Cooperação agrícola entre Brasil e Panamá inclui 3 culturas

Brasil e Panamá assinaram três memorandos de entendimento para ampliar a cooperação agrícola nas cadeias produtivas de coco, cacau e castanha de caju. Os acordos, formalizados em 28 de outubro de 2026, contemplam intercâmbio de conhecimentos, melhoramento genético, capacitação técnica e aproveitamento de subprodutos.
A iniciativa busca fortalecer a produção agrícola panamenha com apoio da experiência brasileira nessas culturas. Para a indústria de alimentos, a parceria também apresenta possibilidades relacionadas ao processamento de matérias-primas, à diversificação de ingredientes e à bioeconomia circular.
Os documentos foram assinados pelo vice-ministro do Desenvolvimento Agropecuário do Panamá, José Aníbal Rincón, e pelo vice-ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Cleber Oliveira Soares.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agropecuário do Panamá (MIDA), técnicos brasileiros deverão visitar o país para conhecer as condições produtivas locais e capacitar profissionais envolvidos nas três cadeias.
Cooperação agrícola prevê transferência de tecnologia
Os novos memorandos dão continuidade à aproximação entre os dois países no setor agropecuário.
O Brasil já mantém cooperação com o Panamá no fornecimento de material genético para culturas como coco, café robusta e caju. Em junho de 2026, os governos também formalizaram requisitos fitossanitários para a comercialização de sementes de café, coco e soja do Brasil para o mercado panamenho.
Na ocasião, as autoridades discutiram a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na cooperação técnica voltada ao cacau.
A proposta envolve a atuação da instituição brasileira em conjunto com o MIDA e o Instituto de Inovação Agropecuária do Panamá (IDIAP), com foco no desenvolvimento da cadeia produtiva.
A participação da Embrapa foi anunciada durante a preparação do acordo, mas o governo panamenho ainda não detalhou um cronograma específico para a execução dessas atividades.
Cacau é uma das prioridades da parceria
O desenvolvimento da produção de cacau está entre os principais interesses do Panamá na cooperação com o Brasil.
O país possui iniciativas voltadas ao cultivo de cacau fino e aromático, matéria-prima utilizada na fabricação de chocolates com características sensoriais específicas.
Para esse segmento, a qualidade dos grãos depende de fatores como genética, manejo agrícola, fermentação e secagem.
Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), a fermentação e a secagem são etapas importantes para o desenvolvimento das características sensoriais e para a conservação da matéria-prima.
A transferência de conhecimentos técnicos pode contribuir para aprimorar esses processos e ampliar a regularidade dos grãos destinados ao processamento industrial.
No Brasil, a diversificação de aplicações também faz parte das estratégias das empresas do setor. Um exemplo é o lançamento de achocolatado e chocolate em pó com 50% de cacau pelo Brownie do Luiz, apresentado pelo BHBFood em agosto.
Produção de cacau envolve mais de 2 mil agricultores
Dados oficiais do MIDA mostram que o Panamá produziu 562 toneladas de cacau no ciclo agrícola 2022–2023, com uma área plantada de 6.073 hectares e participação de 2.170 produtores.
No mesmo período, a atividade contribuiu com 50,1 milhões de balboas, equivalentes a aproximadamente US$ 50,1 milhões, em bens e serviços agropecuários.
O indicador, apresentado no relatório agrícola 2022–2023 do MIDA, foi calculado com base na estrutura de custos de produção, não devendo ser interpretado como faturamento da indústria de chocolates.
O documento também identificou dificuldades relacionadas ao manejo das plantações, à disponibilidade de materiais genéticos com maior tolerância a doenças e aos recursos destinados à capacitação.
Entre as recomendações apresentadas pelo ministério estão a formação de bancos de germoplasma e a adoção de tecnologias que contribuam para melhorar a produtividade e a qualidade dos grãos.
Essas necessidades ajudam a explicar o interesse do país na cooperação técnica com instituições brasileiras.
Coco reúne oportunidades para alimentos e bebidas
O coco é outra matéria-prima contemplada pelos acordos. Seu processamento permite obter diferentes produtos destinados à indústria de alimentos e bebidas, incluindo água de coco, leite de coco, creme, óleo e farinha.
Além dessas aplicações, a cultura oferece possibilidades de aproveitamento de resíduos agrícolas e industriais.
As fibras podem ser utilizadas na fabricação de substratos, enquanto partes da casca apresentam aplicações na produção de carvão ativado e outros materiais.
A versatilidade do coco também pode ser observada em formulações desenvolvidas pela indústria brasileira. Entre os exemplos está o TCM de coco lançado pela Sylvestre Ingredientes, destinado a aplicações em bebidas, suplementos e produtos proteicos.
A cooperação com o Brasil poderá incluir o compartilhamento de conhecimentos sobre variedades, técnicas de cultivo e manejo, aspectos importantes para o desenvolvimento da produção panamenha.
Projeto com coco-anão brasileiro já está em desenvolvimento
Antes da assinatura dos memorandos, o Panamá havia anunciado uma iniciativa específica para o cultivo de coco-anão brasileiro.
O projeto é desenvolvido pela empresa panamenha Campo Las Cabras, com apoio técnico, genético e comercial da brasileira COHIBRA, na província de Herrera.
