Culturas probióticas podem crescer 5,3% ao ano até 2035

O mercado global de culturas probióticas tem projeção de crescimento anual composto de 5,3% até 2035, segundo estimativas divulgadas pela Food News Latam. A demanda está relacionada ao uso desses microrganismos em alimentos fermentados, suplementos alimentares e nutrição animal, além do desenvolvimento de cepas com benefícios à saúde comprovados cientificamente.
Para a indústria, a expansão prevista traz desafios que vão além da produção em escala. A escolha das cepas, sua resistência ao processamento e a manutenção de microrganismos viáveis durante a vida útil dos produtos são fatores determinantes para o desenvolvimento de novas formulações.
Mercado de culturas probióticas tem projeção de alta até 2035
A estimativa divulgada pela Food News Latam considera um índice de 100 pontos em 2025, que chegaria a aproximadamente 168 pontos em 2035. Isso representa um crescimento acumulado próximo de 68% no período, caso a projeção se confirme.
A publicação também apresenta estimativas entre US$ 73 bilhões e US$ 79 bilhões para o mercado mundial de produtos probióticos em 2025. Esse valor, entretanto, não corresponde exclusivamente ao segmento de culturas microbianas, pois inclui produtos acabados comercializados ao consumidor.
A diferença é importante para compreender a cadeia produtiva. Enquanto os fornecedores de ingredientes desenvolvem e comercializam culturas destinadas à fabricação industrial, o mercado de produtos acabados abrange alimentos, bebidas e suplementos que incorporam esses microrganismos.
As projeções indicam interesse comercial pela categoria, mas devem ser interpretadas com cautela, já que a publicação não apresenta informações suficientes sobre a metodologia utilizada para calcular todos os indicadores.
Alimentos fermentados e suplementos estão entre as principais aplicações
Os produtos lácteos estão entre as aplicações mais conhecidas das culturas probióticas. Iogurtes e leites fermentados são exemplos tradicionais, embora nem todos os produtos fermentados possam ser classificados como probióticos.
A distinção está na comprovação dos benefícios à saúde. De acordo com a Associação Científica Internacional de Probióticos e Prebióticos (ISAPP), probióticos são microrganismos vivos que, administrados em quantidades adequadas, proporcionam benefícios à saúde.
Isso significa que a presença de bactérias vivas em um alimento não é suficiente para caracterizá-lo como probiótico.
O desenvolvimento de bebidas fermentadas ilustra as possibilidades de utilização desses microrganismos. Um exemplo apresentado anteriormente pelo BHBFood é o Lala Kéfir, produto formulado com diferentes culturas vivas.
Nos suplementos alimentares, as formulações podem reunir uma ou mais cepas, desde que atendam aos requisitos de segurança, eficácia e regularização aplicáveis.
A utilização desses ingredientes exige atenção à concentração de microrganismos viáveis, à compatibilidade com os demais componentes da formulação e às condições de armazenamento.
Evidências clínicas influenciam a escolha das cepas probióticas
Um dos principais critérios para a seleção de ingredientes probióticos é a existência de estudos que comprovem seus benefícios.
Os efeitos dependem da cepa utilizada, da dose administrada e da condição investigada. Portanto, resultados observados com determinado microrganismo não podem ser automaticamente atribuídos a outros integrantes da mesma espécie.
Segundo o National Institutes of Health (NIH), pesquisas clínicas investigam os efeitos de probióticos em diferentes condições de saúde, incluindo determinados problemas gastrointestinais. A qualidade das evidências e os resultados, porém, variam conforme a indicação e os microrganismos avaliados.
Para os fabricantes, essa diferenciação interfere na escolha dos ingredientes e nas informações que poderão ser apresentadas ao consumidor.
A comprovação científica também tem importância regulatória. Mesmo quando uma cepa apresenta resultados positivos em estudos clínicos, as alegações utilizadas na comercialização precisam respeitar as normas do país onde o produto será vendido.
