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Cannabis, Cânhamo, maconha e CBD: estamos prontos pra essa conversa?

Cannabis, Cânhamo, maconha e CBD: estamos prontos pra essa conversa?

Se ainda não estamos prontos para essa conversa, temos que nos preparar, pois o tabu da maconha virou oportunidade com o CBD, cannabis ou cânhamo que move bilhões.

 

mercado bilionário de cânhamo e CBD

O cânhamo e o CBD vêm atraindo a atenção do público em um contexto nacional e internacional, como ingredientes funcionais que oferecem diversos benefícios à saúde, da epilepsia à melhoria do sistema cognitivo.  .

Se a maconha ainda sofre alguns preconceitos pelo seu uso leviano em alguns países, na esfera científica sua versão em  produtos derivados da cannabis vêm movimentando um mercado robusto, com tendência de crescimento.

Entenda as diferenças entre cannabis, maconha e CDB:

 

Para quem não entende do assunto, os termos podem gerar confusão. Vamos esclarecer:

Cannabis: 

 

A Cannabis é um gênero de plantas originárias da Ásia, e possui em sua família diferentes plantas, como é o caso do cultivo da maconha e do cânhamo. 

Existem três tipos e cruzamentos de plantas do gênero Cannabis, são elas: sativa, indica e ruderalis. Cada variedade possui diferentes padrões de crescimento, olfato, paladar e efeitos, sendo utilizadas para distintas finalidades. 

 

 

Mas há quem considere que só exista a espécie Cannabis sativa, assim, a indica e ruderalis seriam subespécies da sativa. O pesquisador da planta e proprietário de uma consultoria agronômica para indústrias de cânhamo industrial e Cannabis medicinal, Lorenzo Rolim diz: “Através do sequenciamento genético nuclear, hoje sabemos que indica e ruderalis são subespécies da sativa. Elas possuem um mesmo centro de origem, mas que se adaptaram a diferentes regiões do mundo”.

A Cannabis sativa tem duas variações mais populares: a maconha e o cânhamo. Ambas tem como substâncias ativas o: o tetra-hidrocanabinol (THC), com efeitos psicotrópicos; e o canabidiol, mais conhecido por sua sigla CBD, cujos efeitos são medicinais. Aí está a diferença principal. Enquanto a maconha chega a ter 30% de TCH enquanto o cânhamo tem cerca de apenas 0,3% de TCH e também boa concentração de CBD. Por isso, o cânhamo é a fonte de extração do CBD para esta indústria em ascensão. 

Maconha:

É o nome popular da planta Cannabis sativa. A maconha possui diversos canabinóides, sendo os mais estudados o CBD e o THC, que são os compostos ativos da planta. O tetra-hidrocanabinol (THC) é uma das principais substâncias responsáveis pelos efeitos psicotrópicos da Cannabis.

A quantidade de THC presente na planta varia de acordo com condições climáticas  solo e estação do ano), e também quanto à espécie, podendo apresentar maior ou menor quantidade de THC em sua composição.

 

Cânhamo: versatilidade e qualidade nutricional

Cânhamo é uma cepa da espécie de planta Cannabis sativa que é cultivada especificamente para o uso como matéria-prima em produtos. Em sua composição há um baixo teor de THC.

Seu diferencial está em sua versatilidade, podendo ser utilizada em uma gama de produtos, desde roupas, papel, biocombustíveis e plásticos, até em cuidados com a pele, alimentos funcionais e suplementos alimentares. 

Por isso, entendemos o porquê dessa substância estar fazendo sucesso mundo afora, mas, para além disso, seu uso para fins nutricionais está sendo muito estudado atualmente. Segundo dados do USDA, as sementes de cânhamo são altamente proteicas: Trinta gramas dessa semente possui 9,46 gramas de proteína, quantidade semelhante à da soja, por exemplo. 

Além disso, as sementes de cânhamo apresentam todos os aminoácidos essenciais e também são fontes do ácido graxo alfa-linolênico (ALA), da classe de ômega 3. Elas ainda contêm vitamina E, magnésio, fósforo e potássio. 

 

CBD: um canabinóide não psicoativo

 

Assim como o cânhamo, o CBD é um produto com mercado em crescimento, entretanto, a seu respeito, existem menos informações. 

O canabidiol, mais conhecido por sua sigla CBD, é um dos ingredientes ativos da Cannabis sativa. Ele corresponde a um dos 114 canabinóides identificados nas plantas de Cannabis e é responsável por até 40% do extrato da planta.

Ao contrário do THC, que é responsável pelo efeitos psicotrópicos associados à Cannabis, o CBD não é psicoativo. 

O diferencial desse canabinoide está em seus efeitos medicinais. Evidências em uso médico apontam que o seu emprego é eficaz no tratamento de alguns sintomas da epilepsia infantil, como a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox-Gastaut (LGS). 

A indústria de alimentos e suplementos também vem estudando muito esse canabinóide como um ingrediente nootrópico, substância que tem o poder de melhorar as funções cognitivas e o desempenho mental em pessoas saudáveis. O CBD é utilizado em  diferentes produtos, como energéticos, bebidas alcoólicas, chás, pipoca de microondas… Enfim, uma infinidade de opções.

