Castanha de caju ganha força com avanço do plant-based

A castanha de caju vem ganhando protagonismo na indústria de alimentos à medida que cresce a demanda por produtos plant-based no Brasil. O avanço desse mercado está fortalecendo a cadeia produtiva, ampliando o consumo interno e reduzindo a dependência histórica das exportações de amêndoas beneficiadas.
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Empresas como Vida Veg e A Tal da Castanha têm contribuído para esse movimento ao ampliar a demanda por matéria-prima nacional para a produção de bebidas vegetais, queijos vegetais e outros alimentos à base de plantas.
Mercado interno amplia oportunidades para a cadeia produtiva
Durante décadas, a cajucultura brasileira esteve fortemente voltada ao mercado externo. Agora, o crescimento da indústria de alimentos vegetais cria um novo cenário, no qual a venda para empresas brasileiras passa a oferecer maior valor agregado aos produtores.
A mudança tende a estimular investimentos na produção, aumentar a renda no campo e fortalecer uma cadeia que reúne agricultura, processamento industrial e inovação em alimentos.
Produção cresce e agricultura familiar lidera o setor
Dados do IBGE compilados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a produção brasileira de castanha de caju em casca cresceu, em média, 6,3% ao ano entre 2021 e 2025, alcançando 141,8 mil toneladas no último ano. Cerca de 53,5 mil estabelecimentos rurais produzem a cultura no país, sendo aproximadamente 83% pertencentes à agricultura familiar.
A produção permanece concentrada no Nordeste. Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte responderam por 92,7% do volume nacional em 2025, enquanto a região Nordeste representou praticamente toda a produção brasileira da cultura.
Indústria plant-based amplia demanda por castanha de caju
A desaceleração das exportações, combinada ao crescimento do consumo interno, tornou o mercado brasileiro mais atrativo para os produtores.
A Vida Veg utiliza cerca de 100 toneladas de castanha de caju por ano na fabricação de queijos vegetais, requeijões e outros produtos plant-based. Já a A Tal da Castanha consome aproximadamente 3 mil toneladas anuais adquiridas de agricultores familiares do Nordeste para a produção de bebidas vegetais.
Esse novo perfil de demanda fortalece a industrialização da matéria-prima no país e amplia as oportunidades para produtores e empresas do setor.
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Exportações perdem espaço enquanto mercado interno avança
Segundo a Conab, os preços pagos ao produtor no mercado interno aumentaram 35,8% em um ano, enquanto o valor da castanha destinada à exportação recuou 22,6% no mesmo período. Entre 2020 e 2024, o volume exportado pelo Brasil caiu, em média, 16,4% ao ano, movimento intensificado em 2025 pelo aumento das barreiras comerciais nos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras.
Ao mesmo tempo, a recuperação das lavouras após períodos de estiagem e a adoção de clones de cajueiro-anão precoce têm contribuído para elevar a produtividade da cultura. O resultado é uma cadeia mais estruturada para atender à crescente demanda da indústria de alimentos vegetais, consolidando a castanha de caju como um ingrediente estratégico para o desenvolvimento do mercado plant-based no Brasil.
Fonte: CNN Brasil
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