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Mercado de drinque pronto pode chegar a R$ 4,1 bilhões

O mercado de drinque pronto no Brasil deve movimentar R$ 4,1 bilhões até 2029, impulsionado pelo avanço do consumo entre públicos mais jovens, pela diversificação de portfólio das grandes fabricantes e pela ampliação das ocasiões de consumo. A categoria de bebidas prontas para beber, conhecida como RTD (“ready to drink”), vem ganhando espaço estratégico dentro da indústria de bebidas alcoólicas.

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Dados da Euromonitor apontam que a produção de RTDs no país deve alcançar 2,286 milhões de hectolitros até 2029, crescimento de 27,8% em relação aos 1,789 milhões registrados em 2024. Considerando o valor médio de R$ 1.800 por hectolitro, o segmento pode sair de R$ 3,2 bilhões para R$ 4,1 bilhões em cinco anos.

Drinque pronto ganha força entre consumidores jovens

Embora a categoria exista há mais de duas décadas no Brasil, os últimos anos marcaram uma aceleração importante no consumo. Marcas como Beats, da Ambev, e Smirnoff Ice, da Diageo, ajudaram a ampliar a presença do drinque pronto em diferentes perfis de consumo.

Segundo Daniela Cachich, presidente da divisão de bebidas não alcoólicas, prontas para consumo e vinhos da Ambev América do Sul, o segmento funciona como uma porta de entrada para novos consumidores. Isso acontece porque bebidas mais leves e aromatizadas tendem a reduzir a barreira de entrada criada pelo amargor tradicional da cerveja.

A executiva afirmou ainda que 11% dos novos consumidores de Beats são pessoas que antes não consumiam produtos da categoria alcoólica da companhia.

Inovação e “premiumização” impulsionam o segmento

O avanço do drinque pronto também acompanha mudanças no comportamento de consumo. Empresas do setor passaram a investir em versões com menos açúcar, menos calorias e ingredientes alinhados às tendências de bem-estar.

A Missiato, conhecida por marcas como Corote e Cachaça 61, lançou recentemente a linha Corote Drinks ICE Ultra, com 3% de teor alcoólico, 40% menos calorias, menos açúcar e zero glúten. Entre os sabores disponíveis está uma versão de lichia.

Segundo João Paulo Modulo, head de marketing da empresa, a indústria precisou adaptar produtos e linguagem para acompanhar novos hábitos de consumo. A busca por bebidas consideradas mais leves e compatíveis com diferentes momentos do dia passou a influenciar diretamente o desenvolvimento das marcas.

Minas Gerais se consolida como polo de RTDs

O crescimento do drinque pronto também abriu espaço para marcas regionais. Minas Gerais se tornou um dos principais polos de inovação da categoria, especialmente após a retração do mercado de cervejas artesanais no Estado.

Uma das empresas que cresceram nesse cenário foi a Lambe Lambe, fundada em 2019. A companhia encerrou o Carnaval de 2026 com faturamento recorde de R$ 1,8 milhão durante o período, alta de 30% frente ao ano anterior.

Segundo Kalinka Campos, sócia executiva da marca, a tradição mineira em bebidas artesanais ajudou a criar um ambiente favorável para novas propostas dentro do mercado de RTDs.

Copa do Mundo deve acelerar vendas de drinque pronto

A expectativa da indústria é que a Copa do Mundo funcione como um catalisador para o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil em 2026. Pesquisa do Citi aponta que 58% dos brasileiros pretendem aumentar o consumo de álcool durante o torneio, percentual acima da média global, de 50%.

Apesar da cerveja ainda liderar a preferência dos consumidores, outras categorias devem se beneficiar do movimento, incluindo o drinque pronto. Segundo Renata Cabral, analista do Citi, o mercado brasileiro ainda tem participação pequena quando comparado a países como Estados Unidos e Austrália, mas apresenta forte potencial de crescimento.

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O que o avanço dos RTDs sinaliza para a indústria

O crescimento do drinque pronto reforça uma mudança mais ampla no mercado de bebidas alcoólicas: a busca por conveniência, novos sabores e experiências mais alinhadas ao consumo ocasional e social.

Ao mesmo tempo, a categoria se aproxima de tendências já observadas em alimentos e bebidas não alcoólicas, como redução de açúcar, menor teor calórico e segmentação por estilo de vida. Para a indústria, o avanço dos RTDs indica uma disputa crescente por inovação, diferenciação e conexão com consumidores mais jovens.

Fonte: Valor Econômico.
Foto de Adam Jaime na Unsplash

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