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Bebidas alternativas ao álcool

Bebidas alternativas ao álcool

Desde que a Covid-19 obrigou a população a adotar o isolamento social como forma de prevenção, os hábitos das pessoas têm se modificado. Algumas dessas mudanças se referem ao aumento do consumo de álcool, visível logo na primeira semana de isolamento, em meados de março, quando supermercados do Rio de Janeiro registraram um crescimento de 20% nas vendas de bebidas alcoólicas, em relação ao mesmo período de 2019. Recente pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) confirma tal situação ao constatar que houve elevação de 38% na comercialização de bebidas alcoólicas nas distribuidoras e de 27% nas lojas de conveniências.

O Vinho, que é umas das bebidas mais procuradas, especialmente nessa época do ano, registrou um salto nas vendas de mais de 70%

Por outro lado, há quem diga que, na verdade, a compra de álcool não subiu, ao contrário, caiu, e o que teria se ampliado foi o consumo em casa, em consequência do fechamento dos bares e restaurantes. Com efeito, uma pesquisa da Associação Brasileira de Bebidas (ABRABE), mostrou que 61% das vendas desses produtos no país acontecem em bares e restaurantes. Logo, se esses estabelecimentos estão fechados, ou em retomada lenta fica explicado o porquê da expansão do uso domiciliar do álcool. 

Neste cenário, mercados especializados ganham território. É o caso da Evino, que verificou impulso de 19% na quantidade de garrafas de vinho vendidas, na comparação entre os meses de fevereiro e março do ano passado e de 2020. Já no e-commerce, o volume de pedidos cresceu 20%, com um incremento de 30% entre fevereiro e março deste ano.

O cuidado com o consumo de álcool

Para especialistas da área da saúde, esses dados são preocupantes. Associado ao momento de incertezas, o álcool pode funcionar como um “gatilho” para a tristeza e uma fuga, como explica a psicóloga Jaira Freixiela Adamczyk.

Com esta mesma preocupação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem orientando governos e empresas a reduzirem a venda de álcool durante a quarentena, pois a bebida, além de enfraquecer o sistema imunológico, estimula comportamentos violentos, a dependência e a depressão.    

Uma nova tendência

Se, por um lado, o consumo de álcool se fortaleceu, outro fenômeno também vem ganhando cada vez mais espaço no mercado: trata-se não só das opções alcohol-free de bebidas e drinks, mas também de bares que oferecem apenas bebidas sem álcool. Ainda pouco convencional, esta tendência é mais conhecida em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.

Bebidas como Kombuchá (que pode ser ou não alcoólica) também tomam um pouco desse espaço, sendo servidas em garrafas semelhantes às de cerveja, que trazem um contexto social para quem quer “beber” junto com amigos.

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria britânica CGA, a venda de cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool, no Reino Unido, avançou 28% de 2018 para 2019. Já a Associação Alemã de Produtores de Cerveja (DBB), afirma que uma em cada 15 cervejas vendidas no país não tem álcool.

Aqui no Brasil essa tendência é pouco conhecida. No entanto, um relatório da OMS, de setembro de 2018, aponta que o consumo de álcool caiu 800 mililitros por pessoa, ao ano, entre 2010 e 2016. Para corroborar com o relatório da OMS, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) demonstra que os rótulos de cerveja sem álcool saltaram de 70 para 700 nos últimos 10 anos. E a tendência é que o consumo de álcool diminua mais ainda. Existe uma proposta feita pela OMS para reduzir em 10% o consumo nocivo de álcool até 2025.

Mas é preciso ficar atento, pois nem todo produto que traz a inscrição “0% álcool” em seu rótulo é, necessariamente, sem álcool, uma vez que para ser considerado sem álcool a bebida deve possuir teor alcoólico igual ou menor que 0,5%.

Esse assunto tende a ganhar mais espaço, principalmente agora que chega ao Brasil a Heineken 0.0, de olho no consumidor que aprecia cerveja, mas não necessariamente os efeitos do álcool. A bebida surge com a promessa de propor novas ocasiões de consumo e maior equilíbrio no dia a dia.

Em uma ação de lançamento, a marca esteve presente em um cinema DRIVE-IN, mostrando que essa cerveja pode ser consumida por todos os adultos, até entre os que estão ao volante.

E qual a sua opinião sobre o futuro do mercado de bebidas alternativas ao álcool?

Opinião

BHB Food
Samantha de Macedo Basso
Samantha de Macedo Basso Seguir

Sócia diretora da Equilibrium, empresa com atuação no Brasil e LATAM, que desde 2001 ajuda indústrias de alimentos, bebidas, suplementos e bem-estar a construírem relações saudáveis com consumidores, influenciadores e colaboradores.

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