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Colágeno ganha novas aplicações em alimentos e bebidas

O colágeno em alimentos e bebidas começa a ocupar categorias que tradicionalmente não utilizam o ingrediente. A MBRF, por meio da Gelprime, trabalha no desenvolvimento de aplicações para sucos, cafés, massas e panificados e já lançou, em parceria com a Prats, um suco de laranja com colágeno hidrolisado e 15 gramas de proteína por porção.

A estratégia busca ampliar a presença de proteínas em produtos de consumo cotidiano e envolve projetos com diferentes clientes. Segundo a MBRF, as iniciativas estão em vários estágios de desenvolvimento e não ficarão restritas às bebidas.

A expansão ocorre em paralelo ao investimento de R$ 500 milhões na Gelprime, anunciado pela MBRF em março. A expectativa é dobrar a capacidade produtiva da empresa para 30 mil toneladas anuais até 2030.

Colágeno chega a novas categorias de alimentos

A estratégia coloca o colágeno hidrolisado em produtos que não são tradicionalmente associados à suplementação proteica.

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Para desenvolver as aplicações, as equipes de pesquisa e desenvolvimento da MBRF e da Gelprime trabalham de forma integrada com os clientes. O objetivo é ajustar o ingrediente às características de cada alimento ou bebida e às condições industriais envolvidas na fabricação.

Segundo Rafael Braz, diretor de Novos Negócios da MBRF, a companhia vem abordando clientes atuais e potenciais interessados em adicionar proteína a categorias que normalmente chegam ao consumidor sem esse atributo.

Uma fabricante de massas, por exemplo, não é um cliente tradicional da MBRF, mas pode recorrer à companhia para desenvolver uma formulação com proteína. Dessa forma, a empresa busca ampliar sua atuação como fornecedora de soluções proteicas para a indústria de alimentos.

Gelprime atua do ingrediente à aplicação

A Gelprime participa tanto do fornecimento do ingrediente quanto do desenvolvimento da aplicação final. Seu colágeno hidrolisado é produzido a partir de matérias-primas bovinas, aproveitando insumos já existentes dentro da MBRF e agregando valor a essas matérias-primas.

A estratégia também chegou ao portfólio da própria companhia. A linha Perdigão Meu Menu conta com refeições prontas adicionadas de colágeno e com até 42 gramas de proteína por porção.

Em setembro, a Gelprime também começa a operar sua linha de colágeno funcional, que será incorporada aos portfólios de gelatina e colágeno hidrolisado da empresa.

A expansão deverá atender clientes atuais, novos parceiros e a demanda da própria MBRF.

Suco da Prats leva 15 gramas de proteína por porção

A parceria com a Prats é uma das primeiras aplicações comerciais da estratégia. Após seis meses de desenvolvimento conjunto, as empresas chegaram a uma formulação composta por 94,9% de suco integral de laranja e 5,1% de proteína de colágeno hidrolisado.

O produto oferece 15 gramas de proteína por porção. Segundo a Gelprime, a formulação preserva características como sabor, aroma e refrescância do suco.

A neutralidade sensorial do colágeno é apontada pelos executivos como um dos fatores importantes para ampliar seu uso em diferentes categorias. Segundo Rafael Braz, um colágeno de boa qualidade não apresenta odor nem sabor, o que permite incorporá-lo sem interferir nas principais características sensoriais do produto.

Antes do lançamento, o suco passou por testes de formulação e de aceitação dos consumidores.

Aplicações exigem ajustes de formulação e processamento

A entrada do colágeno em alimentos e bebidas também envolve desafios técnicos que variam conforme a categoria.

Fatores como concentração, estabilidade, custo e condições de processamento podem exigir ajustes específicos durante o desenvolvimento. Por isso, as soluções são trabalhadas de acordo com as características de cada aplicação.

Segundo Vinícius Vanzella, CEO da Gelprime, os desafios não são iguais para todos os produtos. Em determinadas formulações, por exemplo, a concentração necessária do ingrediente pode representar uma dificuldade técnica.

A empresa afirma, porém, que não identifica, de maneira geral, uma diferença de preço capaz de inviabilizar a adoção pelo consumidor.

Demanda por proteínas sustenta estratégia da MBRF

A aposta em novas aplicações acompanha o aumento da procura por produtos com maior densidade nutricional e proteica.

O setor brasileiro de suplementos movimentou R$ 7,6 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior, segundo a Brasnutri, com base em levantamento da Euromonitor International.

Para a MBRF, a demanda por proteínas cria espaço para levar o colágeno a produtos que não estão tradicionalmente ligados à suplementação.

Entre os fatores que podem favorecer essa tendência, Rafael Braz cita a maior atenção dos consumidores à saúde e à nutrição e o avanço dos medicamentos da classe dos GLP-1. Na avaliação do executivo, a menor ingestão de alimentos entre usuários desses medicamentos pode aumentar a procura por produtos com maior densidade proteica.

Dados citados pela empresa indicam ainda que o segmento global de peptídeos de colágeno e gelatina foi avaliado em US$ 4,56 bilhões em 2020 e pode atingir US$ 7,67 bilhões em 2030, com crescimento médio anual de 5,3%.

MBRF investe R$ 500 milhões na Gelprime

A estratégia de ampliar as aplicações do ingrediente ocorre junto à expansão produtiva da Gelprime. A MBRF anunciou investimento de R$ 500 milhões na empresa, com expectativa de dobrar sua capacidade produtiva para 30 mil toneladas anuais até 2030.

Segundo a companhia, os recursos serão destinados principalmente à expansão física e à aquisição de equipamentos. O desenvolvimento das novas aplicações, por sua vez, faz parte das atividades de P&D e não exige investimentos de capital de grande porte.

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Além da parceria com a Prats, MBRF e Gelprime desenvolvem projetos com clientes de diferentes categorias, embora as empresas e os produtos envolvidos ainda não tenham sido divulgados.

A estratégia amplia as possibilidades de aplicação do colágeno na indústria de alimentos e bebidas. Além de suplementos e categorias tradicionalmente associadas às proteínas, o ingrediente passa a ser desenvolvido para produtos de consumo cotidiano, com formulações adaptadas às características e às condições de processamento de cada categoria.

Fonte: Mercado & Consumo
Foto de Alex Saks na Unsplash

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