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O que você conhece sobre Whole Food Innovation?

O que você conhece sobre Whole Food Innovation?

A crescente busca por alimentos saudáveis, junto à necessidade de praticidade do mundo moderno leva empresas a repensarem seus produtos. O conceito de whole food innovation traz uma alternativa à indústria convencional, sugerindo inovação a partir de ingredientes mais naturais e integrais. Já há multinacionais desenhando seus critérios nutricionistas com base nisso. É uma verdadeira revolução. Ficou interessado? No texto explicaremos tudo acerca do tema, vem com a gente! 

Já se sabe que o Brasil é o quarto país em vendas de produtos com claims “saudáveis”, segundo a Euromonitor 2019! Menor quantidade de gorduras, açúcares e sódio foi o principal direcionamento das grandes empresas, em particular para  atender ao chamado realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em seu report de 2003 - marco da história da indústria de alimentos. 

Entretanto, o consumidor espera que a indústria não pare por aí. E exige um passo além da redução de ingredientes críticos. Mas então, o que querem os consumidores? Pesquisas, como The Top 10 Consumer Trends for 2017, da Euromonitor,  mostram que 79% dos consumidores querem mais alimentos frescos e naturais. E mesmo nos grandes centros do Brasil o resgate de costumes tradicionais, como a preferência por alimentos locais, o hábito de cozinhar e de comprar do pequeno produtor, ou até mesmo ter de descascar frutas, também vinham ganhando força e tendem, após a pandemia do COVID_19, a tornarem-se ainda mais relevantes. 

No campo da ciência, o pesquisador Giorgy Scrinis, confirma este anseio do consumidor e faz uma recomendação para a indústria em seu artigo “Ultra-processed foods and the limits of product reformulation” - que traz o conceito do  WHOLE FOOD INNOVATION: "abandono da velha escola", que há anos foca na estratégia de maximizar ingredientes como vitaminas e minerais e minimizar os ingredientes-chave (açúcar, sal ou sódio e gorduras), pela implementação de uma inovação por meio de alimentos integrais. Sua proposta é substituir integralmente nas formulações os ingredientes refinados, extraídos e concentrados, comumente encontrados em produtos industrializados, por alimentos inteiros ou minimamente processados. 

Será que estamos vivendo uma busca por uma alimentação do passado, numa tentativa de resgatar nossa cultura, raízes e de nos reconectar? Será a consolidação da célebre frase de Michael Pollan - "Não consuma alimentos que sua avó não reconhecesse como alimento"- que influenciou milhares de nutricionistas e ativistas da comida?  

Por parte de alguns ativistas parece que sim. Mas atenção! Até mesmo Pollan considera idílica esta visão de que o passado é sempre melhor. E nos lembra que mesmo o pão, por mais artesanal e milenar que seja, não dá em árvores e sim passa por um grau de processamento. E é aí que pode estar um ponto de mudança estratégico: o de como o alimento é processado e quais os ingredientes que são incluídos na receita (e não simplesmente a "formulação", entende?)

Este é um ponto de inflexão ou reflexão para a indústria de alimentos que quiser permanecer inserida no contexto alimentar para entender e atender um novo consumidor, que se fragmenta em muitos nichos, segmentos que, juntos, formam uma potencial massa precoce* jamais vista antes. (*nome dado a um dos quadrantes de consumidores desenhados pela Equilibrium com a The Health marketing team). 

 

  COMO ANDA ADESÃO À INOVAÇÃO?

A aplicação de ingredientes in natura, como grãos inteiros, castanhas, sementes, frutas, vegetais, leite, etc. tem ganhado força de indústrias menores, mas também já faz parte dos critérios nutricionais de gigantes como a General Mills. Isso acontece porque não só os dados mostram um consumidor em busca por um estilo de vida mais saudável, mas também devido às iniciativas políticas de ativistas em promover uma alimentação mais sustentável para a população e para o planeta. Um marco foi o Guia Alimentar para a População Brasileira, em 2014, e a nova classificação dos alimentos em processados, minimamente processados e ultraprocessados - incentivando a indústria rumo ao whole food innovation.  No entanto, outras iniciativas em prol de minimizar nutrientes críticos já vinham sendo realizadas por meio de regulamentação, cobrança de impostos (caso do México), restrições de publicidade e parcerias público-privadas voluntárias, ações que, segundo o governo, visam incentivar a indústria a qualificar seus produtos.

