Refrigerante do soro do leite transforma resíduo em bebida

O refrigerante do soro do leite é uma bebida gaseificada desenvolvida por pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e da Universidade Federal de Juiz de Fora. Produzido a partir do soro gerado na fabricação de queijos, o produto busca transformar um subproduto da indústria láctea em bebida nutritiva, com potencial de reduzir impactos ambientais e gerar valor para o setor.
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O projeto, ainda em fase de validação em Minas Gerais, propõe uma alternativa ao refrigerante tradicional ao substituir parte do açúcar por proteínas e minerais naturalmente presentes no soro do leite.
Refrigerante do soro do leite aproveita nutrientes do whey
O refrigerante do soro do leite utiliza um insumo que, historicamente, foi considerado um desafio ambiental para laticínios. O soro contém proteínas de alto valor biológico, como alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina, além de minerais como cálcio, fósforo e potássio.
Segundo pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, o desenvolvimento da bebida gaseificada busca preservar essas características nutricionais.
“Ao transformar o soro em bebida gaseificada, entregamos um produto com nutrientes que auxiliam na recuperação muscular e na saúde óssea”, apontam notas técnicas da instituição.
A bebida também apresenta baixo índice glicêmico e utiliza a lactose — açúcar natural do leite — como fonte energética. Em algumas formulações, o ingrediente pode ser hidrolisado para facilitar a digestão e ampliar o público consumidor.
Após testes sensoriais e de estabilidade, a bebida foi avaliada em sabores como uva, limão e frutas tropicais. O próximo desafio é viabilizar a produção em escala industrial.
Sustentabilidade impulsiona desenvolvimento da bebida
Um dos principais objetivos do refrigerante do soro do leite é reduzir o impacto ambiental associado ao descarte do subproduto da indústria de queijos.
Minas Gerais é o maior produtor de queijo do Brasil e, para cada quilo fabricado, são gerados cerca de nove litros de soro. Quando descartado sem tratamento, o resíduo possui alta carga orgânica e pode comprometer a qualidade da água em rios e mananciais.
Ao transformar esse material em matéria-prima para bebidas, o projeto se alinha a estratégias de economia circular, criando uma nova aplicação industrial para o insumo.
Além de reduzir o risco de poluição, a iniciativa pode gerar uma nova fonte de receita para pequenos e médios laticínios.
Bebidas proteicas gaseificadas ganham espaço no mercado
Embora o refrigerante do soro do leite desenvolvido em Minas Gerais ainda esteja em fase de validação, bebidas gaseificadas com proteína já começam a aparecer em outros mercados.
A brasileira Moving lançou a bebida Protein Booster, que combina água gaseificada com whey protein isolado, BCAA e vitaminas, direcionada ao público fitness.
Na Europa, a marca sueca Barebells oferece a Protein Soda, com sabores como Sweet Cherry e Wild Strawberry, também baseada em proteína do soro do leite.
Nos Estados Unidos, a Genius Gourmet desenvolveu a Sparkling Clear Protein, bebida transparente com 30 gramas de proteína e zero açúcar. Outra iniciativa é da Bucked Up, cuja bebida proteica gaseificada recebeu prêmios de inovação em 2025.
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Implicações para a indústria de alimentos e bebidas
O desenvolvimento do refrigerante do soro do leite reforça uma tendência relevante para a indústria de alimentos: transformar subprodutos da cadeia produtiva em novos ingredientes e categorias de consumo.
Ao unir aproveitamento de resíduos, valor nutricional e novas experiências sensoriais, projetos desse tipo podem abrir espaço para produtos com maior valor agregado e menor impacto ambiental.
Para o setor lácteo, a valorização do soro representa uma oportunidade de diversificar portfólio e reduzir perdas, ampliando o potencial de inovação dentro da própria cadeia produtiva.
Fonte: Revista Fórum
Foto de Gary Zhang na Unsplash




