Sensor de vitamina C promete análises em segundos

Um sensor de vitamina C desenvolvido por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos pode simplificar o monitoramento da qualidade de alimentos. Baseada em nanomateriais que imitam a ação de enzimas naturais, a tecnologia identifica a presença e a concentração do nutriente em menos de um minuto, sem a necessidade de equipamentos laboratoriais complexos.
O dispositivo foi testado em diferentes tipos de suco de laranja e apresentou alta precisão, além de resistência à interferência de substâncias comuns presentes nos alimentos, como açúcares, sais e compostos orgânicos.
Sensor de vitamina C utiliza nanoenzimas
O sistema foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Drexel, nos Estados Unidos.
A tecnologia combina nanofibras de óxido de zinco e óxido de cobalto com MXenes, materiais bidimensionais considerados promissores para aplicações em nanotecnologia.
O resultado é um sensor colorimétrico capaz de indicar a concentração de vitamina C por meio da mudança de cor da solução. Ao entrar em contato com o reagente tetrametilbenzidina (TMB), o material adquire coloração azul. Na presença de ácido ascórbico, essa cor perde intensidade de acordo com a quantidade do nutriente presente na amostra.
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Tecnologia reduz tempo e custo das análises
Segundo os pesquisadores, o sensor de vitamina C permite análises rápidas utilizando pequenas quantidades de amostra e de material, reduzindo custos e dispensando métodos laboratoriais tradicionais, como cromatografia, eletroforese e técnicas eletroquímicas.
Nos testes realizados com sucos de laranja natural, industrializado e em pó, o dispositivo apresentou resultados próximos de 100% de precisão.
Outro diferencial foi a alta seletividade. Açúcares, sais e outros compostos presentes nos alimentos não interferiram significativamente nas medições, característica considerada essencial para aplicações na indústria de alimentos.
MXenes ampliam aplicações da nanotecnologia
Os MXenes são materiais ultrafinos descobertos em 2011 e vêm despertando interesse da comunidade científica por características como alta condutividade elétrica, estabilidade química, resistência mecânica e facilidade de dispersão em água.
Segundo estimativas de mercado citadas pelos pesquisadores, o segmento de materiais baseados em MXenes deve crescer de aproximadamente US$ 25 milhões em 2025 para mais de US$ 228 milhões até 2034, impulsionado por aplicações nas áreas de saúde, meio ambiente, agricultura e armazenamento de energia.
No entanto, o uso desses materiais como nanoenzimas ainda é pouco explorado, tornando o novo sensor uma aplicação inédita para essa tecnologia.
Inovação pode ampliar controle de alimentos
Além da análise de alimentos, os pesquisadores acreditam que o sensor de vitamina C poderá ser adaptado para outras aplicações, incluindo o monitoramento de fluidos biológicos, apoio a diagnósticos médicos e desenvolvimento de novos sensores químicos e biológicos.
A expectativa da equipe é avançar na miniaturização do sistema para criar dispositivos portáteis de baixo custo e fácil utilização, ampliando o acesso a análises rápidas em diferentes setores.
Segundo os pesquisadores, a inovação também abre caminho para novas soluções voltadas à segurança alimentar, ao controle de qualidade e ao monitoramento ambiental, demonstrando o potencial da nanotecnologia para transformar métodos tradicionais de análise.
Fonte: Embrapa
Foto: Gabriel Morais / Reprodução



