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Principais tendências em saúde para o mercado lácteo em 2022

Principais tendências em saúde para o mercado lácteo em 2022

 

 

O mercado lácteo, embora seja bem consolidado, passa por dificuldades nos tempos atuais. Os números de 2020 foram bons, com produção recorde no país de 25,53 bilhões de litros, segundo pesquisa trimestral do Leite/IBGE. 

Porém, com a chegada de 2021, o anuário do leite da EMBRAPA mostrou desaceleração no consumo, quedas nos preços de leite e derivados e incrementos nos custos na produção. 

 

Ainda em 2021, as vendas da indústria de leite longa vida diminuíram 3,5%, produzindo 6,7 bilhões de litros, e com a receita do segmento em R$ 23 bilhões segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV). Suprindo sua projeção de consumo estimado em 6,5 bilhões de litros para 2021.  

 

 

 

E para 2022? O cenário econômico ainda não é dos melhores e alguns desafios como o cima, safras dos grãos, oferta e preços internacionais, poder de compra das famílias brasileiras, produtos plant-based ganhando cada vez mais espaço também vem à tona...  

 

Como lidar com todos esses fatores? Será que há espaço para todos? Marcelo de Carvalho, CEO da MilkPoint, em entrevista para o BHB FoodCast acredita que sim. Porém, explica que o mercado há de se reinventar! 

 

E como trilhar um caminho de sucesso? Veja abaixo as principais tendências no mercado lácteo: 

 

Principais tendências para o mercado lácteo em 2022 

 

  1. SUSTENTABILIDADE NO MERCADO LÁCTEO 

 

Não há como negar que a sustentabilidade é a pauta do momento. Segundo Richard Cope, consultor global de macro tendências em Webinar da Mintel de 2021, diz que os consumidores brasileiros priorizam as questões ambientais em torno de seu bem-estar, como a escassez de água, qualidade do ar, desmatamento e mudanças climáticas. 

 

Ou seja, eles buscam por produtos que se importem com o meio ambiente e que não os prejudique. Nessa frente, o mercado lácteo precisa se atentar, principalmente a sustentabilidade social e ambiental.  

 

Além de trazer melhorias significativas para a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, algumas práticas adotadas no processo de produção do leite, como sistema de pastagem rotacionado e o tratamento de resíduos, também pode colaborar com melhorias a produção e ao manejo dos animais 

 

Por outro lado, um sistema de produção de leite não sustentável causa inúmeros problemas ambientais, como degradação dos solos, erosão e aquecimento global, afetando diretamente os meios de produção. 

 

Nessa frente, o mercado lácteo precisa se atentar, principalmente a sustentabilidade social e ambiental: 

 

Sustentabilidade Social: Marcelo, CEO da MilkPoint, explica que a produção se reinventou, e hoje há menos produtores de leite fabricando uma maior quantidade de produto. Com isso a sustentabilidade social poderia ficar comprometida, visto que a distribuição de renda é menor. 

 

E Ana Paula Gilsogamo, analista sênior da Mintel no Brasil, mostra que 67% dos consumidores brasileiros concordam que vale a pena pagar mais por um produto de uma empresa socialmente responsável. Será então um problema? 

 

Entretanto, Marcelo, em entrevista ao BHB Foodcast, diz que o leite é uma atividade intensiva em mão de obra, e isso faz com que se empregue muitos brasileiros, reduzindo o impacto social.  

 

Ademais, o aumento de produtividade leva a um aumento da eficiência na pegada de carbono, pois é produzido menos gás efeito estufa por litro fabricado. 

 

Sustentabilidade ambiental: Em países desenvolvidos, a sustentabilidade na cadeia de produção e bem-estar animal é a pauta número um, pois ela é o que vai determinar o acesso ao mercado, sendo um assunto discutido há mais de 15 anos. 

 

Já no Brasil, a sustentabilidade na cadeia de produção de lácteos é um tema novo sendo pesquisado pela Embrapa atualmente, e já pode ser visto, por exemplo, na integração do leite com atividades como: biogás que gera energia a partir do esterco da agricultura. Assim como a agricultura regenerativa, que é utilizada pela 11ª maior fazenda produtora de leite no país. 

 

Além disso, especialistas da Embrapa e dirigentes de empresas parceiras, como Minerva, Nestlé e Marfrig, debateram a importância e os desafios da descarbonização dos sistemas de produção de bovinos de corte e de leite e o desenvolvimento de mercado para produtos obtidos em processos de redução de emissão de carbono no painel na Arena Embrapa de Inovação, durante a terceira edição da Anufood Brazil. 

 

 

 

Entre as ações apresentadas pela Embrapa, um dos destaques é o projeto de leite de baixo carbono em parceria com a Nestlé. A atividade leiteira da marca responde hoje por 30% das emissões de carbono da companhia nas operações da Nestlé Brasil.  

