Aproveitamento integral do cacau avança na indústria

O aproveitamento integral do cacau começa a ganhar tração na indústria brasileira com um projeto em Minas Gerais que busca transformar casca, polpa e película em novos ingredientes para alimentos.
A iniciativa é liderada pela Fralía, que aposta na aplicação de ciência para reduzir desperdícios e ampliar o uso do fruto além da amêndoa, tradicionalmente destinada à produção de chocolate.
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Aproveitamento integral do cacau ganha escala
O ponto de partida é um problema conhecido da cadeia. Hoje, apenas entre 6% e 10% do peso total do cacau é aproveitado pela indústria, enquanto o restante segue subutilizado ou descartado.
Esse cenário abre espaço para o aproveitamento integral do cacau, com potencial para gerar novos ingredientes e aumentar a eficiência produtiva.
A proposta é reposicionar partes historicamente tratadas como resíduo, como polpa, mel do cacau e película, transformando esses componentes em insumos com valor nutricional e aplicação industrial.
Novos ingredientes e apelo nutricional
O projeto visa o desenvolvimento de ingredientes que possam ser incorporados a categorias como bolos, biscoitos e outros produtos industrializados.
O objetivo é ampliar o teor de fibras e reduzir a dependência de bases mais refinadas em algumas formulações, acompanhando uma demanda crescente por alimentos com melhor perfil nutricional.
A discussão sobre fibras ganha relevância nesse contexto. Recomendações atuais indicam ingestão diária entre 25 g e 30 g para adultos, patamar ainda distante do consumo médio no país.
Parceria com o CNPEM leva o projeto à escala
Para avançar do conceito à aplicação industrial, a Fralía firmou parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.
O trabalho é conduzido no Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), com foco em biotecnologia aplicada ao aproveitamento de biomassa.
O projeto também conta com apoio da Embrapii, modelo que busca acelerar a transformação de pesquisa em solução industrial.
Investimento e posicionamento estratégico
A empresa afirma ter investido cerca de R$ 20 milhões em sua unidade em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) e prevê novos aportes de R$ 5 milhões por ano nos próximos quatro anos.
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O movimento indica uma aposta estruturada em um espaço que ainda está em formação, combinando upcycling de alimentos, ingredientes funcionais e biotecnologia.
Há também impacto potencial na cadeia do cacau. À medida que mais partes do fruto ganham valor econômico, abre-se espaço para novos modelos de processamento e remuneração, menos concentrados na amêndoa.
Fonte: clickpetroleoegas.com.br
Foto de Tomáš Malík na Unsplash



