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Consumo de alimentos no Brasil desacelera em 2026

O consumo de alimentos no Brasil cresceu 2,5% em termos reais no primeiro semestre de 2026, mas perdeu ritmo ao longo do período. Dados da NielsenIQ reforçam a mudança no comportamento de compra: 66% dos consumidores buscaram marcas mais baratas e cerca de 70% das categorias analisadas tiveram retração de volume no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o crescimento real do consumo, descontada a inflação medida pelo IPCA, foi acompanhado por uma desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre. O faturamento avançou 3,5% no primeiro trimestre, enquanto junho terminou com crescimento de 1,9%.

Os dados do IBGE também apontam avanço moderado dos volumes. Nos hipermercados, a quantidade comercializada cresceu 1,3% no primeiro semestre de 2026.

Consumidores migram para marcas mais baratas

A mudança fica mais evidente nos dados da NielsenIQ referentes ao primeiro trimestre. Além da retração de volume em aproximadamente 70% das categorias analisadas, 66% dos consumidores buscaram alternativas de marcas mais baratas.

Corantes naturais avançam, mas desafiam a indústria

O movimento é conhecido como downtrading e ocorre quando o consumidor substitui produtos ou marcas por opções de menor preço.

A frequência de compra também diminuiu. Segundo o levantamento, 60% das categorias recorrentes na cesta perderam frequência de compra.

Os indicadores mostram, assim, um consumidor que reduz volumes, compara preços e substitui produtos por alternativas mais baratas — comportamento que aumenta a concorrência entre marcas pela participação na cesta de compras.

Atacarejo registra queda nas unidades vendidas

A maior seletividade também chegou ao atacarejo. O formato encerrou o primeiro semestre com faturamento praticamente estável e queda de 2,5% nas unidades vendidas.

No segundo trimestre, o calendário reuniu o início dos jogos da Copa do Mundo em junho, festas juninas, Dia das Mães e Dia dos Namorados. Mesmo nesse período, o fluxo de clientes e os volumes comercializados ficaram negativos.

O desempenho do varejo também apresentou diferenças regionais. Segundo a análise, o mercado de São Paulo permaneceu bastante competitivo, enquanto o Nordeste enfrentou condições macroeconômicas mais desfavoráveis em relação ao Sudeste, principalmente devido à taxa de desemprego mais elevada.

Esse contexto ajuda a explicar a maior redução do volume de vendas observada na região Nordeste em comparação com a média do restante do país.

Assaí e GPA avançam 0,9% nas vendas mesmas lojas

Os resultados das principais empresas do setor mostram diferenças mesmo diante de um ambiente de consumo mais restritivo.

Descontados os efeitos de calendário e da Copa do Mundo, Assaí e GPA registraram crescimento de aproximadamente 0,9% nas vendas mesmas lojas (SSS) no segundo trimestre de 2026. O Grupo Mateus apresentou queda de 8% no mesmo indicador.

No caso do Grupo Mateus, a receita líquida avançou 12,2% no período. Segundo a análise publicada pela Mercado&Consumo, o crescimento esteve relacionado principalmente à consolidação da operação do Novo Atacarejo, além da abertura de lojas e da expansão de outros negócios.

Assaí registra alta de 93,6% no lucro líquido

A análise dos resultados financeiros também mostra desempenhos distintos entre as empresas.

Pela metodologia de earnings momentum, que considera vendas líquidas, margens bruta e operacional e lucro líquido trimestral, o Assaí apresentou o melhor resultado entre as três companhias.

No segundo trimestre, o lucro líquido do Assaí avançou 93,6% na comparação anual. A margem bruta chegou a 17,1%, aumento de 0,4 ponto percentual, enquanto a margem EBITDA ficou em 5,6%, recuo de 0,1 ponto percentual.

O GPA registrou melhora de rentabilidade. A margem bruta avançou 3,1 pontos percentuais, para 30,5%, e a margem EBITDA cresceu 1,7 ponto percentual, alcançando 10,6%. O lucro líquido, no entanto, caiu 15,5% na comparação anual.

Foi o segundo trimestre consecutivo de expansão das margens desde que a empresa entrou com pedido de recuperação extrajudicial.

Já o Grupo Mateus apresentou redução das margens e do lucro. A margem bruta recuou 0,3 ponto percentual, para 23,5%, enquanto a margem EBITDA caiu 1,9 ponto percentual, para 6,9%. O lucro líquido teve queda de 39,3%.

Preço ganha peso no consumo de alimentos

Os indicadores do primeiro semestre mostram uma mudança relevante no consumo de alimentos no Brasil. Embora o mercado tenha registrado crescimento real de 2,5%, a redução dos volumes em diversas categorias e a procura por marcas mais baratas revelam maior atenção ao preço.

Indústria de alimentos cresce 8% e amplia empregos

Para fabricantes de alimentos e bebidas, os números ajudam a dimensionar a disputa pela cesta de compras. Preço, frequência de compra e substituição entre marcas passam a ter peso maior em um mercado no qual o consumidor compara mais antes de decidir o que levar para casa.

Os resultados de Assaí, GPA e Grupo Mateus mostram ainda que o cenário econômico não afetou todas as empresas da mesma forma. No segundo trimestre, diferenças de estratégia, expansão e desempenho operacional também apareceram nos resultados do varejo alimentar.

Fonte: Mercado & Consumo
Foto de Joshua Rawson-Harris na Unsplash

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