 

Como está o atual cenário do mercado global de CBD

Embora, no Brasil, este ainda seja um assunto em estágio inicial , mundo afora existem um forte enfoque científico  e mercadológico, como foi o caso do AHPA's Hemp-CBD Supplement Virtual Congress (Congresso Virtual de Suplementos de Cânhamo-CBD da AHPA - Associação Americana de Produtos de Ervas), um espaço para discussões sobre o mercado e as tendências para o  varejo de produtos de cânhamo e CBD.

A BDS Analytics, empresa de pesquisa de mercado de Cannabis, estima que o mercado atual de CBD seja de US$ 18 bilhões, incluindo todas as categorias, como produtos para pele e para , gêneros farmacêuticos e suplementos dietéticos. Além disso, a empresa prevê que o mercado legal de Cannabis atinja US$ 47 bilhões até 2025. 

Mesmo com a expansão do mercado, o cultivo de cânhamo deu um passo maior que a perna. Segundo Ian Laird, do grupo Hemp Benchmarks, empresa de pesquisa de mercado deste setor, a oferta de cânhamo cresceu mais rápido do que sua demanda, resultando, assim, em um excesso de matéria-prima. 

Com isso, os preços baixaram robustamente. O valor da biomassa de CBD caiu em até 84%, enquanto o óleo de cânhamo chegou a uma desvalorização de 94%. Em relação à safra de 2020, Laird prevê uma redução sensível dessa disponibilidade: "provavelmente ainda estamos com excesso de oferta, mas não tão dramaticamente como estávamos em 2019".

 

Qual o impacto da regulamentação de CBD no mercado?

 

Segundo Roy Bingham, cofundador e CEO da BDS Analytics, em 2019, 43% de todos os produtos de cânhamo e CBD vendidos foram comprados em dispensários. Entretanto, conforme a regulamentação sobre esses produtos evolua, certamente essa porcentagem mudará, pois novos canais de distribuição virão à tona.

 

As empresas do setor acreditam que a regulamentação federal poderia impulsionar significativamente os números de crescimento projetados. Bingham ainda observa que existem grandes empresas de alimentos e bebidas com produtos em desenvolvimento, e varejistas de canais de massa que comercializariam os produtos, entretanto, sem o apoio do FDA (Food and Drug Administration), nenhum deles avançará.

 

E no Brasil, como se dá este mercado de CBD?

 

Com uma população de mais de 200 milhões de pessoas, o Brasil é uma oportunidade de investimento atraente no mercado latino-americano. Por conta disso, várias empresas com produtos de CBD começaram a surgir no país com marcas próprias e parcerias internacionais. A questão regulatória no país anda devagar, mas já deu seu primeiro passo.

Em março de 2020, entrou em vigor a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que regulamenta a fabricação, a importação e a comercialização de produtos derivados da Cannabis para fins medicinais (RDC Nº 327), norma que foi aprovada em dezembro do ano passado. Entretanto, o plantio se mantém proibido no país.

Os produtos podem ser encontrados apenas em farmácias sem manipulação e em drogarias, e é obrigatória a receita médica. Além disso, eles devem ter teor de THC de até 0,2%.

Para solicitar a comercialização de produtos à base de Cannabis no Brasil, a empresa, nacional ou internacional, deve ter a autorização de funcionamento da Anvisa. Em caso de gêneros importados, será necessário comprovar sua legalidade no país de origem, identificando o documento da autoridade competente local.

O impedimento do cultivo de Cannabis no Brasil dificulta o desenvolvimento de uma indústria nacional mais forte, por questões de custo, e também de pesquisas com a erva, uma vez que é necessário a importação dos insumos. 

A respeito do assunto importação, o ex-integrante do Conselho Nacional de Drogas, Rodrigo Mesquita, comenta: “Isso terá impactos bastante perceptíveis no preço, pois os extratos brutos deverão ser importados para então serem fabricados aqui. Fica uma cadeia produtiva limitada e dependente de outros mercados, o que afeta o preço final e o acesso”.

Pudemos observar, então, que assim como em outros países, no Brasil, a questão regulatória é o principal fator limitante deste mercado de produtos com CBD. Entretanto, apesar das restrições, este setor está se desenvolvendo cada vez mais e faturando bilhões anualmente. 

Será, então, que é uma questão de tempo até as regulamentações ficarem mais flexíveis? Ou será que as regras ficarão mais rigorosas para esse mercado? Deixe sua opinião nos comentários!

Em breve traremos um conteúdo com exemplos de produtos alimentícios de fora do Brasil que já usam a Cannabis como matéria-prima. 

Opinião

BHB Food
Cynthia Antonaccio
Cynthia Antonaccio Seguir

Empreendedora especializada em Inovação em alimentos e marketing. Atualmente lidera, como Fundadora e CEO, a equipe da Equilibrium, empresa com atuação no Brasil e LATAM, que desde 2001 ajuda indústrias de alimentos, bebidas, suplementos e bem-estar.

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