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Encapsulamento de ácidos avança em alimentos e suplementos

O encapsulamento de ácidos ferúlico e p-cumárico acaba de ganhar um novo processo com potencial impacto para as indústrias de suplementos e alimentos funcionais. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), com apoio da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, desenvolveram um método que permite extrair e encapsular esses compostos em uma única etapa, com menor uso de solventes orgânicos e maior estabilidade do ativo.

A tecnologia pode ampliar a aplicação desses ácidos em formulações nutracêuticas e alimentícias, além do já consolidado uso cosmético.

Potencial funcional para suplementos e alimentos

Os ácidos ferúlico e p-cumárico são reconhecidos pelo potencial antioxidante e anti-inflamatório. Também apresentam ação antimelanogênica e podem contribuir para a regulação de glicose e colesterol.

Hoje, o ácido ferúlico é mais explorado comercialmente, especialmente em produtos antiaging. No entanto, segundo a pesquisadora Alana Mesquita, orientada pelos professores Adalberto Pessoa Junior e Inês Conceição Roberto, as aplicações vão além.

Os compostos têm potencial de uso em suplementos e na indústria de alimentos, mas ainda são pouco explorados nessas categorias. O novo encapsulamento de ácidos busca viabilizar essa expansão.

Processo integrado e menor uso de solventes

O diferencial da tecnologia está na integração das etapas de extração e encapsulamento em micelas poliméricas, que funcionam como envoltório protetor dos compostos.

Com o novo método, é possível obter uma base já pronta para aplicação direta em pós-médicos ou suplementos alimentares. Ao eliminar parte dos solventes orgânicos e reduzir etapas de processamento, o processo também tende a diminuir a toxicidade e simplificar a incorporação industrial.

Outro ponto relevante é a possibilidade de utilizar os dois ácidos em conjunto, ampliando as oportunidades de formulação.

Valorização de subprodutos e agenda de sustentabilidade

Os ácidos podem ser extraídos da palha de arroz, um subproduto agrícola. O encapsulamento de ácidos nesse contexto agrega valor à cadeia e fortalece estratégias de aproveitamento de resíduos.

Para indústrias de alimentos e suplementos, o aproveitamento de matérias-primas de origem vegetal com potencial funcional e agregado tecnológico pode representar diferencial competitivo.

Estágio tecnológico e próximos passos

O método está no nível de maturidade tecnológica TRL5. A equipe realiza a caracterização do gel obtido, avaliando potencial antioxidante, ação antimelanogênica e propriedades reológicas.

As próximas fases envolvem aumento de escala e testes clínicos, etapa necessária para viabilizar a produção em maior volume.

Para empresas que atuam em ingredientes, suplementos e alimentos, o encapsulamento de ácidos surge como alternativa para ampliar estabilidade, reduzir etapas de processamento e explorar compostos bioativos com maior segurança tecnológica.

Fonte: USP
Foto de Diamond Rehab Thailand na Unsplash

Luiza Cazetta

Luiza Cazetta

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Luiza Cazetta é jornalista e produz conteúdo digital desde 2018.

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