NOTÍCIAS

Alimentação saudável movimenta R$ 110 bilhões no Brasil

O mercado de alimentação saudável no Brasil movimenta cerca de R$ 110 bilhões, segundo estimativa apresentada pelo consultor de supermercados Leandro Rosadas durante a SuperMinas 2026, realizada em Belo Horizonte. O valor foi citado com base em estudos setoriais, mas sem detalhamento público da metodologia utilizada.

A busca por produtos associados à saúde e ao bem-estar tem influenciado o desenvolvimento de alimentos e bebidas. Entre os segmentos destacados estão os lácteos proteicos, produtos sem lactose e frutas congeladas, que apresentam resultados positivos mesmo em um cenário de desempenho desigual entre as categorias.

Alimentação saudável influencia decisões de compra

Durante sua apresentação na SuperMinas, Rosadas destacou que o consumidor está mais atento à composição dos alimentos e aos benefícios comunicados pelas marcas.

Segundo os dados apresentados pelo consultor, 52% dos consumidores das classes A e B estariam dispostos a pagar entre 10% e 20% a mais por produtos que ofereçam benefícios claros à saúde.

O percentual indica a importância atribuída a características nutricionais por parte desse público, embora a pesquisa original e sua metodologia não tenham sido identificadas.

Para os fabricantes, essa disposição não elimina a necessidade de considerar o preço. O desenvolvimento de embalagens menores, por exemplo, pode facilitar a experimentação, enquanto versões familiares atendem a diferentes ocasiões de consumo.

A relação entre benefício nutricional, praticidade e custo também aparece no mercado de alimentos proteicos, no qual a ampliação da oferta tem aumentado as possibilidades de escolha.

Produtos proteicos crescem mesmo com retração dos lácteos

Os dados apresentados na SuperMinas mostram diferenças expressivas entre o desempenho geral dos lácteos e o de produtos com atributos nutricionais específicos.

Entre janeiro e julho de 2026, o volume comercializado de lácteos registrou queda de 3,8%. No mesmo período, algumas subcategorias tiveram crescimento:

CategoriaVariação em volume
Lácteos em geral−3,8%
Bebidas lácteas proteicas+36%
Iogurtes proteicos individuais+24,9%
Iogurtes sem lactose em embalagens familiares+40,4%

Fonte: indicadores apresentados por Leandro Rosadas na SuperMinas 2026. A base original dos dados não foi disponibilizada na reportagem consultada.

Os resultados sugerem que atributos como teor proteico e ausência de lactose podem influenciar a escolha dentro de uma mesma categoria. Isso não significa, porém, que todos os produtos com essas características apresentem desempenho semelhante.

Outro levantamento ajuda a contextualizar esse comportamento. Segundo a Worldpanel by Numerator, as vendas de produtos com proteína adicionada cresceram 12% em valor nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, alcançando 12,8 milhões de lares brasileiros.

O estudo, abordado pelo BHBFood na matéria sobre o crescimento dos produtos com proteína adicionada, também identificou consumidores mais atentos ao preço e à quantidade de proteína informada nas embalagens.

Medicamentos para emagrecimento entram no planejamento da indústria

O uso de medicamentos baseados em GLP-1 também passou a integrar as discussões sobre o consumo de alimentos e bebidas.

Na SuperMinas, Rosadas apresentou um indicador segundo o qual 76,9% dos usuários desses medicamentos teriam reduzido o consumo de doces e chocolates. Como a fonte primária e as características da amostra não foram informadas, o percentual deve ser tratado como um dado da apresentação, e não como uma medida consolidada do comportamento de todos os usuários.

A redução do apetite associada a esses tratamentos tem levado fabricantes a avaliar produtos voltados a necessidades nutricionais específicas, incluindo opções com proteínas e outros nutrientes.

Um exemplo é a Nestlé, que ampliou em 30% a produção do suplemento Nutren Control e passou a posicioná-lo também para consumidores em tratamento com medicamentos GLP-1. A iniciativa foi detalhada pelo BHBFood na reportagem sobre a estratégia da Nestlé para GLP-1 e suplementos.

Esse posicionamento comercial não significa que todos os usuários necessitem dos mesmos produtos. A adequação nutricional depende das condições e das necessidades individuais.

Frutas congeladas registram alta de 48,9% em volume

A procura por praticidade também aparece no desempenho das frutas congeladas.

Segundo dados da Scanntech, divulgados no contexto da APAS Show 2026, a categoria registrou crescimento de 48,9% em volume no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

O levantamento associa o desempenho a ocasiões de consumo como o preparo de vitaminas, smoothies e outras receitas. O crescimento foi confirmado em publicações do setor supermercadista.

Para a indústria, o resultado chama atenção para produtos que combinam conservação, facilidade de preparo e versatilidade de uso. Ainda assim, a expansão de uma categoria específica não deve ser interpretada como crescimento equivalente de todo o mercado de alimentação saudável.