Culturas fermentadoras e probióticas têm funções diferentes
Embora possam estar presentes nos mesmos produtos, culturas fermentadoras e culturas probióticas não são necessariamente equivalentes.
| Culturas fermentadoras | Culturas probióticas |
| São utilizadas para promover a fermentação de alimentos. | Devem apresentar benefícios à saúde comprovados cientificamente. |
| Podem modificar sabor, aroma, textura e acidez. | Precisam ser administradas em quantidades adequadas. |
| Não precisam, necessariamente, permanecer vivas até o consumo. | Devem permanecer viáveis nas condições de uso que sustentam o benefício demonstrado. |
| Sua função principal é tecnológica. | Sua classificação depende de evidências sobre efeitos à saúde. |
Uma mesma cultura pode desempenhar funções fermentadoras e probióticas, desde que cumpra os critérios necessários para ambas.
Essa distinção é especialmente relevante para empresas que pretendem desenvolver produtos com alegações relacionadas à saúde intestinal.
Nutrição animal também utiliza microrganismos benéficos
A alimentação animal está entre as aplicações comerciais destacadas pela Food News Latam. O interesse por culturas microbianas nesse segmento está relacionado à investigação de seus possíveis efeitos sobre a microbiota intestinal, o aproveitamento dos nutrientes e o desempenho produtivo de animais.
Aves, suínos e organismos utilizados na aquicultura estão entre os grupos estudados.
Os resultados dependem de fatores como cepa, espécie animal, composição da dieta e condições de criação. Por isso, não é possível atribuir os mesmos efeitos a todos os microrganismos utilizados na alimentação animal.
A resistência ao processamento também influencia a seleção dos ingredientes. Na fabricação de rações, temperaturas elevadas podem reduzir a viabilidade de determinadas culturas.
Microrganismos formadores de esporos são uma das alternativas investigadas para aplicações que exigem maior resistência às condições industriais.
A utilização desses ingredientes deve seguir a regulamentação específica para alimentação animal, distinta das exigências aplicáveis aos alimentos destinados ao consumo humano.
Ásia-Pacífico está entre os mercados relevantes para probióticos
A região Ásia-Pacífico é apontada pela Food News Latam entre os principais mercados de produtos probióticos, especialmente em categorias como alimentos fermentados, bebidas lácteas e suplementos.
Japão e China estão entre os países citados pela publicação.
Na América do Norte e na Europa, a pesquisa sobre cepas específicas e as exigências para comunicação de benefícios à saúde influenciam o desenvolvimento e a comercialização dos produtos.
Na União Europeia, as alegações de saúde em alimentos estão sujeitas à legislação regional e à avaliação científica da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
Brasil e México também aparecem entre os mercados latino-americanos mencionados na análise.
As diferenças regulatórias entre os países exigem atenção das empresas que pretendem comercializar ingredientes ou produtos acabados em diferentes regiões.
Tecnologias ajudam a preservar a viabilidade dos probióticos
A manutenção dos microrganismos vivos é um dos desafios tecnológicos da indústria.
A quantidade de microrganismos viáveis deve ser compatível com as condições que sustentam o benefício comprovado, considerando também o prazo de validade e as orientações de conservação.
Temperatura, umidade, acidez, presença de oxigênio e composição da formulação podem interferir na estabilidade das culturas.
Entre as tecnologias utilizadas para melhorar sua conservação estão a liofilização e a microencapsulação.
A liofilização é um processo de secagem que remove água e pode favorecer a conservação de microrganismos sensíveis. A microencapsulação, por sua vez, utiliza materiais de proteção para reduzir a exposição das culturas a determinadas condições ambientais.
A eficácia dessas técnicas depende da cepa, do material utilizado e das características do produto final.
Em bebidas ácidas, por exemplo, a sobrevivência dos microrganismos pode exigir cuidados específicos durante a formulação e o armazenamento.
Pesquisas brasileiras também investigam soluções para esse desafio. O BHBFood já apresentou uma tecnologia desenvolvida na Unicamp para ampliar as possibilidades de utilização de probióticos.
Para a indústria, essas soluções podem influenciar a seleção dos ingredientes, o processamento, a escolha das embalagens e os estudos de estabilidade.
Pesquisa e desenvolvimento influenciam a concorrência
O mercado reúne fornecedores de ingredientes, empresas de biotecnologia e fabricantes de alimentos e suplementos.
