Bebidas com THC avançam no mercado dos Estados Unidos

As bebidas com THC entraram no centro de uma discussão que pode mudar a configuração do mercado de bebidas nos Estados Unidos. Representantes do varejo e da distribuição de bebidas alcoólicas passaram a apoiar uma proposta no Congresso norte-americano que cria regras específicas para produtos com THC derivado do cânhamo, incluindo limites de dosagem, idade mínima, tributação e um sistema de distribuição semelhante ao adotado pelo setor de álcool.
O movimento aproxima dois segmentos que, até então, seguiam trajetórias regulatórias distintas nos Estados Unidos: a indústria tradicional de bebidas e o mercado de produtos derivados do cânhamo.
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No centro da discussão está o Beverage Regulatory Parity Act, projeto bipartidário apresentado pelos deputados Beth Van Duyne, republicana do Texas, e Greg Landsman, democrata de Ohio.
Projeto cria regras para bebidas com THC
A proposta pretende estabelecer uma exceção para as bebidas com THC derivado do cânhamo diante das restrições federais previstas para produtos intoxicantes da planta.
Pelo projeto, adultos com 21 anos ou mais poderiam comprar e consumir bebidas de cânhamo com até 5 miligramas de THC intoxicante total por porção.
Outro ponto é a adoção de um sistema de distribuição em três níveis, inspirado na estrutura utilizada pelo mercado norte-americano de bebidas alcoólicas. O projeto também prevê mecanismos de tributação e regulamentação para a categoria.
Na prática, a proposta busca inserir as bebidas derivadas do cânhamo em uma estrutura regulatória semelhante àquela que já organiza a distribuição e a comercialização de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos.
Indústria de bebidas entra no debate regulatório
A participação de representantes tradicionais do setor amplia a dimensão econômica da discussão. Entre as organizações que apoiam a iniciativa está a Wine & Spirits Wholesalers of America (WSWA), entidade que representa distribuidores de vinhos e destilados no país.
Dawson Hobbs, vice-presidente executivo de assuntos governamentais da organização, defendeu que bebidas de cânhamo com dosagem adequada sejam inseridas em um mercado regulamentado de bebidas para adultos, em vez de permanecerem em um ambiente de incerteza jurídica.
O posicionamento mostra como as bebidas com THC começam a ocupar espaço também na agenda de organizações ligadas ao mercado convencional de bebidas.
A discussão vai além da permanência desses produtos nas prateleiras. O debate envolve a definição de regras para distribuição, venda, tributação e controle de acesso por idade, pontos que podem determinar como a categoria será estruturada nos Estados Unidos.
Mudança federal ameaça derivados do cânhamo
A movimentação ocorre em meio a mudanças na legislação norte-americana sobre os derivados do cânhamo.
O Farm Bill de 2018 legalizou em âmbito federal o cânhamo e seus derivados com menos de 0,3% de delta-9 THC em peso seco. Alterações posteriores, porém, estabeleceram uma nova definição federal que pode restringir de maneira significativa a comercialização de produtos intoxicantes derivados da planta.
Pelas regras previstas, somente produtos contendo até 0,4 miligrama de THC total por embalagem permaneceriam enquadrados na definição federal permitida após 12 de novembro de 2026.
O limite pode retirar do mercado parte das bebidas e de outros produtos atualmente comercializados com THC derivado do cânhamo.
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O cenário ainda está em discussão no Congresso. Em agosto, o Senado avançou com uma medida destinada a adiar a entrada em vigor das novas restrições, ampliando o prazo para que os parlamentares discutam uma alternativa regulatória. O adiamento ainda depende do processo legislativo e da conciliação com a Câmara dos Representantes.
Bebidas com THC buscam regras próprias nos EUA
O Beverage Regulatory Parity Act representa uma das tentativas de separar as bebidas com THC derivado do cânhamo de uma eventual restrição mais ampla aos produtos da categoria.
A proposta incorpora mecanismos já utilizados pela indústria de bebidas alcoólicas e estabelece parâmetros específicos para esses produtos. Além da idade mínima e dos limites de dosagem, diferentes propostas em discussão no Congresso abordam aspectos como fabricação, testes laboratoriais, rotulagem, tributação e controles sobre a comercialização.
A entrada de distribuidores, varejistas e organizações ligadas ao mercado de álcool também modifica a composição do debate. A discussão sobre derivados do cânhamo deixa de envolver exclusivamente empresas ligadas à cannabis e passa a contar com agentes tradicionais da cadeia de bebidas.
Com diferentes propostas em análise no Congresso, a definição das regras será determinante para a permanência das bebidas com THC no mercado norte-americano. O avanço do debate também indicará se a categoria terá uma estrutura regulatória própria, inspirada no modelo já utilizado pela indústria de bebidas alcoólicas.
Fonte: Sechat
Foto de Egor Myznik na Unsplash




