[ editar artigo]

O caos na identidade e a comida como resgate

O caos na identidade e a comida como resgate

A primeira participação do BHB FOOD em 2019 trouxe grandes inquietações para começar a entender o que é a “A Revolução da Comida” no atual cenário sociocultural da sociedade. Agregando ao tema do primeiro bloco do evento, Uma metamorfose ambulante chamada ser humano, a palestra “O caos na identidade e a comida como resgate”, proporcionou bons momentos de autoconhecimento e reflexão sobre como entender o processo das marcas e suas relações com a alimentação cotidiana.

Michel Alcoforado, antropólogo, sócio-diretor da Consumoteca e colunista do
UOL, começou a sua participação colocando que “até para falar sobre comida está um caos”. Fazendo referência a toda turbulência da correria do dia a dia das pessoas, que enfrentam diversos dilemas sobre como conduzir suas próprias vidas em aspectos diferenciados, como questões financeiras, alimentares, relacionamentos e tantas outras perspectivas que englobam suas experiências.

E esse caos tem explicação! Hoje, diversos modelos alimentares estão co-
existindo em um mesmo espaço/tempo. Em um mesmo restaurante, podemos ter acesso a comida vegana e nos alimentar com uma comida multiprocessada, estilo fast-food. A globalização desses processos e dos modos de alimentação possibilitam novas discussões sobre como é construída a relação entre a nossa identidade e a nossa alimentação. Os dilemas ligados ao que comemos e como comemos, estabelecimentos de dietas e a forma como adquirimos saúde e bem-estar através da alimentação são diferentes. A comida é um processo de experiência, onde podemos explorar muito além do sabor. Ativamos memórias, criamos relações e construímos mecanismos sociais
através dessa ação.

Para o antropólogo, as “etiquetas culinárias ainda falam muito sobre nós” porque elas determinam as estratificações sociais de cada público e dá as marcas formas de compreender o que pode ser trabalhado para vender seus produtos. Além das etiquetas, é válido ressaltar que as gerações também influenciam na construção de visões diferentes sobre a relação entre produtos, alimentos e a forma que isso é composto em sua identidade. Michel aponta que “geração ainda é um drive importante” nesse processo.

A geração Baby boomer, de pessoas nascidas entre 1946 a 1964, visa manter os
tradicionalismos sociais, que visa a fartura, seja financeira ou alimentícia. É uma geração que gosta da comida caseira e gosta, principalmente, de ostentar a quantidade de comida que ingere ou possuí. Suas relações pessoais sempre agregam um momento para alimentação. Um café, um almoço de domingo ou um encontro de amigos. comida passa a ter um valor social para aproximar as pessoas e assim, passam suas receitas caseiras de ‘geração em geração’ porque acreditam na força e o poder da alimentação.

Já a geração X, nascidos entre 1965 a 1979, é marcada, segundo Michel por uma
sociedade em que as “mulheres foram trabalhar e precisam dar conta de tudo”. Essa geração tem como objetivo de vida a praticidade. As marcas passaram a ganhar um novo status para esse grupo, elas não eram simplesmente a produtora, elas eram a simbologia de um compromisso social. Para essa geração não existe leite condensado, existe o “Leite Moça”. “A comida é marca, é praticidade”.

Nesse tempo, as mulheres tinham que ser grandes ícones no mercado de
trabalho, donas de casa, esposas e boas cidadãs. Não muito diferente de hoje, mas elas sofriam com a pressão de uma sociedade tradicional condicionada na outra geração, assim, elas se sentiam desacreditadas e por muitas vezes, culpadas por não estarem presentes no momento de preparo de alimentos para a família. Assim, a praticidade de produtos congelados, multiprocessados e outros ganharam os armários de cozinhas e tiraram um pouco deste peso dessas mulheres.

Os Millennials, ou a geração Y é composta por pessoas nascidas entre 1980 a
1994, que são os proponentes da Era da Internet. Para essa geração, a comida vai muito além da ideia de suprir as necessidades do corpo. A comida agrega o valor de experiência e ainda adiciona um estilo de vida. Os millenials não gostam de cozinhar, mas amam receber informações sobre o que comer e como comer. A comida é um ato público, que representa o seu método de vida e caracteriza elementos primordiais da sua identidade. Michel aponta que essa geração é a propulsora da “gourmetização dos alimentos”. É brigadeiro gourmet, é hot-dog gourmet, é um universo gourmet. Essa configuração altera as estratificações de relações sociais, em que a informação é primordial, mas a praticidade ainda é um fator preponderante para o consumo. É a geração que se apropria de programas culinários, que agregam valor à comida e às marcas que produzem estes alimentos.

E para a geração Z, dos nascidos entre 1995 a 2015, chegou em uma fase em que esperavam um mundo totalmente diferente. É a geração Smart, que têm internet, redes sociais e configurações de última tecnologia como ferramentas para encarar o mundo moderno. É uma geração que não teve o sucesso tradicional sobre recursos financeiros como à boomber, e que com o cenário atual de crise financeira mundial, sem grandes ascensões financeiras e profissionais, acaba por “ostentar comida”. Os jovens dessa geração pensam fora da caixa. Eles são, muitas vezes ansiosos, fãs de comidas rápidas e de marcas que representem suas identidades.

Michel aponta que a “comida é um conforto para essa nova geração”, que não
obteve sucessos semelhantes a outras gerações e busca, através de comidas, ostentar o que podem. Enfrentam filas de restaurantes famosos, integram a imagem da comida em suas redes sociais e constroem comportamentos que entreguem sensações para suas experiências. “O SUPERMERCADO É A NOVA DISNEYLANDIA DESSA GERAÇÃO. MARCAS AGREGAM VALOR E OS VALORES SÃO OSTENTADOS PELA GERAÇÃO Z”.

Tudo isso nos põe para refletir, como dito pelo sócio-diretor da Consumoteca.
“Será que estamos construindo um portfólio que atenda todos esses públicos?”. São diversas vertentes e comportamentos para contemplar e um vasto campo de exploração de mercado para conglomerar gostos, processos sociais e, principalmente, as formas de se alimentar de todas essas gerações.

Gostou desse conteúdo? Gostaria de entender melhor sobre esse e outros temas pertinentes à alimentação e mercado? Não perca a 10ª edição do BHB (Building Healthier Brands) FOOD, desta vez 99% digital, online e interativo! 

O evento ocorrerá nos dias 19 a 22 de outubro, das 10 da manhã as 12:00 horas. Evento dinâmico e com convidados que fazem diferença no mercado, pesquisa inédita e muita interação com os participantes. Garanta já sua inscrição GRATUITA aqui. #VAITERBHB2020

Notícias

Ler conteúdo completo
Indicados para você