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Melatonina Dietética em Tempos de Pandemia

Melatonina Dietética em Tempos de Pandemia

Baseado na realidade atual na qual estamos enfrentando, o impacto da pandemia causada pelo Covid-19 na saúde mental provoca uma série de sinais e sintomas cada vez mais evidentes.

Por definição da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) "a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades", entretanto em tempos de pandemia sentimentos como o medo, ansiedade, angústia, estresse dentre outros sentimentos são gerados e afetam diretamente a qualidade vida dos indivíduos, podendo levar alterações imunológicas até mesmo em pessoas não infecctadas pelo coronavírus (RAONY et al., 2020). 

Conforme publicação no artigo da revista Frontiers in Immunology (2020) algumas medidas podem reduzir o impacto deste momento atípico à saúde mental, medidas como: o estreitamento de laços por redes sociais, hábitos de sono e alimentação saudável, são citados pelos cientistas que apontam ainda, o potencial da música para modular os níveis de citocinas inflamatórias e a resposta neuro-imune-endócrina ao estresse. 

Sabendo dos impactos provocados pela pandemia, a insônia e a má qualidade do sono são um dos fatores que podem entrar como consequência deste momento, sendo desencadeados por questões emocionais. Sendo assim, alguns produtos farmacólicos (ansiolíticos e hipnóticos) são utilizados para melhora dos sintomas do sono pobre em duração e qualidade. Porém, o uso a longo prazo destes produtos podem levar à efeitos adversos, tais como cansaço, amnésia retrógrada, cefaleia, ansiedade entre outros. 

A melatonina consiste em um hormônio produzido pela glândula pineal, uma glândula endócrina situada no Sistema Nervoso Central, por meio da conversão química do substrato serotonina, ela é secretada principalmente a noite (meia-noite) com a diminuição da luz solar e os níves de secreção tendem a diminuir gradualmente após esse horário(Silva,2020). O uso da melatonina no tratamento dos distúrbios do ritmo circadiano (popularmente conhecido como relógio biológico) já é estabelecido pela American Academy of Sleep Medicine (Academia Americana de Medicina do Sono), auxiliando pessoas com dificuldades ou distúrbios do sono a noite, melhora do humor, atividade antiinflamatória. Em relação às possíveis reações adversas, a melatonina apresenta bom perfil de tolerabilidade e segurança, quando comparado a outros farmacólicos. 

Presente também em plantas medicinais e alimentícias, a melantonina pode ser aproveitada através da dieta sendo sua concentração amplamente variável.  Assim, dado que " melatonina dietética é absorvida no trato gastrointestinal e transportada para a corrente sanguínea, a ingestão de alimentos medicinais e vegetais por mamíferos como fonte de melatonina pode ser concebida como um passo fundamental na modulação da melatonina sérico e, consequentemente, na promoção da saúde" (Cells, 2019). 

Conforme o artigo publicado pela revista Cells (2019), alimentos vegetais como o feijão, a cúrcuma, folhas da uva birmanesa, sementes de cardamomo, frutas como a gojiberry, banana, abacaxi, laranja são boas fontes de fitoteatonina que elevam os níveis de melatonina plasmática. Estas fontes dietéticas podem substituir ou agir de forma auxiliar a melatonina por via oral. 

A ANVISA recentemente (2021) aprovou o uso de Melatonina para formulação de suplementos alimentares, destinados a pessoas maiores de 19 anos de idade sob prescrição máxima de 0,21mg para consumo diário. A Melatonina sob forma de suplemento alimentar pode ser benéfico para muitos indivíduos, considerando que a procura tem sido grande em lojas de suplementação, farmácias e lojas de produtos naturais. Mais dados podem ser encontrados no documento da Anvisa na Análise de informações sobre segurança e eficácia da melatonina (2020).

Mesmo com tantos benefícios deve se ter cautela e ética dos profissionais ao prescrever e orientar sobre, para que o uso da Melatonina não seja banalizada ou feita de maneira indiscriminada. Além disso, essa administração deve ser de preferência sob prescrição médica ou de nutricionista quando em forma de suplemento alimentar.

A suplementação na maioria das vezes é considerada segura em diferentes dosagens, porém é importante salientar os possíveis efeitos adversos que podem ser provocados pelo uso dessa substância e as suas possíveis interações medicamentosas, podendo causar dores de cabeça, tontura e náuseas, principalmente em indivíduos acima de 55 anos de idade, conforme estudo de Vural et al em 2014. 

Dormir bem ainda é o melhor "remédio" além de ser um hábito que deve fazer parte da nossa rotina para que os dias difíceis se tornem mais leves e mais fáceis de lidar. Minimizando gradualmente as questões emocionais que nos assombram neste período de pandemia e pós-pandemia. 

 

Opinião

BHB Food
Gleice de Santana
Gleice de Santana Seguir

Graduanda em nutrição pela Universidade Católica do Salvador. Técnica de alimentos e bebidas pelo SENAI-Ba. Membro do Núcleo de Unidade de Alimentação e Nutrição da Universidade de Salvador (UNIFACS)

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