Inovação em alimentos une ciência, indústria e regulação

A inovação em alimentos foi o eixo central do evento Embrapa + InnovaReg – Impulsionando o futuro da alimentação por meio da inovação, realizado no dia 22 de outubro em formato on-line. O encontro, promovido pela Embrapa e pela InnovaReg Consultoria, reuniu representantes da indústria, pesquisadores e gestores públicos para discutir como aproximar ciência, negócios e regulação para acelerar o desenvolvimento de produtos sustentáveis e seguros.
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Ciência e regulação caminhando juntas
A abertura foi conduzida pelo jornalista da Embrapa Ricardo Moura, que ressaltou o papel do evento em conectar conhecimento científico às demandas de mercado.
“Nosso foco é transformar pesquisa em inovação, alinhando ciência, negócios e regulação para que soluções tecnológicas cheguem mais rapidamente aos consumidores”, afirmou.
A gerente-adjunta de Parcerias da Embrapa, Simone Sayuri Tsuneda, destacou que o avanço tecnológico depende da cooperação entre pesquisa, indústria e órgãos reguladores. “O desafio é harmonizar a necessidade de inovar com a missão das agências de proteger a saúde pública. A resposta está no diálogo e na ciência”, disse.
Para Marília Ferreira, sócia-fundadora da InnovaReg, a inovação só acontece quando há cooperação real entre os elos do ecossistema. “O Brasil já tem tecnologias de ponta, mas elas precisam chegar ao consumidor. Nosso papel é traduzir a linguagem científica para o ambiente regulatório e empresarial”, afirmou.
Inovação e sustentabilidade a partir da biodiversidade
O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria de Alimentos, André Dutra, apresentou uma vitrine de ativos tecnológicos com foco em ingredientes naturais, proteínas e fibras vegetais, além do aproveitamento integral de resíduos agroindustriais.
Entre os destaques estão produtos à base de fibra de caju, concentrados proteicos de leguminosas como lentilha e grão-de-bico, e corantes naturais de frutas tropicais. “Queremos agregar valor e sustentabilidade às cadeias produtivas, alinhando inovação em alimentos e regulação para que as tecnologias cheguem mais rápido ao mercado”, explicou Dutra.
A pesquisadora Ingrid Vieira Machado de Moraes, da Embrapa Agroindústria Tropical, apresentou resultados obtidos com frutos nativos como caju, baru e babaçu, incluindo óleos e concentrados com potencial cardioprotetor, corantes de genipapo e pitaia e ingredientes prebióticos de yacon. “Trabalhamos para transformar resíduos em ingredientes de alto valor agregado, com base científica e impacto socioeconômico positivo”, afirmou.
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Regulação como motor da inovação
Em palestra sobre “Regulatório como estratégia”, Amanda Poldi, sócia da InnovaReg, reforçou que o cumprimento das normas deve ser visto como diferencial competitivo.
“Regulatório não é obstáculo, é parte da estratégia. A inteligência regulatória precisa estar presente desde o início do desenvolvimento dos produtos”, destacou.
Ela explicou que instrumentos como o reconhecimento de autoridades regulatórias estrangeiras equivalentes (ARE) e o sandbox regulatório vêm acelerando aprovações na Anvisa, ao mesmo tempo em que mantêm a segurança alimentar. “A convergência regulatória e o uso de dados científicos sólidos permitem inovar sem abrir mão da segurança”, completou.
Visão da indústria e oportunidades de parceria
Representando a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o diretor Alexandre Novachi lembrou que o Brasil é hoje o maior exportador mundial de alimentos industrializados, com 41 mil empresas — 94% delas de pequeno e médio porte — e faturamento anual de R$ 1,3 trilhão.
“A indústria de alimentos é motor da economia. Inovação e previsibilidade regulatória são essenciais para manter o país competitivo”, afirmou.
O gerente de Parcerias Privadas da Embrapa, André Bonet, apresentou os modelos de cooperação técnico-científica disponíveis, que incluem cocriação e licenciamento de tecnologias com diferentes níveis de maturidade (TRL 2 a 9). “A combinação de ciência e visão de mercado é o que transforma pesquisa em inovação real”, concluiu.
Números e tecnologias em destaque
Com mais de 200 projetos de inovação aberta, as iniciativas da Embrapa envolvem empresas privadas, startups e cooperativas. Entre as tecnologias apresentadas no evento, destacam-se:
- Fibras de caju desidratadas aplicáveis em produtos plant-based;
- Concentrados proteicos de feijão-carioca, lentilha e grão-de-bico;
- Corantes naturais de genipapo e pitaia com compostos bioativos;
- Óleo de castanha-de-caju com efeito cardioprotetor;
- Concentrado prebiótico de yacon com potencial metabólico;
- Queijos e bebidas vegetais desenvolvidos a partir de amêndoas de caju e babaçu.
Essas soluções seguem princípios de economia circular, agregando valor a resíduos e fortalecendo cadeias regionais.
Dados do setor e avanços regulatórios
De acordo com a ABIA (2024), o setor de alimentos e bebidas conta com:
- 41 mil empresas formais;
- 94% de micro, pequenas e médias;
- 283 milhões de toneladas produzidas ao ano;
- R$ 1,3 trilhão de faturamento;
- R$ 25 bilhões reinvestidos em inovação e tecnologia.
O ambiente regulatório também avança: o Brasil subiu da 114ª para a 85ª posição no ranking do Fórum Econômico Mundial em ambiente de negócios.
Esses avanços refletem um esforço conjunto para tornar o país mais competitivo e previsível em inovação em alimentos.
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Compromisso com os ODS
As tecnologias da Embrapa contribuem para 131 das 169 metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, reforçando o compromisso com inovação responsável, sustentabilidade e segurança alimentar.
Fonte: Embrapa
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