 

Entretanto, para redução dessas emissões, uma das ações é o programa “Nature por Ninho, o Amor que Regenera” voltada aos mais de 1,5 mil produtores de leite fornecedores da Nestlé em todo o Brasil. 

 

O programa integra o trabalho da companhia no pilar de agricultura e pecuária sustentáveis, com um olhar para questões como o bem-estar animal, emissões e mudanças climáticas e uso de água nas propriedades. 

 

Esse ano, a Nestlé também divulgou seus compromissos em sustentabilidade no Brasil, que incluem planos para um futuro regenerativo. O compromisso global é neutralizar as emissões de suas operações, incluindo cadeias de fornecimento, até 2050, com metas intermediárias de redução de 20% até 2025 e de 50% para 2030.  

 

No Brasil, são três pilares rumo à meta climática global: agricultura regenerativa, gerando impacto positivo por meio das principais cadeias fornecedoras, com foco em conservação, reabilitação e aumento de produtividade; circularidade, reduzindo e eliminando desperdícios em toda a cadeia de embalagens; e bioeconomia, valorizando os biomas brasileiros e suas comunidades por negócios sustentáveis. 

 

Sustentabilidade no mercado de lácteos x bebidas vegetais 

 

Um dos pontos positivos  das bebidas vegetais é a sustentabilidade, principalmente relacionada ao uso de água, denominada pegada hídrica. 

 

Enquanto para produzir apenas um litro de leite são necessários mais de 1.000 litros de água segundo a ONG Water Foot Print, as bebidas vegetais não chegam nem perto disso. É o caso da aveia que foi intitulada a queridinha da sustentabilidade, utilizando menos de 40 litros para produção de um litro, segundo o estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra. 

 

Neste mesmo estudo, também foi visto que a produção de um copo de leite de origem animal gera quase três vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que qualquer alternativa vegetal.  

 

Olhando para o uso de água na produção, o leite de amêndoa requer mais água para sua produção do que soja ou aveia. Um copo de 200ml demanda 74 litros – mais do que a quantidade gasta em um banho de chuveiro padrão. Já o leite de arroz demanda 54 litros de água na produção para resultar em um copo de 200ml. 

 

No entanto, tanto a bebida à base de amêndoa quanto à de arroz ainda precisam de menos água na produção do que um copo de leite de vaca. 

 

 

 

 

 

Hoje existem variados tipos de bebidas alternativas ao leite animal, que podem ser obtidas a partir de cereais, castanhas, leguminosas e oleaginosas, como aveia, arroz, milho, soja, amendoim, amêndoas, coco… que representam aproximadamente 14% de todo o mercado de leite americano atualmente, segundo Plant Based Foods Association.  

 

E aqui no Brasil, conforme divulgado pelo Milkpoint em 2018, houve um crescimento de 51,5% do mercado de bebidas vegetais no país, com destaque para bebidas produzidas a partir de arroz, aveia, coco e amêndoas. 

 

Qualidade nutricional do leite x bebidas vegetais 

 

De um lado, as alternativas vegetais apresentam pontos muito fortes, como a sustentabilidade e ausência de exploração animal, por outro, a questão do clean label, naturalidade, semelhança nutricional e sabor são comprometidas.  

 

Marcelo de Carvalho, CEO da MilkPoint, afirma que muitas das alternativas vegetais são feitas em laboratório, e isso é contra a tendência de naturalidade. Um leite de vaca que teria dois ou três ingredientes passa a ter uma lista enorme de substâncias. 

 

Em contrapartida, Gus Guadagnini, Managing Director no GFI (The Good Food Institute Brasil) afirma que nem todo ultraprocessado é ruim, e que se a lista de ingredientes, embora grande, for de ingredientes conhecidos, não há problemas no consumo. 

 

Olhando a qualidade nutricional, o leite de vaca é um alimento extremamente nutritivo, possui principalmente proteínas, gordura e cálcio. 

 

Já as bebidas vegetais divergem muito entre o tipo de matéria prima utilizada para produção. Aquelas produzidas a partir de cereais, como arroz e milho tendem a ter baixo valor proteico, assim como pouco cálcio. 

 

Enquanto as bebidas vegetais feitas a partir de leguminosas, como soja e ervilha, tendem a ter boas quantidades de proteínas, mas também baixos valores  em cálcio.  

 

Assim, para que as bebidas vegetais se assemelhem ao leite de vaca, muitas vezes é adicionado proteínas veganas, e enriquecedores como cálcio, vitamina D e vitamina B12, e só assim tendem a ser consideradas substitutas aos leites UHT. 

