Bebidas vegetais faturam R$ 842 milhões no Brasil

O mercado brasileiro de bebidas vegetais movimentou R$ 842 milhões em vendas no varejo em 2025, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Apesar do aumento no faturamento, o volume comercializado permaneceu praticamente estável, com pouco mais de 64 milhões de litros vendidos. Os dados são da Euromonitor International, divulgados pelo Good Food Institute (GFI Brasil), e mostram que a categoria cresceu em valor sem registrar uma expansão equivalente na quantidade comercializada.
Outro destaque é a mudança na composição das vendas. As bebidas elaboradas com ingredientes diferentes da soja, como aveia, amêndoas e castanhas, responderam por 61% do faturamento em 2025, ante 17% em 2018. Em sete anos, a participação dessas alternativas aumentou 44 pontos percentuais.
Bebidas vegetais crescem em valor, mas não em volume
A diferença entre o crescimento do faturamento e a estabilidade do volume vendido é um dos principais resultados do levantamento.
Embora a receita tenha aumentado 13%, a quantidade comercializada permaneceu próxima à registrada em 2024. Isso indica que o desempenho financeiro da categoria não foi acompanhado por um crescimento proporcional do consumo em litros.
A mudança na composição das vendas ajuda a contextualizar esse resultado. Segundo o GFI Brasil, a diversificação das matérias-primas e a entrada de novas marcas, especialmente a partir de 2019, contribuíram para o desenvolvimento da categoria.
Produtos elaborados com aveia, amêndoas e castanhas passaram a representar uma parcela maior do faturamento, alterando a participação das diferentes bases vegetais nas vendas.
Essa transformação também pode influenciar o valor médio comercializado, uma vez que as formulações apresentam custos, posicionamentos e preços distintos.
O levantamento, porém, não permite determinar quanto do crescimento de 13% decorreu de reajustes de preços ou da mudança no perfil dos produtos vendidos.
Aveia, amêndoas e castanhas representam 61% das vendas
A soja teve papel importante na formação do mercado brasileiro de bebidas vegetais, mas passou a dividir espaço com uma variedade maior de ingredientes.
Em 2018, as bebidas produzidas com bases diferentes da soja representavam 17% do faturamento da categoria. Em 2025, essa participação chegou a 61%, segundo as estimativas da Euromonitor International.
O indicador considera o valor das vendas ao consumidor final, em reais, e não o volume comercializado.
Na avaliação do GFI Brasil, essa mudança está associada à diversificação das formulações e à oferta de produtos com diferentes características sensoriais e nutricionais.
A indústria passou a explorar combinações de ingredientes e aplicações que vão além do consumo direto, incluindo o preparo de cafés, receitas e bebidas com características específicas de textura.
Um exemplo é a bebida Almond Breeze Amêndoa & Aveia, apresentada no Brasil em 2023. O produto combina as duas matérias-primas em uma formulação desenvolvida para consumo direto e utilização em receitas.
Mais recentemente, em agosto de 2026, a marca anunciou sua primeira bebida proteica vegetal no Brasil, com 15 gramas de proteína por porção de 250 mililitros, além de vitaminas e cálcio.
Os exemplos mostram como as fabricantes têm diversificado suas formulações, mas não permitem identificar qual ingrediente lidera as vendas nacionais. O levantamento do GFI Brasil reúne as bases diferentes da soja em um mesmo grupo.
Preço e perfil nutricional são desafios para bebidas vegetais
Apesar do crescimento do faturamento, a estabilidade no volume comercializado indica que ampliar o acesso aos produtos continua sendo uma questão importante para a indústria.
Segundo o GFI Brasil, a expansão da categoria depende de melhorias em sabor, textura e perfil nutricional, além de ganhos de escala e eficiência produtiva que contribuam para reduzir a diferença de preço em relação ao leite convencional.
As características das bebidas variam conforme a matéria-prima utilizada, a formulação e os processos industriais.
Bebidas à base de soja, aveia, amêndoas ou castanhas podem apresentar diferenças relevantes na quantidade de proteínas, carboidratos e gorduras. A adição de vitaminas e minerais também influencia o perfil nutricional dos produtos.
