Alimentos à base de plantas voltam a crescer no Reino Unido

Os alimentos à base de plantas voltaram a registrar crescimento no Reino Unido após alguns anos de retração. Dados da consultoria Nielsen citados pela rede varejista Tesco indicam que a categoria de produtos vegetais refrigerados cresceu em volume no último ano, sinalizando recuperação gradual do setor.
Segundo o levantamento, as vendas nos supermercados britânicos avançaram cerca de 1% em 12 meses. O ritmo aumentou para 1,7% nas últimas 12 semanas até 28 de dezembro de 2025, reforçando sinais de retomada da demanda por alimentos à base de plantas.
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De acordo com a Tesco, a recuperação está ligada a mudanças no comportamento do consumidor. Em vez de depender exclusivamente de substitutos ultraprocessados de carne, parte do público passou a priorizar ingredientes vegetais naturais e o preparo de refeições em casa.
Nesse movimento, cresceu a procura por proteínas vegetais tradicionais e alimentos minimamente processados.
Entre os destaques do último ano estão:
- aumento de quase 25% na demanda por carne moída vegetal
- crescimento de 12% em proteínas vegetais como tofu, tempeh e seitan
- avanço superior a 5% em snacks vegetais, incluindo falafel e mini salsichas
A tendência indica uma mudança no perfil de consumo dentro da própria categoria de alimentos à base de plantas, com maior valorização de ingredientes integrais.
Proteínas vegetais integrais impulsionam retomada
Segundo Bethan Jones, compradora da categoria de alimentos à base de plantas da Tesco, o setor começa a entrar em uma fase mais consolidada.
“Estamos começando a ver os primeiros sinais de recuperação no setor, à medida que mais consumidores colocam saúde e bem-estar no centro das suas escolhas alimentares”, afirma.
Para a executiva, alimentos de origem vegetal passam a ser incorporados como parte permanente da alimentação, e não apenas como uma experiência ocasional.
Feijões, lentilhas, grão-de-bico, tofu e grãos integrais aparecem entre os ingredientes que impulsionam essa nova fase da categoria.
Setor busca maturidade após fase de hype
O movimento de alimentos à base de plantas ganhou força no fim do século XX e início dos anos 2000, impulsionado pela busca por alternativas à carne e pela crescente preocupação com sustentabilidade.
Nos últimos anos, porém, pressões econômicas e a redução do interesse de consumidores ocasionais desaceleraram o crescimento da categoria em vários mercados.
Os novos dados indicam uma fase de ajuste, com foco maior em alimentos naturais e menos dependência de substitutos industrializados.
Esse diagnóstico também é compartilhado por empresas e organizações do setor. A marca britânica Gosh! relatou crescimento nas vendas de produtos vegetais naturais, enquanto a The Vegan Society avalia os números como sinal de resiliência da categoria.
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Implicações para a indústria de alimentos
A retomada dos alimentos à base de plantas no Reino Unido sugere uma mudança estrutural no posicionamento da categoria. Em vez de depender apenas de inovação tecnológica em substitutos de carne, o mercado passa a valorizar ingredientes simples e receitas tradicionais.
Para a indústria de alimentos e bebidas, o movimento aponta oportunidades em proteínas vegetais integrais, produtos culinários e soluções voltadas ao preparo doméstico — segmentos que podem sustentar o crescimento da categoria nos próximos anos.
Fonte:Vegconomist
Imagem: Tesco / Reprodução Vegconomist




