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Mercado de marmitas atrai Seara, iFood e grandes empresas

O mercado de marmitas vive um momento de expansão no Brasil e passou a figurar entre as prioridades de grandes empresas do setor de alimentos e tecnologia. Impulsionado pelo retorno ao trabalho presencial, pela busca por economia e pela demanda por refeições práticas, o segmento movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano e atrai investimentos de companhias como Seara e iFood.

Além do avanço das refeições congeladas nos supermercados, empresas têm apostado em novos modelos de distribuição para atender consumidores que levam comida ao trabalho ou buscam alternativas mais acessíveis aos restaurantes.

Retorno ao trabalho presencial fortalece o mercado de marmitas

O crescimento do mercado de marmitas acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Com menos profissionais em home office e mais pessoas retornando aos escritórios, aumentou a procura por refeições prontas que ofereçam praticidade e menor custo.

O cenário também é influenciado pela inflação da alimentação fora do lar. Em 2026, os preços das refeições em restaurantes acumulam alta de 2,76%, após avanço próximo de 7% em 2025. Em muitas cidades, almoçar fora já custa perto de R$ 50, tornando a marmita uma alternativa financeiramente mais atrativa.

Ao mesmo tempo, o hábito deixou de estar associado apenas à economia. Cada vez mais consumidores valorizam o controle sobre os ingredientes, a qualidade nutricional e a praticidade das refeições.

Seara aposta em refeições congeladas para ganhar escala

De olho nesse movimento, a Seara lançou uma linha de marmitas congeladas destinada aos supermercados. A estratégia aproveita a estrutura de distribuição da empresa para ampliar a presença em um mercado tradicionalmente pulverizado.

A linha inicial reúne sete refeições inspiradas na comida caseira, com combinações como carne moída com legumes, frango desfiado, frango com creme de milho e linguiça acebolada, sempre acompanhadas de arroz, feijão e outros complementos.

Segundo Rafael Palmer, diretor de Marketing da Seara, pesquisas realizadas pela empresa apontaram que os consumidores priorizam refeições com sabor de comida feita em casa e ingredientes familiares, além de preços acessíveis.

Seara lança refeições proteicas congeladas no Brasil

A companhia também pretende ampliar o portfólio nos próximos meses, ajustando as opções de acordo com o desempenho de vendas e a recorrência de consumo.

Comida caseira ganha espaço entre consumidores

Levantamento da consultoria Galunion, citado pela Seara, mostra que seis em cada dez consumidores de maior renda passaram a levar refeições preparadas em casa com mais frequência.

Outro fator que contribui para essa tendência é a popularização dos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A maior preocupação com a ingestão de proteínas tem estimulado a procura por marmitas com carnes, ovos e outros ingredientes ricos nesse nutriente.

Esse contexto amplia as oportunidades para fabricantes que conseguem combinar conveniência, perfil nutricional e preço competitivo.

iFood transforma marmitas em estratégia para empresas

O iFood também passou a investir no mercado de marmitas, desta vez por meio da unidade iFood Benefícios, voltada ao segmento corporativo.

Em parceria com a Greentable, a empresa instalou freezers abastecidos com refeições prontas em companhias de diversos setores. Os pratos são vendidos entre R$ 19,99 e R$ 29,99, com desconto para pagamentos realizados pelo vale-refeição da plataforma.

O projeto, que começou como piloto, já atende aproximadamente 400 empresas, incluindo bancos e hospitais. Segundo o iFood, o consumo na cidade de São Paulo chega a cerca de 18 milhões de marmitas por mês, reforçando o potencial de crescimento da categoria.

Crescimento também impulsiona outros setores

A expansão do mercado de marmitas não impacta apenas fabricantes de alimentos. Empresas de eletrodomésticos também adaptaram seus produtos para acompanhar o novo comportamento de consumo.

A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, desenvolveu modelos com maior capacidade de armazenamento no freezer para atender consumidores que congelam refeições para consumo ao longo da semana.

Escalar a operação ainda é um desafio

Apesar do potencial do segmento, ampliar a produção continua sendo um dos principais desafios para as empresas.

A Greentable, por exemplo, produz atualmente entre 250 mil e 300 mil marmitas por mês e afirma que a capacidade operacional é o principal fator que limita uma expansão mais acelerada. Segundo a empresa, o equilíbrio financeiro foi alcançado apenas recentemente, após ajustes na operação e revisão da estratégia de crescimento.

A Liv Up também enfrentou dificuldades durante sua expansão entre 2022 e 2023, mas voltou a crescer após reorganizar o negócio. De acordo com números internos divulgados pela companhia, a receita alcançou R$ 270 milhões no último ano.

Mercado de marmitas entra no radar da indústria

Mais do que uma tendência passageira, o mercado de marmitas passou a representar uma nova ocasião de consumo para a indústria de alimentos. O objetivo das empresas não é substituir o hábito de cozinhar ou os pratos congelados tradicionais, mas atender consumidores que buscam refeições rápidas, equilibradas e com preço competitivo para a rotina de trabalho.

Com mudanças no comportamento do consumidor e novos modelos de distribuição, a expectativa é que o segmento continue atraindo investimentos e ampliando sua participação no mercado brasileiro.

Fonte: InvestNews
Foto de Syamsul Haj na Unsplash

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