Oterra vai medir sustentabilidade de corantes naturais

A Oterra firmou uma parceria com a HowGood para medir a pegada de carbono de corantes naturais utilizados pela indústria de alimentos e bebidas. Anunciada em 8 de outubro de 2026, a colaboração permitirá que fabricantes tenham acesso a informações sobre as emissões associadas a produtos selecionados do portfólio da fornecedora de ingredientes.
O acordo pretende facilitar a avaliação da sustentabilidade de corantes naturais, permitindo que as empresas incorporem dados ambientais às decisões de compra, ao desenvolvimento de produtos e ao acompanhamento de suas metas de redução de emissões. A iniciativa faz parte da estratégia de sustentabilidade da Oterra para 2030.
Sustentabilidade de corantes naturais terá dados de emissões
A HowGood é especializada em tecnologia para análise de impactos ambientais na cadeia de bens de consumo. Sua plataforma reúne informações sobre mais de 30 mil ingredientes, produtos químicos e materiais, utilizadas por fabricantes para monitorar emissões e elaborar relatórios de sustentabilidade.
Com a parceria, a Oterra disponibilizará dados sobre a pegada de carbono de determinados corantes naturais de seu portfólio. A proposta é permitir que os clientes tenham informações mais específicas sobre os ingredientes utilizados em suas formulações.
Para a indústria alimentícia, esse detalhamento pode contribuir para a identificação de fontes de emissões na cadeia de fornecimento e para a avaliação de alternativas de matérias-primas.
O acordo também está relacionado aos compromissos ambientais da Oterra para 2030, que incluem o trabalho conjunto com fornecedores e parceiros para reduzir impactos além das operações próprias da companhia.
Demanda por corantes naturais exige atenção à origem
A parceria ocorre em um contexto de maior interesse dos fabricantes por ingredientes de origem natural, especialmente diante da busca por alternativas aos corantes artificiais.
Segundo a pesquisa Color Trends 2026, da Oterra, realizada com 2.600 consumidores em 13 países, 66% dos entrevistados afirmaram evitar ativamente corantes artificiais. O levantamento também mostrou que 43% consideram os ingredientes naturais uma das principais expectativas em relação às cores de alimentos e bebidas.
A substituição de corantes artificiais, entretanto, envolve questões que vão além da formulação.
Muitos pigmentos naturais dependem do cultivo de matérias-primas agrícolas. Sua produção pode envolver consumo de água, uso da terra, transporte e outros fatores que influenciam o impacto ambiental do ingrediente.
Por isso, a origem natural não garante, por si só, menor pegada de carbono. É necessário considerar as condições de produção e as características de cada cadeia de fornecimento.
Essa preocupação também aparece em iniciativas anteriores da Oterra. Em 2025, noticiamos o lançamento do Arctic Blue, corante azul natural produzido a partir de espirulina, cultivada na Islândia com utilização de energia geotérmica.
Como a parceria pode ajudar fabricantes de alimentos
A disponibilidade de informações ambientais por ingrediente pode facilitar o trabalho de empresas que precisam acompanhar emissões associadas às matérias-primas adquiridas.
No caso dos corantes, os dados da HowGood poderão complementar critérios já utilizados pela indústria, como estabilidade, desempenho nas formulações, custo e disponibilidade.
A tecnologia também poderá auxiliar na elaboração de relatórios corporativos e na identificação de oportunidades para reduzir impactos ao longo da cadeia de fornecimento.
Rachel Calomeni, vice-presidente sênior de crescimento e inovação da HowGood, afirmou, em comunicado divulgado sobre a parceria, que métricas detalhadas são importantes para acompanhar compromissos de sustentabilidade e melhorar a transparência entre empresas, fornecedores e consumidores.
A colaboração, no entanto, não significa que os corantes avaliados já tiveram suas emissões reduzidas. O objetivo inicial é oferecer informações que possam orientar futuras decisões dos fabricantes.
Oterra investe em alternativas para produzir pigmentos
Além da mensuração das emissões, a Oterra desenvolve tecnologias relacionadas à produção de corantes naturais.
Uma das frentes envolve a fermentação de precisão, que está sendo estudada pela companhia como alternativa para a obtenção de determinados ingredientes.
A empresa também utiliza sistemas de cultivo com controle das condições de produção. É o caso do Arctic Blue, pigmento azul obtido a partir de espirulina cultivada em instalações alimentadas por energia geotérmica.
Segundo a Oterra, o sistema apresenta neutralidade de carbono. O projeto já havia sido abordado pelo BHBFood em reportagem sobre a produção do pigmento na Islândia.
Outra iniciativa recente foi a ampliação da estrutura da empresa nos Estados Unidos. Em 2025, a Oterra inaugurou uma unidade em Wisconsin, com instalações industriais e laboratório de inovação, em meio ao aumento da procura por corantes naturais no país.
A companhia também acompanha mudanças no comportamento dos consumidores. Em reportagem sobre as tendências de cores para alimentos em 2025, apresentamos estudos da empresa sobre a relação entre cores, percepção dos alimentos e preferências de consumo.
Com a parceria com a HowGood, a Oterra acrescenta a avaliação da pegada de carbono às informações oferecidas aos fabricantes. As empresas ainda não divulgaram quais corantes serão analisados inicialmente nem apresentaram estimativas de redução de emissões decorrentes do acordo.
Perguntas frequentes sobre sustentabilidade de corantes naturais
O que é sustentabilidade de corantes naturais?
É a avaliação dos impactos ambientais associados à produção desses ingredientes, considerando fatores como emissões de carbono, origem das matérias-primas e processos produtivos.
Qual é o objetivo da parceria entre Oterra e HowGood?
Fornecer dados sobre a pegada de carbono de produtos selecionados do portfólio de corantes naturais da Oterra, auxiliando fabricantes no acompanhamento de seus compromissos ambientais.
O que faz a HowGood?
A HowGood desenvolve tecnologia para análise de impactos ambientais de ingredientes e materiais utilizados pela indústria de bens de consumo.
Corantes naturais são sempre mais sustentáveis?
Não. O impacto ambiental depende da matéria-prima, das condições de cultivo, do processamento e de outros fatores da cadeia produtiva.
Como os fabricantes poderão utilizar esses dados?
As informações poderão apoiar a seleção de ingredientes, a elaboração de relatórios ambientais e a identificação de oportunidades para reduzir emissões.
A parceria já apresentou resultados de redução de carbono?
Ainda não foram divulgados resultados de redução de emissões. O acordo tem como foco inicial a disponibilização de informações ambientais sobre os ingredientes.
Fonte: Food Dive e Oterra — comunicados oficiais
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