consumir. Assim, Marle Alvarenga, nutricionista e idealizadora do Instituto Nutrição Comportamental, deu inicio a segunda palestra do 9º BHB Food em 2019, colocando que, por conta da “complexidade dos nossos comedores”, é necessário buscar espaços de nutrição ampliada para conhecer os gostos e necessidades dos consumidores.

Marle ressaltou que a nutrição é uma ciência moderna que tem grandes avanços
no Brasil, com um vasto cenário de pesquisas e teorias que englobam temas diferenciados sobre alimentação. Entretanto, ainda existe uma indagação sobre as formas de se alimentar. Por que as pessoas comem o que comem?

A idealizadora do Instituto NC afirma que essa questão ainda encontra uma alta
complexidade devido aos múltiplos fatores que estão envolvidos no ato de comer. E eles serão diferenciados por conta das gerações que convergem. Existem muitas gerações coexistindo, assim, torna-se mais difícil entender essa indagação. Para ilustrar um caminho sobre como é possível compreender as razões pelas quais comemos o que comemos, Marle aponta para a Ciência do Comportamento, que consistem em três pilares: Filogênese, Ontogênese e Cultura.

“UMA MANEIRA SIMPLIFICADA DE PENSAR QUE NÓS FAZEMOS O QUE
FAZEMOS COMEÇA PELOS ASPECTOS FILOGENÉTICOS, QUE SÃO AQUELES
QUE DIZEM RESPEITO AO FATO DE SERMOS HUMANOS. ENTÃO A GENTE
NASCE COM A HABILIDADE DE MAMAR SEM MESMO NINGUÉM TER NOS
ENSINADO, PORQUE ISSO É TÍPICO DO SER HUMANO.”

Assim, a soma dos fatores naturais, de aprendizado, culturais e genéticos
determinam as vontades e necessidades de cada ser humano. A escolha do alimento que levamos para a nossa mesa perpassa muitos processos, sejam fatores econômicos, sociais e biológicos. As marcas precisam perceber as formas de acesso dessa alimentação do comedor/consumidor.

Muitas vezes, esse processo está ligado as influências sociais de cada pessoa.
Seja a partir da modelação, observando outras pessoas comerem, por normas sociais, que nos levam a acreditar naquilo que os outros dizem fazer, por comparação social, segmentando o ato de comer por classes sociais, por facilitação social, quanto mais acompanhado, mais me alimento ou por gerenciamento de impressões, quando eu quero impressionar através do meu prato. A comida passa a representar um lifestyle, onde “não é só uma questão do que eu gosto aqui na minha boca e de questões biológicas, é uma questão do que eu traduzo sobre isso”.

Essa identificação com a comida é definida através do palavrão biopsicossociocultural, que reúne suas emoções, situações e contexto sociocultural através do ato de comer. As escolhas alimentares fazem parte de visões concretas, que não são passivas, com cargas simbólicas e que compõem a identidade do comedor. Comer faz parte da nossa comunicação e da nossa relação com a sociedade, a cultura e com o mundo.

Com esse poder de escolha em um campo que ultrapassa os fatores biológicos e
sociais, as marcas são desafiadas a expandir seus conhecimentos e atuações para identificar as preferências, hábitos, afetos, valores e reconhecimento dos consumidores com os produtos.

Marle salienta que as empresas necessitam se perguntar em “como o comedor
precisa ser pensado sobre a comida?” Para conseguir atender suas necessidades e, principalmente, colocar em prática para os consumidores que “você é o que come”. A construção de identidades, de gostos e hábitos passam pelo o que a comida representa para você!

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