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Panzani e Cerealis negociam grupo de € 1 bilhão

A francesa Panzani e a portuguesa Cerealis iniciaram negociações exclusivas para unir suas operações e criar um grupo alimentar europeu com faturamento anual de aproximadamente € 1 bilhão. A empresa resultante teria valor estimado em € 1,8 bilhão e reuniria quase 1.800 funcionários, com atuação em diferentes categorias de alimentos.

Anunciada em 16 de outubro de 2026, a proposta envolve fabricantes de massas, cuscuz, molhos, cereais matinais, barras de cereais, biscoitos e farinhas. A intenção é combinar as estruturas industriais e comerciais das duas companhias para ampliar a distribuição de suas marcas e investir em novos produtos. A negociação ainda depende de consultas aos representantes dos trabalhadores e de aprovações regulatórias.

Panzani e Cerealis faturaram € 1,02 bilhão em 2025

As duas empresas registraram receitas conjuntas de € 1,02 bilhão em 2025, conforme os resultados divulgados no comunicado oficial sobre a negociação.

A Panzani, sediada em Lyon, na França, faturou € 620 milhões. A Cerealis, com sede no Porto, em Portugal, registrou € 400 milhões no mesmo período.

Embora ambas atuem na fabricação de massas, seus negócios abrangem categorias e mercados diferentes.

A Panzani concentra suas atividades em massas secas, cuscuz e molhos, com presença na França, nos Países Baixos e na Europa Central. Já a Cerealis comercializa massas, cereais matinais, barras de cereais, biscoitos e farinhas, com operações em Portugal, Espanha, República Tcheca e Polônia.

A combinação permitiria ampliar a oferta de produtos em mercados onde uma das empresas já possui estrutura de produção ou distribuição.

União reuniria fábricas e moinhos em diferentes países

A estrutura industrial é um dos principais ativos envolvidos na negociação.

A Panzani possui três fábricas e três moinhos de sêmola na França, além de aproximadamente 900 funcionários.

A Cerealis também emprega cerca de 900 pessoas e opera seis unidades industriais: quatro em Portugal, uma na Espanha e outra na República Tcheca.

Com a união, as empresas pretendem aproveitar essa estrutura para aumentar a presença de suas marcas em outros países europeus.

Segundo o anúncio conjunto, o projeto prevê investimentos em instalações industriais, desenvolvimento de produtos e fortalecimento das marcas existentes.

A proposta também considera a experiência das duas fabricantes em diferentes categorias. Enquanto a Panzani possui forte atuação no mercado francês de massas, a Cerealis reúne negócios voltados tanto à alimentação cotidiana quanto aos produtos para o café da manhã.

Para Pedro Moreira da Silva, vice-presidente executivo da Cerealis, essa complementaridade é um dos principais motivos para a negociação. Segundo o executivo, a união poderá ampliar a capacidade de inovação e criar oportunidades comerciais para ambas as companhias.

As empresas não divulgaram valores de investimentos futuros nem metas de expansão para o grupo combinado.

Panzani e Cerealis manteriam sedes e gestão próprias

Apesar da proposta de união, as fabricantes deverão preservar suas estruturas operacionais.

A Panzani permaneceria sediada em Lyon, sob a direção de Albert Mathieu, atual CEO da empresa. O executivo também assumiria a responsabilidade pelas operações do grupo na Europa Central.

A Cerealis continuaria no Porto, com Paula Meireles à frente da companhia e das atividades na Península Ibérica, além dos negócios internacionais de marcas próprias.

A coordenação geral ficaria sob responsabilidade de Pedro Moreira da Silva, atualmente vice-presidente executivo da Cerealis.

O modelo anunciado prevê que as duas empresas mantenham autonomia industrial e administrativa, mesmo com a integração de iniciativas comerciais e de investimento.

A proposta preserva, portanto, a gestão das operações locais e estabelece uma liderança comum para os negócios do futuro grupo.