Segundo comunicado do MIDA publicado em 7 de outubro, a etapa inicial prevê o plantio progressivo de 60 hectares de coco-anão brasileiro no distrito de Pesé, com perspectiva de alcançar 200 hectares nos próximos anos.
A iniciativa é independente dos três memorandos assinados posteriormente, mas demonstra o interesse do setor produtivo panamenho em utilizar materiais genéticos e conhecimentos brasileiros.
Para a agroindústria local, a ampliação da produção poderá favorecer o desenvolvimento de atividades de beneficiamento, desde que acompanhada de infraestrutura, capacidade de processamento e demanda comercial.
Castanha de caju permite diversificar produtos
Na cadeia do caju, a cooperação deverá considerar a experiência brasileira em cultivo e beneficiamento, especialmente no Nordeste, região com tradição na produção da matéria-prima.
A castanha de caju pode ser comercializada para consumo direto ou utilizada como ingrediente em barras, produtos de panificação, confeitaria e outras formulações alimentícias.
A utilização desse ingrediente em diferentes categorias pode ser observada em produtos disponíveis no mercado brasileiro, como as pastas de castanha-de-caju da DaColônia, desenvolvidas em versões integral, com cacau e com coco.
O pedúnculo, conhecido popularmente como caju, também apresenta aplicações industriais.
A matéria-prima pode ser processada para a fabricação de sucos, doces, geleias e bebidas fermentadas, ampliando as possibilidades de aproveitamento da cultura.
Além dos produtos alimentícios, o líquido extraído da casca da castanha possui aplicações na indústria química, incluindo a fabricação de resinas e revestimentos.
O compartilhamento de tecnologias de processamento poderá contribuir para que produtores panamenhos conheçam alternativas de utilização das diferentes partes da planta.
Entretanto, os memorandos não estabelecem volumes de produção nem investimentos específicos em unidades industriais.
Bioeconomia circular integra os acordos
O aproveitamento de subprodutos agrícolas é um dos pontos destacados pelo governo panamenho na apresentação da parceria.
Nas cadeias de coco, cacau e caju, materiais que não são utilizados no produto principal podem apresentar aplicações em outros processos produtivos.
Cascas, fibras, polpas e outros resíduos podem servir como matérias-primas para a produção de ingredientes, fertilizantes, energia ou materiais industriais, dependendo de suas características e das tecnologias disponíveis.
Essa abordagem está relacionada à bioeconomia circular, que busca aproveitar recursos biológicos de maneira mais eficiente e reduzir a geração de resíduos.
Para a indústria de alimentos, o tema envolve tanto a gestão de matérias-primas quanto o desenvolvimento de processos capazes de transformar subprodutos em novos insumos.
No Brasil, iniciativas de aproveitamento integral do cacau também fazem parte das discussões sobre diversificação de produtos e utilização de frações da matéria-prima que tradicionalmente recebem menor atenção industrial.
Os acordos entre Brasil e Panamá também mencionam o potencial das três culturas para atividades de reflorestamento.
Nesse caso, a aplicação de sistemas produtivos associados à recuperação de áreas dependerá das condições ambientais e das práticas de manejo adotadas.
Próximas etapas dependem de projetos específicos
A assinatura dos memorandos estabelece uma base institucional para a cooperação, mas não representa a implementação imediata de novas fábricas ou o início de investimentos industriais.
O governo panamenho anunciou a previsão de visitas de técnicos brasileiros e atividades de capacitação. Outras iniciativas deverão ser definidas conforme o planejamento das instituições participantes.
Para que os conhecimentos compartilhados resultem em mudanças na produção, serão necessárias etapas como testes de campo, assistência técnica, organização dos produtores e avaliação das condições de processamento.
A parceria poderá contribuir para o desenvolvimento das três cadeias produtivas, mas seus resultados dependerão da execução dos projetos previstos e da capacidade de integrar produção agrícola, tecnologia e mercado.
Perguntas frequentes sobre cooperação agrícola
O que prevê a cooperação agrícola entre Brasil e Panamá?
Os países assinaram três memorandos para desenvolver as cadeias de coco, cacau e castanha de caju, com foco em intercâmbio técnico, melhoramento genético, capacitação e aproveitamento de subprodutos.
Quando os acordos foram assinados?
Os memorandos foram assinados em 28 de outubro de 2026, conforme comunicado oficial do Ministério do Desenvolvimento Agropecuário do Panamá.
Qual será o papel da Embrapa?
A Embrapa foi citada pelo governo panamenho como uma das instituições brasileiras previstas na cooperação técnica para o cacau. As atividades específicas ainda dependem de detalhamento.
Qual é a produção de cacau do Panamá?
No ciclo agrícola 2022–2023, o país produziu 562 toneladas de cacau, segundo o MIDA. O indicador é histórico e não representa a produção de 2026.
Quais aplicações industriais estão relacionadas ao coco e ao caju?
O coco pode ser utilizado em bebidas, óleos, cremes e farinhas. O caju permite produzir castanhas beneficiadas, sucos, doces e outros alimentos, além de subprodutos para aplicações não alimentícias.
Os memorandos incluem investimentos industriais?
Os comunicados oficiais confirmam a cooperação técnica, mas não apresentam valores de investimento ou compromissos específicos de construção de unidades industriais.
Fonte: www.foodnewslatam.com
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