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Alimentos e Suplementos para Imunidade: oportunidade ou oportunismo?

Alimentos e Suplementos para Imunidade: oportunidade ou oportunismo?

Desde que o novo coronavírus surgiu, o claimde imunidade provocou uma corrida global na indústria de alimento e suplementos por ativos nutricionais que tornem o  organismo humano mais resistente.

 

Enquanto cientistas do mundo todo elaboram pesquisas para neutralizar os efeitos do vírus, as pessoas, isoladas, buscam soluções caseiras e, sem o conhecimento técnico, buscam ao menos  alcançar uma sensação de proteção. 

 

Tal efeito pode ser visto na internet: de acordo com o Google Trends Brasil, a busca pela frase “como aumentar a imunidade” cresceu 130% entre fevereiro e maio de 2020. 

 

Essa procura por medidas preventivas para evitar o contágio fez também com que produtos associados, de alguma forma, com o aumento da imunidade desaparecessem das farmácias. É o caso da Vitamina C, que só no estado de São Paulo teve um aumento nas vendas de 198% nos meses seguintes à declaração de pandemia pela OMS. Outro exemplo, a venda de Vitamina D (mesmo com dados científicos ainda inconclusivos e controversos que atestem sua relação com a imunidade) cresceu 23%, de acordo com dados da IQVIA de abril 2020. 

 

Vitaminas e suplementos sempre tiveram uma boa performance no e-commerce, e isso só cresceu na atual situação. No Mercado Livre, por exemplo, as vendas de suplementos alimentares como um todo se mantiveram aquecidas e, segundo dados divulgados pela própria plataforma, essa foi a terceira categoria campeã em vendas nos meses de março a julho, perdendo apenas para os itens de proteção, como máscaras, luvas, e álcool em gel. 

De acordo com a pesquisa feita no Brasil pela Mintel, entre 28 de maio a 15 de junho de 2020, 51% dos entrevistados afirmaram que, devido à COVID-19, “comer de forma saudável” passou a ter maior prioridade. 

 

Essa preocupação toda também dá espaço para outras questões importantes: o impacto das fake news e a automedicação. Desde que diversas regiões do Brasil entraram em isolamento social, surgiram inúmeras receitas milagrosas com a promessa de cura do novo coronavírus. Nas trocas de mensagens pelo whatsapp vimos a propagação de soluções de proteção que vão desde o alho cru até o uso de sauna e bebidas alcoólicas: “uma tentativa desesperada das pessoas resolverem qualquer tipo de sintoma” aponta Marco Fiaschetti, diretor-executivo da Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag). 

 

O crescimento da demanda por produtos que melhorem a imunidade exige uma reflexão mais profunda sobre o tema. Afinal, o que é imunidade? É possível medi-la? Existem, de fato, nutrientes capazes de melhorar ou aumentar a imunidade do nosso corpo?

 

Não há no corpo humano um órgão ou outro elemento chamado imunidade. O que temos é um sistema imunológico que produz a imunidade.  

 

Esse sistema é formado por um conjunto de células, tecidos, órgãos e moléculas fabricadas na medula óssea vermelha, com a finalidade de eliminar agentes estranhos e, assim, manter a homeostasia do organismo.

 

Desta forma, quando em contato com organismos infecciosos, o sistema imunológico é ativado para o ataque, gerando respostas específicas. Na ausência de um sistema imune funcional, infecções leves podem sobrepujar o hospedeiro e levá-lo morte.

Relação entre alimentos e imunidade

O conhecimento acerca da inter-relação entre tipos de alimentos e imunidade surgiu na década de 1970, quando testes imunológicos começaram a ser usados como componentes da avaliação do estado nutricional. Com efeito, a ingestão de alguns nutrientes é fundamental para a manutenção e fortalecimento da produção da imunidade, mas não quer dizer que quanto mais se ingere determinado alimento, mais se adquire imunidade, como circula no imaginário popular. 

 

Uma alimentação pobre, pouco variada ou insuficiente em volume e calorias, reduz as funções das células T, além de comprometer a fagocitose, a resposta citocínica, a produção de anticorpos e afinidade antígeno-anticorpo.

 

Veja quais são os alimentos ou nutrientes que são vistos como protetores ou fortalecedores da imunidade, e outros que podem trazer um benefício, mas não são diretamente associados:

Zinco: possui funções biológicas catalíticas, estruturais e regulatórias, ou seja, diversas enzimas no nosso organismo dependem do zinco para serem catalisadas.

Vitamina C: é essencial para os seres humanos, pois age como antioxidante e varredor de radicais livres, nutrindo assim as células e protegendo-as de danos causados por esses elementos.. 

Probióticos: organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro, uma vez que equilibram a microbiota intestinal, seja introduzindo micro-organismos inexistentes ou adequando a proporção dos já existentes.

Ervas: Como o guaco, por exemplo, que tem certa atividade anti-inflamatória, antialérgica e antibacteriana.

Gengibre: Segundo a fitoterapia, ajuda a combater o estresse oxidativo e os níveis de inflamação.

Alho: pela presença da alicina, fitoquímico com ação bactericida, que melhora nossa resistência aos microorganismos.

 

Marcas realçam propriedades imunológicas dos seus produtos -ALGUNS CASES GLOBAIS

 

Antes de falar do mundo, aqui no Brasil algumas marcas também aproveitaram a “onda” e não mediram esforços para turbinar suas vendas, realçando as propriedades imunológicas de seus produtos. 

Mas será que, de fato, todos esses produtos estão entregando algo que possa ter um impacto na imunidade das pessoas?

 

Enquanto diversas marcas se apresentam com soluções de curto prazo, a tendência é outra: as pessoas querem suprir suas necessidades individuais em função de seu perfil genético e metabólico, a fim de manter um estado ótimo de saúde. É o que destacaram estudos realizados por Fenech e publicados no Journal of Nutrigenetics and Nutrigenomics. 

 

Ou seja, não basta criarmos produtos com um mix de vitaminas e minerais e estamparmos a palavra “imune” no rótulo. Precisamos ter sempre em mente que devemos ofertar suplementos alimentares que contribuam para a saúde integral das pessoas, e que eles devem ser consumidos com regularidade, pois não são medicamentos, além de estarem alinhados com um estilo de vida saudável, que envolve corpo, mente e até espírito. 

 

É a chance das indústrias focarem no que realmente importa: a saúde sob um ponto de vista mais completo, a atual saúde integrativo, para se tornarem aliadas de seus consumidores, com uma prestação de serviços nesse sentido. Cedereder à tentação imediatista de acrescentar vitamina C a uma fórmula de prateleira e focar na comunicação da imunidade formam o caminho mais curto e rápido. Mas para ser sustentável e promissor teremos que ir além. 

 

Vamos aproveitar as oportunidades, com uma visão de futuro! Conte comigo para ajudá-lo nessa missão.

Opinião

BHB Food
Cynthia Antonaccio
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Empreendedora especializada em Inovação em alimentos e marketing. Atualmente lidera, como Fundadora e CEO, a equipe da Equilibrium, empresa com atuação no Brasil e LATAM, que desde 2001 ajuda indústrias de alimentos, bebidas, suplementos e bem-estar.

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