Entre as companhias citadas pela Food News Latam estão IFF, Lallemand, Kerry, dsm-firmenich, Yakult, Danone, Nestlé, Morinaga, Probi e BioGaia.
Outro participante relevante é a Novonesis, formada pela combinação da Novozymes com a Chr. Hansen, concluída em 2024.
A atuação dessas empresas envolve diferentes atividades, desde o desenvolvimento de culturas e ingredientes até a fabricação de produtos destinados ao consumidor final.
No segmento de ingredientes, a capacidade de identificar e caracterizar cepas, comprovar benefícios específicos e garantir estabilidade industrial pode influenciar as decisões de compra dos fabricantes.
A documentação científica e os requisitos regulatórios também fazem parte desse processo, especialmente quando o ingrediente será utilizado em produtos com alegações de saúde.
Anvisa exige comprovação de segurança e benefícios
No Brasil, o uso de probióticos em alimentos e suplementos alimentares está sujeito às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A RDC nº 241/2018 estabelece requisitos para comprovação da segurança e dos benefícios à saúde dos probióticos utilizados em alimentos.
A avaliação considera a identificação da linhagem, a caracterização do microrganismo, sua segurança de uso e as evidências científicas relacionadas aos benefícios propostos.
Dependendo das características do ingrediente, também podem ser aplicáveis disposições da RDC nº 839/2023, referente à comprovação de segurança e à autorização de uso de novos alimentos e novos ingredientes.
A Anvisa disponibiliza ainda o Guia nº 21, com orientações para a avaliação de segurança e eficácia de probióticos.
Alegações de saúde precisam respeitar as normas brasileiras
A comprovação científica é necessária, mas não autoriza automaticamente qualquer declaração sobre os efeitos de um produto.
Nos suplementos alimentares, não é permitido atribuir propriedades de prevenção, tratamento ou cura de doenças.
As alegações utilizadas nos rótulos devem respeitar as condições autorizadas pela Anvisa e as características dos ingredientes presentes na formulação.
A regularização de novas cepas também pode ampliar as possibilidades de desenvolvimento de produtos. O BHBFood já noticiou a aprovação de um probiótico pela Anvisa para utilização em suplementos alimentares.
Para as empresas, o processo de desenvolvimento exige a integração entre pesquisa científica, avaliação regulatória, formulação e controle de qualidade.
A projeção de crescimento até 2035 indica perspectivas comerciais para o setor. A capacidade de transformar pesquisas sobre microrganismos em ingredientes seguros, estáveis e com benefícios comprovados, entretanto, continuará sendo determinante para sua utilização industrial.
Perguntas frequentes sobre culturas probióticas
O que são culturas probióticas?
São preparações que contêm microrganismos vivos capazes de proporcionar benefícios à saúde quando administrados em quantidades adequadas. Esses benefícios precisam ser demonstrados cientificamente.
Quanto o mercado de culturas probióticas pode crescer até 2035?
A estimativa divulgada pela Food News Latam aponta crescimento anual composto de 5,3% até 2035. Trata-se de uma projeção, sujeita às condições de mercado e às premissas utilizadas no estudo.
Quais são as principais aplicações das culturas probióticas?
As aplicações incluem determinados alimentos fermentados e suplementos alimentares. Microrganismos benéficos também são utilizados na nutrição animal, sob requisitos específicos.
Qual é a diferença entre culturas fermentadoras e probióticas?
As culturas fermentadoras promovem transformações tecnológicas nos alimentos. Para que uma cultura seja considerada probiótica, é necessário demonstrar benefícios à saúde nas condições adequadas de utilização.
Como a indústria preserva os microrganismos probióticos?
A conservação depende da cepa, da formulação e das condições de processamento e armazenamento. Tecnologias como liofilização e microencapsulação podem contribuir para manter a viabilidade dos microrganismos.
Quais são as exigências da Anvisa para probióticos?
A agência estabelece requisitos de segurança e comprovação dos benefícios à saúde. As alegações utilizadas na comercialização também devem respeitar as condições autorizadas pela regulamentação brasileira.
Fonte: Food News Latam
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