China inaugura maior planta de carne cultivada do país

A carne cultivada dá um novo salto na China. A Joes Future Food concluiu a construção da maior planta do país dedicada à produção desse tipo de proteína, em Nanjing, reforçando a transição da pesquisa acadêmica para a escala industrial.
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A unidade piloto tem capacidade anual entre 10 e 50 toneladas de carne cultivada. O avanço ocorre após a empresa realizar o primeiro teste de produção em larga escala de carne suína cultivada do mundo, em um biorreator de 2.000 litros — um marco técnico para o setor.
Produção em escala e próximos passos regulatórios
Segundo o cofundador e CEO Ding Shijie, a fábrica já está em fase de testes e deve iniciar a operação plena em cerca de um mês, dependendo de autorizações regulatórias. A empresa protocolou pedido junto à Autoridade Alimentar de Singapura e prepara a documentação exigida na China, incluindo estudos de toxicidade animal.
Para essa etapa, foram produzidos aproximadamente 120 quilos de biomassa de carne suína cultivada. A expectativa é concluir a avaliação de segurança até o fim de 2026, embora a aprovação como novo alimento no mercado chinês possa demandar mais tempo. Em paralelo, a startup avalia lançamentos em outros países, com cortes e pratos à base de carne suína cultivada.
Da universidade à indústria
Fundada em 2019 como spin-off da Universidade Agrícola de Nanjing, a Joes Future Food surgiu a partir de pesquisas lideradas pelo professor Zhou Guanghong, responsável pelo primeiro protótipo de carne cultivada da China. Desde então, a empresa captou mais de US$ 14 milhões e avançou no escalonamento industrial.
Em 2023, alcançou produção piloto em biorreator de 500 litros, validada por especialistas do Instituto Chinês de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Agora, produziu carne suína cultivada em biorreator de 2.000 litros usando meio de cultura livre de soro animal, eliminando o uso de soro fetal bovino.
Planta integrada e ganhos de eficiência
A nova planta reúne todas as etapas do processo: desenvolvimento de linhagens celulares, formulação de meio de cultura de menor custo, bioprocessamento em larga escala e um sistema de segurança dos alimentos. O modelo em circuito fechado gera dados essenciais para reduzir custos, ajustar variáveis críticas e projetar futuras linhas com biorreatores de até 10.000 litros.
Produtos e aplicações
Além da capacidade produtiva, a empresa investe em P&D para demonstrar a versatilidade da carne cultivada. Entre os protótipos estão uma barriga suína estruturada criada por impressão 3D, o Honeycomb Meat — combinação de carne suína cultivada com micoproteína — e aplicações inspiradas na gastronomia molecular, como consommé e gelatina transparente.
Esses desenvolvimentos ampliam as possibilidades de mercado, do food service em larga escala à alta gastronomia e ao consumo doméstico.
China no centro da corrida pela carne cultivada
O avanço ocorre em um ambiente favorável. O plano quinquenal chinês para a agricultura, válido até 2025, incentiva explicitamente a pesquisa em carne cultivada e biomanufatura. Iniciativas como centros de proteínas alternativas em Pequim e polos regionais reforçam a estratégia.
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Hoje, a China concentra oito das 20 empresas que mais depositam patentes no segmento. Com 25 famílias de patentes, a Joes Future Food figura entre as líderes globais. Pesquisas indicam ainda elevada aceitação do consumidor nas grandes cidades, com ampla disposição para experimentar e substituir a carne convencional.
Para Ding Shijie, o movimento é estrutural: a carne cultivada deixa o laboratório e entra no sistema industrial, com a China assumindo papel central — especialmente no desenvolvimento da carne suína cultivada.




