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Desenvolvida na UFPB, barra sem aditivos tem 14% de proteína

A barra sem aditivos da UFPB alcança 14% de proteína na composição, custa cerca de R$ 0,85 por unidade e teve pedido de patente protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba, a formulação utiliza apenas quatro ingredientes e não se enquadra na categoria de ultraprocessados.

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O produto foi criado no Departamento de Engenharia de Alimentos (DEA) da Universidade Federal da Paraíba e teve o pedido de patente registrado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, por meio da Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA).

Formulação simples e teor proteico elevado

A barra sem aditivos da UFPB é composta por melado de cana, aveia integral em flocos, amendoim torrado sem sal e leite integral em pó. Não há adição de corantes, aromatizantes, conservantes ou emulsificantes.

Cada unidade de 39 gramas fornece 5,6 gramas de proteína, o equivalente a 14% do produto. O percentual é superior ao de barras convencionais sabor castanhas ou amendoim, que costumam variar entre 5% e 6% de proteína na composição.

O teor permite a alegação “fonte de proteínas”, conforme os critérios da Instrução Normativa nº 75/2020 da Anvisa, que estabelece mínimo de 5 gramas por porção para essa declaração.

Fora da categoria de ultraprocessados

Por não conter aditivos alimentares, a barra sem aditivos da UFPB não se enquadra na categoria de alimentos ultraprocessados — segmento que concentra grande parte das barras industrializadas disponíveis no varejo.

A escolha por uma formulação enxuta foi um dos pilares do projeto. Além de reduzir a complexidade industrial, a proposta busca oferecer alternativa com perfil nutricional equilibrado e menor custo.

Custo estimado de R$ 0,85 por unidade

Durante o desenvolvimento, realizado entre 2022 e 2023, o custo estimado de produção da barra já embalada foi de R$ 0,85 por unidade.

No mesmo período, produtos similares de 30 gramas eram comercializados por aproximadamente R$ 3,50 em João Pessoa. A diferença reforça o potencial competitivo da barra sem aditivos da UFPB, especialmente em iniciativas de segurança alimentar ou compras institucionais.

Os ingredientes foram selecionados também pelo perfil proteico: o amendoim torrado contém cerca de 27% de proteína, o leite em pó integral 26% e a aveia integral 16%. O melado de cana atua como agente ligante natural, conferindo estrutura e estabilidade ao produto.

Origem do projeto e pedido de patente

A iniciativa teve início em 2021, quando o professor Ian Nóbrega conheceu o trabalho da Comunidade Filhos da Misericórdia, em João Pessoa, que distribui refeições para pessoas em situação de rua. O desafio era desenvolver um alimento compacto, estável e com alta densidade energética e nutricional.

Em 2022, o projeto foi estruturado como Trabalho de Conclusão de Curso da graduanda Priscila Guilhen, sob orientação de Nóbrega. O pedido de patente foi protocolado pela INOVA, com participação também da professora Solange Sousa e do professor Gilsandro Costa.

Produção escalável e aceitação sensorial

Segundo os pesquisadores, a produção da barra sem aditivos da UFPB pode ser realizada em pequena ou larga escala, com baixo consumo de energia e sem necessidade de equipamentos complexos.

Em 2023, a patente chegou a ser apresentada a uma indústria de médio/grande porte da capital paraibana, mas a comercialização ainda não foi efetivada.

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Em teste sensorial com 47 provadores, 70% atribuíram notas 8 ou 9 em escala de nove pontos, e nenhuma avaliação ficou abaixo de 6. Na intenção de compra, 83% afirmaram que comprariam o produto.

Para a indústria de alimentos, o caso evidencia oportunidades em formulações com menos ingredientes, custo reduzido e posicionamento alinhado à demanda por produtos menos processados — movimento relevante tanto no varejo quanto no foodservice institucional.

Fonte: Food Biz
Foto: Acervo Pessoal de Ian Nóbrega / Reprodução

Luiza Cazetta

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