Tecnologia da Unicamp amplia uso de probióticos

A tecnologia da Unicamp amplia uso de probióticos em bebidas ácidas, sucos, geleias e bebidas vegetais, categorias tradicionalmente desafiadoras para a sobrevivência desses micro-organismos. A inovação incorpora óleo de pequi a uma matriz de alginato de cálcio e casca de jabuticaba, criando uma estrutura de proteção mais resistente.
Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, a solução combina métodos de encapsulação e utiliza emulsões duplas, adicionando camadas extras de proteção aos probióticos.
Encapsulamento de ácidos avança em alimentos e suplementos
Tradicionalmente aplicados em laticínios, devido ao pH menos ácido, os probióticos foram submetidos a ambientes com alta acidez e concentração de açúcar e permaneceram viáveis. Também apresentaram maior resistência à pressão osmótica e a tratamentos térmicos rápidos.
Encapsulação amplia aplicações em bebidas e sucos
A tecnologia da Unicamp amplia uso de probióticos ao criar microesferas capazes de proteger os micro-organismos durante processamento e armazenamento. O uso de alginato de cálcio como matriz estrutural é reforçado por compostos bioativos presentes na casca de jabuticaba e no óleo de pequi.
Além de atuar como barreira física, os ingredientes brasileiros agregam valor nutricional e ampliam o potencial de comunicação funcional do produto final.
Os resultados indicam aplicação viável em categorias nas quais os probióticos apresentavam baixa estabilidade, como bebidas vegetais e formulações com maior teor de açúcar.
Foco em sustentabilidade e ingredientes nacionais
A tecnologia foi desenvolvida em parceria com Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues, doutores em Ciência de Alimentos pela FEA-Unicamp. O projeto prioriza o aproveitamento de subprodutos agroindustriais, valorizando a biodiversidade brasileira.
O uso de casca de jabuticaba — frequentemente descartada — reforça a estratégia de economia circular e agrega compostos bioativos à formulação.
A invenção foi patenteada com suporte da Inova Unicamp, agência responsável pela proteção intelectual e conexão com empresas interessadas na aplicação industrial.
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Próximos passos e impacto para a indústria
Testes piloto já foram conduzidos com parceiros do setor, e o próximo estágio envolve escalonamento e validação industrial.
Para a indústria de bebidas, ingredientes e suplementos, a tecnologia da Unicamp amplia uso de probióticos em frentes estratégicas:
- Desenvolvimento de bebidas funcionais não lácteas
- Estabilidade de probióticos em matrizes ácidas
- Aproveitamento de resíduos vegetais com valor agregado
- Diferenciação por inovação tecnológica nacional
Ao viabilizar probióticos em categorias antes limitadas, a pesquisa abre espaço para expansão do portfólio funcional, atendendo consumidores que buscam saúde intestinal sem recorrer a produtos lácteos.
Fonte: Correio da Manhã
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