Consumo de suplementos cresce entre mulheres

O consumo de suplementos no Brasil avançou nos últimos anos e ganhou força entre mulheres, que hoje lideram a categoria. Dados da segunda edição da Pesquisa de Mercado ABIAD “Hábitos de Consumo de Suplementos Alimentares no Brasil”, publicada em 2020, apontam crescimento de 10% em relação ao levantamento anterior, de 2015. Os produtos estão presentes em 59% dos lares brasileiros.
Entre setembro de 2020 e dezembro de 2022, o aumento foi superior a 23%. Estudo da Famivita indica que 35% das mulheres entrevistadas afirmam utilizar algum tipo de suplementação, e 80% acreditam que esses produtos contribuem para a promoção da saúde.
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Consumo de suplementos reflete mudança no perfil feminino
O avanço do consumo de suplementos acompanha a consolidação do mercado de wellness, que engloba saúde física, mental e equilíbrio do cotidiano.
Para Sandro Botta, CEO da Hilê Indústria de Alimentos, o crescimento está associado a uma consumidora mais informada e criteriosa.
“Hoje, elas avaliam não apenas o ingrediente, mas também a marca, a indústria responsável pela formulação e os controles de qualidade envolvidos”, afirma.
Segundo o executivo, a suplementação deixou de ser vista como solução pontual e passou a integrar rotinas estruturadas, com foco em uso contínuo e alinhamento regulatório.
Transparência e regularização ganham peso
O consumo de suplementos também vem acompanhado de maior atenção à regularização e à rotulagem. A verificação de conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou-se critério de decisão.
“Informações claras sobre ingredientes, dosagens, origem e orientações de uso permitem decisões mais conscientes”, destaca Botta.
Esse movimento desloca o foco do preço para critérios técnicos, como rastreabilidade, estabilidade e coerência entre proposta e formulação.
Novo marco regulatório eleva exigências
Nos últimos anos, o setor passou por ajustes regulatórios relevantes. Em setembro de 2024, entrou em vigor a RDC 843/2024, que reorganiza o modelo de regularização de suplementos no país, com critérios diferenciados por risco.
A partir de setembro de 2026, os produtos deverão apresentar testes de estabilidade que comprovem a manutenção das quantidades declaradas no rótulo durante todo o prazo de validade.
Para o mercado, a mudança tende a elevar o padrão técnico e estimular revisão de portfólio. Ingredientes com histórico consolidado e documentação robusta ganham espaço diante de um ambiente regulatório mais rigoroso.
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Óleos vegetais e formulações para saúde feminina
Dentro do consumo de suplementos voltados à saúde feminina, óleos vegetais como prímula (Oenothera biennis L.) e borragem (Borago officinalis L.) permanecem relevantes. Ambos são fontes naturais de ácido gama-linolênico (GLA), associado a processos fisiológicos do organismo.
Segundo a Hilê, esses ingredientes costumam integrar formulações destinadas a diferentes fases da vida da mulher, frequentemente combinados a outros ativos, como o L-triptofano, em propostas de cuidado ampliado.
A consolidação do consumo de suplementos entre mulheres indica um mercado mais técnico, regulado e atento à transparência — cenário que exige das indústrias investimento em comprovação, qualidade e posicionamento consistente.
Fonte: mtagora
Foto de Mika Baumeister na Unsplash