Por isso, as bebidas vegetais não devem ser consideradas nutricionalmente equivalentes entre si ou ao leite de origem animal.
Para os fabricantes, o desenvolvimento de formulações envolve equilibrar composição nutricional, características sensoriais, estabilidade e custo de produção.
A escolha dos ingredientes também precisa considerar a aplicação pretendida, seja para consumo direto, preparo de receitas ou utilização em cafeterias e estabelecimentos de alimentação fora do lar.
Distribuição e inovação influenciam a categoria
Além da formulação, a presença dos produtos nos pontos de venda é outro fator importante para o desenvolvimento das bebidas vegetais.
Em agosto de 2025, o BHBFood noticiou que a A Tal da Castanha havia atingido 38% de participação em volume no mercado brasileiro de bebidas vegetais, segundo dados da NielsenIQ referentes a julho daquele ano.
Na ocasião, a empresa informou que suas embalagens de um litro haviam passado de 6 mil pontos de venda, em 2021, para mais de 48 mil em 2025.
A ampliação da distribuição foi acompanhada pela diversificação do portfólio, com bebidas elaboradas a partir de diferentes combinações de castanhas, versões destinadas ao preparo de cafés e produtos com maior teor de proteína.
Esses movimentos mostram como as empresas têm trabalhado diferentes aspectos da categoria, desde a presença no varejo até o desenvolvimento de produtos para ocasiões específicas de consumo.
Entretanto, os resultados individuais das marcas não devem ser confundidos com o desempenho geral do setor. Os dados da NielsenIQ citados pela BHBFood referem-se à participação em volume de uma empresa em julho de 2025, enquanto o levantamento da Euromonitor apresenta estimativas anuais de faturamento e volume para toda a categoria.
O que os dados indicam para a indústria de bebidas vegetais?
O faturamento de R$ 842 milhões em 2025 mostra a dimensão econômica das bebidas vegetais no varejo brasileiro. Ao mesmo tempo, a estabilidade na quantidade vendida indica que o aumento da receita não se traduziu em maior consumo em litros.
A mudança mais expressiva está na composição do faturamento. Em sete anos, as bebidas produzidas com ingredientes diferentes da soja passaram de 17% para 61% das vendas em valor.
Para fabricantes de bebidas e fornecedores de ingredientes, os resultados reforçam a importância de acompanhar a competitividade de preços, a eficiência produtiva, o perfil nutricional e a experiência sensorial.
A ampliação da distribuição também pode contribuir para tornar os produtos mais acessíveis a diferentes públicos.
Na avaliação do GFI Brasil, reduzir o diferencial de preço em relação aos produtos convencionais será importante para que a categoria consiga transformar o crescimento do faturamento em aumento efetivo do volume comercializado.
Perguntas frequentes sobre bebidas vegetais
Quanto faturou o mercado de bebidas vegetais em 2025?
As vendas no varejo brasileiro totalizaram R$ 842 milhões em 2025, segundo estimativas da Euromonitor International divulgadas pelo GFI Brasil.
Quanto cresceram as vendas de bebidas vegetais?
O faturamento aumentou 13% em relação a 2024. Em volume, as vendas permaneceram praticamente estáveis, com pouco mais de 64 milhões de litros comercializados.
Qual é a participação das bebidas vegetais sem soja?
As bebidas elaboradas com ingredientes diferentes da soja representaram 61% do faturamento da categoria em 2025, ante 17% em 2018.
Quais ingredientes são utilizados nas bebidas vegetais?
Entre as bases utilizadas estão soja, aveia, amêndoas e castanhas. As características nutricionais e sensoriais variam conforme a formulação.
Quais são os desafios para a indústria de bebidas vegetais?
Segundo o GFI Brasil, os desafios incluem melhorar sabor, textura e perfil nutricional, ampliar a eficiência produtiva e reduzir a diferença de preços em relação ao leite convencional.
Fonte principal: Dados de Mercado – GFI Brasil
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