 

NA PRÁTICA, COMO FUNCIONA ? 

O whole food innovation: nessa estratégia, o alimento é o foco e não os nutrientes, substituindo-se ingredientes processados por integrais e não processados, conferindo ao produto características mais "naturais" e com os benefícios intrínsecos que estes alimentos têm para a saúde! Aqui também se evita adicionar alguns aromas, aditivos  ou conservantes artificiais, além de serem acrescentados os alimentos in natura citados acima. 

  • Limitação de nutrientes críticos: alguns nutrientes são limitados até certa quantidade, sendo os principais: açúcar, sódio, gorduras totais, gorduras trans e energia total. Esse tipo de estratégia é considerada como uma redução de danos, segundo Giorgy Scrinis.

  • Adição de nutrientes positivos: é a adição de nutrientes que, segundo estudos científicos, conferem benefícios à saúde mas não necessariamente possuem a certificação brasileira pela ANVISA, como vitaminas, fibras, gorduras poli-insaturadas, fitoquímicos, probióticos, entre outros.

 

QUAIS OS IMPASSES?

O custo para a produção pode ser mais caro pela utilização de matéria-prima de maior qualidade, e também pelas tecnologias associadas para garantir um produto saboroso ao final do processo industrial.

Com a elevação do preço, o produto pode não ser acessível, principalmente para consumidores de baixa renda. 

No BHBFood cast, em conversa com Luiz Silva, CEO da NOTCO no Brasil, foi levantada a questão tributária para produtos plant based. Por exemplo, assuntos políticos e de lobby que ainda precisam avançar muito no Brasil.

EMPRESAS QUE JÁ TRABALHAM COM WHOLE FOOD INNOVATION

  • Whole Foods Market: começou pelo varejo, é uma rede de supermercados que trabalha apenas com alimentos posicionados como saudáveis. Ela é uma das primeiras neste ramo de inovação, alega que seus produtos não possuem gorduras hidrogenadas, xarope de milho, adoçantes, sabores, cores e conservantes artificiais. Traz também uma grande lista de produtos orgânicos e cereais e grãos a granel. A empresa foi fundada nos Estados Unidos e se expandiu para outros lugares do mundo, como Canadá e Inglaterra.

  • Bright Foods: lançou, na Califórnia, barras de alimentos integrais (Bright Bars) refrigeradas. Cada Bright Bar é certificada como orgânica e é feita com frutas e legumes inteiros (exceto cascas e caroços), maximizando a quantidade de fibras contidas no produto.  Chia, coco e laranjas secas mantêm as barras unidas, para substituir o uso de estabilizadores, gelificantes ou gomas. O alimento também passa por HPP (High Pressure Processing), uma técnica pela qual os produtos, já selados em sua embalagem final, são submetidos a um alto nível de pressão. Esse processo é feito para maior preservação do alimento e manutenção do sabor original.  

  • Nature Heart: esta companhia já está no Brasil. Produz alimentos plant-based, sem adição de açúcares, corantes e aromas artificiais. Seus ingredientes são apenas alimentos naturais. A empresa vende bebidas vegetais e snacks saudáveis.

  • Startups: Há várias startups com foco no whole food innovation e serão abordadas em nosso canal de  lançamentos. 

 

No entanto, sabemos que a praticidade é um ponto crucial na vida corrida do consumidor dos grandes centros.  Isso cria uma abertura para a categoria de snacks e refeições prontas que tragam no cerne de sua inovação o Whole food innovation, mostrando uma adaptação das empresas ao novo cenário emergente. O desafio é o custo. Mas quem disse que seria fácil?

 

Confira o IGTV de Cynthia Antonacio sobre Whole Food Innovation:

 

 

 

Opinião

BHB Food
Cynthia Antonaccio
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Empreendedora especializada em Inovação em alimentos e marketing. Atualmente lidera, como Fundadora e CEO, a equipe da Equilibrium, empresa com atuação no Brasil e LATAM, que desde 2001 ajuda indústrias de alimentos, bebidas, suplementos e bem-estar.

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