CVC manteria participação minoritária no novo grupo

A negociação também prevê uma reorganização acionária.

Atualmente, a Panzani é controlada pela gestora de investimentos CVC Capital Partners. A Cerealis pertence às famílias Moreira da Silva e Silva Domingues, em conjunto com a companhia de investimentos Sofina.

Se a operação for concluída, esses acionistas passarão a integrar a estrutura societária do novo grupo.

A CVC permaneceria como acionista minoritária, enquanto os quatro grupos de investidores teriam representação no conselho de administração.

A Sofina também participaria do financiamento da transação, segundo o comunicado das empresas.

Não foram divulgados os percentuais de participação de cada acionista nem o valor destinado ao financiamento da operação.

A negociação faz parte de um cenário de reorganização de empresas alimentícias, no qual fabricantes buscam ampliar portfólios e estruturas de distribuição por meio de aquisições e combinações de negócios.

No Brasil, acompanhamos recentemente a aprovação da aquisição da Nutrella pela Panco, operação que envolveu exigências concorrenciais estabelecidas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Outro exemplo é a formação do Grupo BPA, que passou a reunir Bom Princípio Alimentos, DaMagrinha e Cacau Gramado, ampliando sua atuação em diferentes categorias de alimentos.

Cerealis já negociava expansão industrial na Espanha

A aproximação com a Panzani ocorre após outra negociação envolvendo a fabricante portuguesa.

Em fevereiro de 2026, a Cerealis firmou um acordo para adquirir da Cerealto seu negócio de massas e a unidade industrial de Venta de Baños, na Espanha.

De acordo com o Food Ingredients First, a divisão registrava faturamento anual superior a € 100 milhões e empregava aproximadamente 125 pessoas.

A aquisição foi apresentada como parte da estratégia da Cerealis para ampliar sua presença na indústria de massas espanhola.

A possível união com a Panzani teria alcance maior, ao reunir operações em diferentes países europeus e acrescentar novas categorias ao portfólio.

Caso seja aprovada, a transação formará um grupo com atividades que vão da moagem de cereais à fabricação de massas, biscoitos e produtos para o café da manhã.

Negociação ainda não tem data para conclusão

As conversas entre Panzani e Cerealis permanecem em andamento. A operação precisa passar pelos procedimentos de consulta aos representantes dos trabalhadores e pelas análises dos órgãos reguladores competentes.

As companhias não informaram quando esperam concluir essas etapas.

Até lá, continuam operando de forma independente, com suas atuais estruturas de gestão e controle.

Perguntas frequentes sobre Panzani e Cerealis

O que Panzani e Cerealis estão negociando?

As empresas iniciaram negociações exclusivas para combinar suas operações e criar um grupo alimentar europeu independente.

Qual será o faturamento do novo grupo?

A previsão é de receita anual próxima de € 1 bilhão. Em 2025, as duas companhias faturaram, juntas, € 1,02 bilhão.

Quanto valerá a empresa resultante da união?

O valor estimado do grupo é de aproximadamente € 1,8 bilhão, segundo o anúncio conjunto.

Quais produtos fazem parte dos portfólios?

As empresas atuam em massas, cuscuz, molhos, cereais matinais, barras de cereais, biscoitos e farinhas.

Quem ficará responsável pela gestão?

Pedro Moreira da Silva deverá coordenar o grupo. Albert Mathieu continuará na direção da Panzani, enquanto Paula Meireles permanecerá à frente da Cerealis.

A união entre Panzani e Cerealis já foi aprovada?

Não. A operação ainda depende de consultas aos representantes dos trabalhadores e das autorizações regulatórias necessárias.

Fonte: www.foodingredientsfirst.com
Imagem: www.foodingredientsfirst.com / Reprodução

Luiza Cazetta

Luiza Cazetta

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Luiza Cazetta é jornalista e produz conteúdo digital desde 2018.

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