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O "resgate" das marmitas

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O estilo de vida mais procurado atualmente é aquele que prioriza o bem-estar e a saúde, sem abrir mão do sabor. Segundo o relatório QTrends 2020, só em 2017 foram gastos globalmente US$ 4,2 trilhões em bem-estar, sendo que US$ 702 bilhões somente no setor de alimentação saudável.

Entre as inúmeras medidas em busca de uma nutrição mais adequada, observamos o “resgate das marmitas”, a velha e boa comida caseira com saúde e pitadas de nostalgia daquele prato especial da família. É o que apontam dados do Ministério da Economia: crescimento de 134% nesse mercado de marmitas em apenas cinco anos, passando de 102,1 mil (2014) para 239,8 mil o número de empreendedores que vendem marmitas e comidas embaladas (2019).

Já os números do Sebrae indicam que essa tendência só deve aumentar, uma vez que em apenas dois meses, de novembro de 2019 a janeiro de 2020, foram registrados quase 3 mil novos MEIS (MICRO EMPREENDEDOR INDIVIDUAL)  voltados à produção de alimentos para consumo domiciliar, e esses dados são anteriores à pandemia! 

 

Marmitas que deram certo

Agora, como se destacar em um mercado tão concorrido e competitivo? Só o tempero da “quentinha”, como a marmita é chamada em algumas regiões do Brasil, não é mais o suficiente para atender às expectativas de parte desses novos consumidores, que buscam além de sabor, por segurança e origem de uma comida orgânica, equilibrada, que favoreça produtores locais, que tenha itens frescos e não processados, e por aí vai... 

Além dos microempreendedores individuais, o mercado conta com marcas que conseguiram se destacar nesse mercado. Escalando com a entrega da comida congelada, como é o caso da Liv up, uma startup paulista de marmitas saudáveis congeladas e saladas frescas. 

 

Além das porções individuais, recentemente LIV UP lançou uma marmita completa mesmo! Prato feito

A grande inovação da Liv up é a tecnologia utilizada na conservação dos alimentos. Trata-se do  ultracongelamento, que mantém a  estrutura celular do alimento intacta, preservando assim seu sabor e textura. A Startup já atende vários estados do Brasil. Eles receberam um investimento  90 milhões de reais, por um fundo de investimento americano 

Outro exemplo de empresa do ramo é a Pronto Light, que oferece marmitas para todos os gostos, não apenas o light. Ela desenvolve programas de alimentação com porções adequadas ao objetivo de cada consumidor, seja ganhar ou perder peso, por exemplo. Personalização é a uma das bandeiras mais fortes da marca. 

Na mesma linha está a Maria Cecilia Corsi Food Coach, que propõe o conceito de Nutrição Gourmet, mas com foco na reeducação alimentar. Isso tudo por meio  de um sistema de entregas semanais e troca de informações entre consumidores e restaurante.

Lucco Fit  é outra marca que evoluiu nos últimos tempos, recebendo investimentos da SAPORE, uma gigante da alimentação que viu na marca a possibilidade de estender sua atuação também ao varejo.  

Por fim, um modelo de negócio diferente, a Eats for you, aposta em um conceito inovador, uma espécie de “uber” da comida, com o slogan “comida de família”  simplesmente conecta, por meio de um aplicativo, pessoas que gostam de cozinhar com quem quer comer uma comida caseira.  A ideia beneficia as donas e donos de casa, microempreendedores que cozinham bem, mas que normalmente não sabem comercializar seus produtos. São refeições variadas, de todos os tipos, focadas em quem não tem tempo de prepará-las ou está cansado de restaurantes. Durante a pandemia, encabeçaram a ação “Faça o Bem”. A startup já doou mais de 16 mil refeições para moradores em situação de rua. 

 

Diferentemente de outros setores que viram seus lucros desabarem durante a pandemia do novo coronavírus, o mercado de marmitas não sofreu, mas teve que se adaptar bastante, priorizando agora os consumidores mais próximos, os vizinhos, e oferecendo pratos mais simples.

 

Desafios e oportunidades

A começar pela construção de uma marca forte, que não é missão simples, até os obstáculos de logística e entrega que vivemos hoje no Brasil, os desafios são muitos! Um dos maiores talvez seja a geração de lixo referente às embalagens. Como levantar a bandeira de uma comida saudável, que faz bem para você, se ela não é boa para o planeta?

Como oportunidades, o conceito clean label é quase que obrigatório para quem busca se destacar no mercado de marmitas. Em alta, ele pode ser mais facilmente alcançado por uma indústria de comida congelada do que por produtos processados. O importante é deixar bem explícito os ingredientes usados, e quanto mais claras e diretas forem as embalagens e rótulos dos produtos, melhor para o consumidor.

o ato de comer não é mais simplesmente ingerir alimentos. Comemos com os olhos, com a boca, com a alma, mas também, cada dia mais, com a consciência e, graças a ela, as pessoas se tornaram mais exigentes e demandam agora mercados sempre mais inovadores. O que será que esse segmento de alimentação saudável ainda nos reserva?

 

Opinião

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