Como as proteínas alternativas estão redesenhando a indústria

As proteínas alternativas deixaram de ser apenas um item do prato para se tornar um vetor de transformação industrial. Elas estão presentes em alimentos, bebidas, snacks e soluções on-the-go, acompanhando um consumidor que busca praticidade, funcionalidade e coerência com escolhas mais conscientes. Esse movimento reflete uma mudança estrutural na forma como o mundo produz e consome alimentos.
Proteínas e superfoods impulsionam mercado funcional
Com a população mundial projetada para ultrapassar 10 bilhões de pessoas nas próximas décadas, cresce a pressão por sistemas alimentares mais eficientes. As proteínas alternativas surgem nesse contexto como resposta tecnológica, ao combinar ciência, engenharia de processos e uso mais racional de recursos naturais.
Além do plant-based tradicional
O universo das proteínas alternativas vai além dos produtos vegetais já consolidados no mercado. Avanços recentes incluem proteínas obtidas por fermentação de precisão — processo em que microrganismos são programados para produzir estruturas equivalentes às de ovos, leite e outros ingredientes de origem animal — e carnes cultivadas, desenvolvidas a partir de células animais em ambientes controlados.
Nesses modelos, o fator crítico não é o campo nem o rebanho, mas o controle rigoroso de variáveis como temperatura, pH, oxigenação e tempo. Todo o processo é monitorado digitalmente, com ajustes em tempo real para garantir eficiência, segurança e padronização.
Proteína também no copo
Essa lógica ajuda a explicar o avanço das bebidas proteicas. Impulsionadas por rotinas mais fragmentadas, elas atendem à demanda por conveniência sem abrir mão de valor nutricional. A proteína deixa de ocupar apenas o papel de refeição e passa a ser uma solução funcional ao longo do dia.
Engenharia e controle de processos no centro da produção
Transformar proteínas alternativas em alimentos viáveis exige processos industriais sofisticados, próximos aos padrões das indústrias química e farmacêutica. Biorreatores, fermentações sensíveis e ingredientes inovadores demandam previsibilidade, estabilidade e rastreabilidade em toda a cadeia produtiva.
Nesse cenário, a tecnologia se torna decisiva. Sensores conectados monitoram continuamente cada etapa da produção, enquanto sistemas de análise de dados identificam padrões, antecipam falhas e orientam decisões operacionais. A aplicação de big data e analytics passa a ser parte do cotidiano da indústria de alimentos.
A rastreabilidade digital, por sua vez, permite acompanhar cada lote desde a origem dos insumos até o produto final, ampliando transparência e segurança alimentar — fatores cada vez mais relevantes em categorias inovadoras.
Automação e fábricas inteligentes
É nesse contexto que a Siemens atua junto à indústria de alimentos e bebidas, aplicando conceitos de fábricas inteligentes à produção de proteínas alternativas. A empresa oferece soluções em automação industrial, IoT, análise de dados e gêmeos digitais, com foco em eficiência, escalabilidade e uso racional de recursos.
“Produzir proteínas alternativas é, essencialmente, um exercício de engenharia e controle de processos. Estamos falando de ambientes altamente monitorados, grandes volumes de dados e decisões em tempo real”, afirma Yuri Belentani, head do Centro de Competências para a cadeia de proteína animal da Siemens Brasil.
Segundo ele, tecnologias como sensores inteligentes, análise avançada de dados e gêmeos digitais permitem simular processos antes da produção física, reduzir desperdícios e otimizar o consumo de energia e água.
Os gêmeos digitais criam réplicas virtuais de linhas de produção e biorreatores, viabilizando testes de escala, ajustes de receita e mudanças operacionais sem uso adicional de matéria-prima. Já sistemas avançados de automação garantem repetibilidade e qualidade, mesmo em processos biológicos complexos.
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“A alimentação passa hoje por uma transformação semelhante à vivida por outros setores industriais. O alimento do futuro nasce cada vez menos da tentativa e erro e cada vez mais do planejamento digital”, completa Belentani.
Da engenharia ao consumo
A evolução das proteínas alternativas revela uma mudança mais ampla no setor de alimentos. A comida passa a ser resultado direto de engenharia, dados e software. Seja no prato ou no copo, o produto final começa muito antes da cozinha — nasce nos algoritmos, nos sensores e no desenho preciso dos processos industriais.
Fonte: revistakdea360.com.br
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