 

2. IMUNIDADE 

 

Desde que surgiu a pandemia, o tema IMUNIDADE ganhou muito destaque. O Google Trends Brasil mostrou que a busca pela frase “como aumentar a imunidade” cresceu 130% entre fevereiro e maio de 2020. 

 

De acordo com a Innova Consumer Survey em 2021, 6 de cada 10 consumidores no mundo estão buscando alimentos e bebidas para aumentar a sua imunidade. 

 

E essa é uma grande oportunidade para o mercado lácteo, sendo um veículo para prebióticos, probióticos e simbióticos, atuando na saúde intestinal, beneficiando a microbiota, e resultando em melhorias de problemas metabólicos, controle de peso, melhoria da imunidade e bem-estar emocional.  

 

Com a imunidade em alta, alguns produtos foram surgindo no mercado: 

 

CASES NACIONAIS 

 

  • Bebida láctea:  é resultante da mistura do leite e soro de leite, adicionado ou não gordura vegetal, leite fermentado, fermentos lácteos e outros produtos lácteos. 

 

O imuno day, da marca Piracanjuba, é feito com beta-glucana de levedura, um fermento lácteo. Adicionado também de outras substâncias associadas a imunidade, como vitamina C, B12 e vitamina D. 

 

 

 

  • Probióticos: são microrganismos vivos que se multiplicam na microbiota intestinal e quando em quantidades adequadas, promovem diversos benefícios à saúde do hospedeiro. 

 

 A Activia, da Danone, possui um iogurte que combina leite e fermento com os probióticos de Activia.  

 

 

 

CASES INTERNACIONAIS 

 

Probióticos: Na Argentina, o yogurísimo, da DANONE, conta com um iogurte natural, com probióticos naturais, cálcio, proteínas e vitaminas, isento de glúten e sem adição de açúcares, sem conservantes ou corantes.  

 

 

 

No Japão, existe um Iogurte japonês que apresenta além dos probióticos, os pós-bióticos e parabióticos para trabalhar a imunidade.  

 

O parabiótico utilizado é o Lactobacillus plantarum HK L-137, e a fabricante afirma que tem benefícios para a imunidade e potencial de prevenção ou redução da duração de um resfriado comum, além de conter 100% do valor diário de vitamina C indicado e oxidantes. 

 

 

 

3. O PODER DAS PROTEÍNAS 

Com a mudança de comportamento do consumidor durante o período de pandemia,  aumentou cada vez mais a procura por produtos que auxiliem na saúde, além da necessidade de perda de peso, os lácteos, em especial, os lácteos funcionais, se destacam oferecendo proteínas, além de outros nutrientes funcionais. 

 

E realmente os consumidores procuram pelas proteínas nas embalagens. No estudo do Brasil Food Trends em 2020, foi visto que 25% dos consumidores que olham as embalagens procuravam a quantidade de proteínas nos produtos. 

 

Nessa tendência das proteínas, também entram os consumidores esportistas. Tudo indica que a alimentação esportiva é um nicho de mercado que continuará trazendo oportunidades de negócio nos próximos anos, principalmente as proteínas do leite, especialmente as do soro, também conhecidas como WHEY PROTEIN, segundo Brasil Food Trends. 

Por fim, as proteínas, em destaque o Whey Protein, também alcança a 3ª idade. Foi visto que esse ingrediente desacelera o declínio muscular relacionado a idade, beneficiando a saúde e bem-estar dos idosos. 

 

E por isso as bebidas lácteas adicionadas de Whey Protein se encaixam muito bem nesse segmento. É o caso das bebidas lácteas como o YOPRO, da Danone: 

Seu sucesso foi tanto que lançaram até a versão de 1 litro: 

 

E a versão Pouch também, pensando em cada momento do dia do consumidor: 

 

  

Mas também existem outras marcas. Sua principal concorrente neste segmento é a Piracanjuba: 

 

 

 

Que também tem a versão de 1 litro: 

 

 

Mais recentemente, a marca Tirolez também entrou neste mercado, lançando a linha Nutri + Whey: 

 

 

 

Desafios para o mercado lácteo em 2022: 

 

Não há dúvidas que o setor lácteo está passando por grandes desafios,  e com eles surge a possibilidade de inovar e se reinventar, navegando nas tendências ou fazendo um mix delas. 

 

Em grande parte, o consumo de leite vem sendo relacionado aos produtos derivados, como queijo, iogurtes e bebidas lácteas, sendo talvez um determinante para os próximos lançamentos.  

 

Pensando nas bebidas vegetais, a categoria de leites e derivados só teria um risco real de ameaça se o diálogo ambiental e bem-estar animal não forem reestruturados, e se o custo da produção de bebidas vegetais ser tão barateado ao ponto da população de baixa renda ter acesso a esses produtos. 

 

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