Indústria amplia portfólio de alimentos funcionais

As mudanças nas preferências de consumo também aparecem nos lançamentos e nas estratégias de fabricantes de diferentes categorias.

A Laticínios Porto Alegre, por exemplo, apresentou produtos com maior teor de proteína. Entre eles estão opções da linha Pró+, com 10 gramas de proteína e dez vitaminas e minerais, além de uma bebida com whey protein que fornece 25 gramas de proteína por porção.

A Copra tem investido na diversificação de produtos à base de coco, incluindo opções como creme de avelã com cacau e creme de coco, apresentados pela empresa como alternativas sem lactose e sem glúten.

Já a Gran Filé ampliou seu portfólio com cortes de frango, complementando a oferta de carnes bovinas, suínas e pescados.

Os exemplos mostram estratégias distintas de diversificação. Enquanto algumas empresas destacam características nutricionais específicas, outras procuram ampliar as opções disponíveis para diferentes hábitos alimentares.

A proteína adicionada, em particular, já aparece em categorias que tradicionalmente não eram associadas a esse atributo. O BHBFood mostrou recentemente a chegada de uma passata de tomate com colágeno, exemplo de como fabricantes estão explorando novas aplicações para ingredientes proteicos.

O que os dados indicam para a indústria de alimentos?

Os indicadores apresentados na SuperMinas e os levantamentos complementares apontam oportunidades em segmentos específicos, mas também reforçam a importância de analisar cada categoria separadamente.

O crescimento das bebidas proteicas, dos iogurtes sem lactose e das frutas congeladas não permite concluir que todo o mercado de alimentação saudável esteja crescendo na mesma proporção.

Para os fabricantes, três aspectos merecem atenção: a clareza das informações nutricionais, a adequação das porções às ocasiões de consumo e a relação entre preço e benefício percebido.

A ampliação da oferta também exige cuidado na comunicação. Produtos com proteína adicionada, sem lactose ou com outros atributos específicos não são necessariamente mais saudáveis para todos os consumidores. A avaliação depende da composição nutricional e do contexto da alimentação.

Nesse cenário, os dados de vendas ajudam a identificar mudanças nas escolhas de compra, enquanto o desenvolvimento de produtos precisa considerar formulação, experiência sensorial, custo e necessidades do público.

Perguntas frequentes sobre alimentação saudável

Qual é o tamanho do mercado de alimentação saudável no Brasil?

Uma estimativa apresentada pelo consultor Leandro Rosadas na SuperMinas 2026 aponta movimentação de aproximadamente R$ 110 bilhões. A metodologia do cálculo não foi detalhada na fonte consultada.

Quais categorias de alimentos saudáveis estão crescendo?

Entre os destaques apresentados na SuperMinas estão bebidas lácteas proteicas e iogurtes sem lactose. Dados da Scanntech também mostram crescimento de 48,9% em volume nas frutas congeladas no primeiro trimestre de 2026.

Quanto cresceram as bebidas lácteas proteicas em 2026?

Segundo os indicadores apresentados na SuperMinas, a categoria registrou crescimento de 36% em volume entre janeiro e julho de 2026.

Os consumidores estão dispostos a pagar mais por alimentos saudáveis?

Dados apresentados por Leandro Rosadas indicam que 52% dos consumidores das classes A e B aceitariam pagar entre 10% e 20% a mais por produtos com benefícios claros à saúde. A pesquisa original não foi identificada.

Como os medicamentos GLP-1 influenciam a indústria alimentícia?

Fabricantes estão desenvolvendo ou reposicionando produtos para consumidores que utilizam esses medicamentos, especialmente suplementos e alimentos com características nutricionais específicas.

Produtos proteicos e sem lactose são sempre mais saudáveis?

Não. O teor de proteína e a ausência de lactose são características específicas do produto. A qualidade nutricional depende da composição completa e das necessidades de cada consumidor.

Fonte: O Tempo
Foto de Dan Gold na Unsplash

BHB TEAM

BHB TEAM

About Author

O BHB Food compartilha os temas mais atuais e relevantes sobre marketing, saúde e nutrição são apresentados por players renomados e engajados no mercado, disseminando conceitos e ideias inovadoras na construção de marcas saudáveis.

Deixe um comentário

Você pode gostar também

NOTÍCIAS

Nutty Bavarian investe em sua 1ª loja de rua

A rede de franquias especializada em castanhas Nutty Bavarian deve ganhar sua primeira loja de rua neste ano. Será uma
NOTÍCIAS

Rappi começa a atender usuários via WhatsApp

Rappi, uma startup de entrega sob demanda com sede em Bogotá, na Colômbia. E, operando na Colômbia, Argentina, Brasil, Chile,