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EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS NO MERCADO BRASILEIRO, TEMOS?

EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS NO MERCADO BRASILEIRO, TEMOS?

 

Uma das apostas para o futuro é um consumo consciente e sustentável, assim, o uso de embalagens na indústria também deverá ser repensado. Se temos alternativas sustentáveis? Sim, temos, poucas, em um mercado ainda engatinhando.

Conheça os tipos de embalagens alternativas e sustentáveis presentes no mercado brasileiro, e alguns outros exemplos internacionais também ao longo deste artigo.

 

O impacto ambiental gerado pelas embalagens de produtos de bens de consumo no meio ambiente incomoda e novas posturas serão cobradas pelo consumidor, principalmente os da geração Z - os que mais sofrerão com o que seus antecessores fizeram ao planeta. Pesquisas sobre o perfil de consumidores da Mintel, em 2019, projetam que, no futuro, a necessidade irá guiar a sociedade para comportamentos mais éticos. Diante da mudança climática e seus impactos, as pessoas estarão mais atentas aos seus comportamentos e valorizando atitudes que criem um mundo melhor.

 

É o que acredita também Fred Gelli, professor de design da PUC, CEO e Diretor Criativo da Tátil Design, agência de consultoria estratégica que constrói e gerencia marcas. Em entrevista para Webinar da Danone, Fred pondera acerca da sustentabilidade e o papel das empresas nessa temática: 

 

“As marcas são responsáveis pela construção de comportamentos, hábitos e podem gerar mudanças, assumir esse comportamento. A gente precisa mudar o comportamento humano para ter atitudes mais responsáveis. É preciso explicar, também, o porquê realizamos as mudanças, fazer elas entenderem o valor das coisas e que estamos numa luta juntos por uma causa nobre”.  

 

E falar em atitudes mais responsáveis inclui, dentro da indústria de alimentos, falar de embalagens mais sustentáveis, ou recicláveis ou ainda reutilizáveis. Dados do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, cerca de um quinto do lixo é composto por embalagens, o que corresponde cerca de 25 mil toneladas descartadas, que vão para depósitos de lixo todos os dias.

A ABRE, Associação Brasileira de embalagens, tem uma iniciativa chamada Caminhos da Sustentabilidade, totalmente voltada a esse desafio de forma colaborativa. Que tal contribuir por lá com sua ideia ou projeto? Eles trazem esse infográfico que inclui pontos de atenção para indústria nesse caminho da sustentabilidade:

 



 

Hoje, no Brasil, algumas soluções ainda estão mais focadas no foodservice ou no uso doméstico, mas já há iniciativas escaláveis. Confira e inspire-se para possibilidades no seu produto:

 

  • OKA biotecnologia: a empresa produz embalagens feitas com matéria-prima 100% brasileira e sustentável: a mandioca. Ela produz bowls, copos, colheres para degustação e outras opções customizadas. Além disso, seus produtos podem ser lacrados de maneira simples, apenas umedecendo a tampa e pressionando contra a embalagem. Veja o vídeo: 

  • Yamandu Eco: produz uma espécie de pano encerado, substituto do filme plástico, feito a partir de óleo vegetal, cera vegetal e tecidos de algodão de reuso. A marca afirma ser 100% vegana e artesanal, e informa que é ideal para embrulhar frutas, vegetais, lanches, castanhas, entre várias outras opções. Bruna Próspero Dani, co-fundadora da empresa, em conversa com a equipe BHB, afirma: “quando percebemos que é possível transformar um tecido, encerar e substituir o plástico, percebemos que dá sim para fazer coisas diferentes. Assim, a importância dos produtos yamandu eco é mostrar para as pessoas que é possível reinventarmos a forma como vivemos”. 

 

  • CBPak: a empresa também trabalha com a fécula de mandioca, produzindo embalagens biodegradáveis, que são um substituto para o isopor. Ela fabrica bandejas, copos e embalagens customizadas.

 

  • Braskem: a empresa é a maior produtora de resinas da América Latina, e vem investindo no desenvolvimento de plásticos a partir da cana-de-açúcar, denominados plásticos verdes. Ela possui uma unidade no Rio Grande do Sul voltada para esse tipo de plástico. “A gente imagina que a demanda pelo plástico verde vai crescer mais rápido do que a do plástico de origem fóssil (a partir do petróleo), e a gente avalia oportunidades de novos investimentos”, disse Edison Terra, vice-presidente da Unidade de Olefinas e Poliolefinas da Braskem na América do Sul.

 

 

Marcas do setor de alimentos, globalmente,  estão adotando medidas mais sustentáveis:

 

  • Gerber: produtora de alimentos para o público infantil, a empresa lançou as embalagens IncrediPouch. Ele apresentam um único material reciclável: o polipropileno. Elas se diferenciam das embalagens comuns que possuem alumínio entre o plástico para proteção contra oxigenação. Essa foi uma medida que a empresa estabeleceu para alcançar sua meta de tornar 100% de suas embalagens recicláveis ou reutilizáveis até 2025.

 

  • Yumpa:  a marca possui uma variedade de barras energéticas feitas com farinha de insetos, e foi a primeira do gênero na Europa a ter uma embalagem totalmente compostável, credenciada pela União Europeia. Ela ganhou um Prêmio Mundial de Inovação em Alimentos por Embalagem Sustentável no World Food Innovation Awards, em 2017.

 

 

  • Arla: a empresa europeia está, em seis países do continente, tornando sustentável mais de 1 bilhão de unidades de embalagens. ​​ Sua principal atuação é em caixas de leite e iogurtes, substituindo o plástico à base de fósseis pelo plástico de base biológica, derivado da cana-de-açúcar ou de resíduos florestais. 

Sabemos que a transição não é fácil: reciclado, biodegradável, compostável, enfim, uma série de materiais, soluções e cadeias que precisam ser testadas tecnologicamente e em viabilidade financeira. Sempre levando em conta que a  função de uma embalagem é garantir a segurança do produto e as características sensoriais do alimento.

 

Não podemos esquecer também das embalagens retornáveis. o que nos faz lembrar que a mudança muitas vezes esta na atitude e forma de pensar no processo, não necessariamente e somente na matéria-prima. 

A Coca Cola, por exemplo, em 2018, unificou o formato de suas embalagens de refrigerante retornáveis, deixando assim o processo mais barato e eficiente. 

Ainda temos também a chamada "logística reversa", com a qual trabalha o ILOG, Instituto de Logística Reversa, com a iniciativa do selo "EU RECICLO" com vantagens econômicas e ambientais  para as empresas que aderem.

 

Desafiador? Muito. Pode ser que não encontremos o mundo ideal e tenhamos que abrir mão de alguma coisa, como, por exemplo, da extensão do shelf life? Pode ser. O que não pode mais é, como indústria, ajudarmos a produzir um lixo tóxico para o  planeta, impactar o clima e a vida e continuarmos a fazer de conta que o problema não é nosso.

Se somos parte do problema, precisamos também ser parte da solução. 

Opinião

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