Yuka estreia no Brasil e amplia pressão sobre a indústria

O Yuka inicia sua operação no Brasil com uma base de 600 mil produtos cadastrados. Presente em 15 países e utilizado por mais de 85 milhões de pessoas, o aplicativo amplia a exposição de alimentos, cosméticos e itens de higiene a um sistema independente de avaliação, com potencial para influenciar escolhas de consumo e decisões de reformulação da indústria.
Por meio da leitura do código de barras, a plataforma transforma informações dos rótulos em uma nota de 0 a 100. A avaliação considera o perfil nutricional, a presença de aditivos e, no caso dos alimentos, a certificação orgânica.
A chegada ao país ocorre em um cenário de maior atenção à composição dos produtos e ao consumo de alimentos ultraprocessados. Para fabricantes de alimentos, bebidas e ingredientes, a expansão do aplicativo representa um novo fator de influência sobre a percepção das marcas e a competitividade dos portfólios.
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Yuka simplifica a leitura dos rótulos
Após escanear o código de barras, o usuário recebe uma pontuação acompanhada de uma classificação por cores, que varia do verde ao vermelho. O aplicativo também apresenta os fatores que contribuíram para a nota e, quando o resultado é baixo, sugere alternativas da mesma categoria.
Fundado na França em 2017, o Yuka foi criado para tornar mais compreensíveis informações como lista de ingredientes, composição nutricional e presença de aditivos.
“O consumidor merece acesso a informações claras e confiáveis sobre os produtos que utiliza diariamente. O Yuka foi criado para tornar essas informações mais fáceis de entender e para dar às pessoas os meios necessários para fazer escolhas com base em dados transparentes e independentes”, afirma Julie Chapon, cofundadora do aplicativo.
Avaliação dos alimentos considera três critérios
A nota dos alimentos é formada por três componentes. A qualidade nutricional representa 60% da avaliação, enquanto a presença de aditivos responde por 30%. Os 10% restantes estão relacionados à certificação orgânica.
Para analisar a composição nutricional, o Yuka utiliza como referência o Nutri-Score, sistema adotado em países europeus. O método considera calorias, açúcares, sódio, gorduras saturadas, proteínas, fibras e a proporção de frutas e vegetais.
A avaliação dos aditivos se apoia em estudos científicos e em recomendações de instituições como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC).
Embora facilite a comparação entre produtos, a metodologia também tende a ampliar o debate sobre os critérios usados para comunicar qualidade nutricional ao consumidor brasileiro.
Independência orienta o modelo de avaliação
Segundo a empresa, fabricantes e marcas não podem pagar para alterar notas, melhorar classificações ou influenciar as recomendações exibidas no aplicativo.
A principal fonte de receita do Yuka é a assinatura da versão Premium, que reúne funcionalidades como busca direta de produtos, alertas personalizados e uso offline. A companhia também divulga suas fontes de receita e informações financeiras.
Esse modelo é usado pela plataforma para sustentar seu posicionamento de independência diante das empresas avaliadas.
Aplicativo pode influenciar reformulações
O Yuka reúne mais de 6 milhões de produtos cadastrados no mundo, entre cerca de 4 milhões de alimentos e 2 milhões de cosméticos. No Brasil, a operação começa com 600 mil itens, e a expectativa é ampliar gradualmente essa base.
Dados apresentados pela empresa indicam que as avaliações já interferem nas decisões de compra. Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com mais de 20 mil usuários, 94% afirmaram deixar de comprar produtos classificados em vermelho depois de consultar o aplicativo.
No mesmo estudo, 92% disseram ter reduzido o consumo de ultraprocessados, enquanto 88% relataram uma percepção de melhora na saúde.
A influência também chega ao desenvolvimento de produtos. De acordo com uma pesquisa do instituto francês IFOP, 78% das empresas do setor alimentício entrevistadas consideram as avaliações do Yuka em processos de inovação ou reformulação.
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“O Brasil vive um movimento cada vez mais forte em torno da saúde e do bem-estar, mas muitos consumidores ainda não compreendem plenamente o que estão consumindo. Quando informações técnicas e complexas sobre ingredientes e perfis nutricionais se tornam mais acessíveis, as pessoas ganham mais autonomia para entender os rótulos e fazer escolhas mais alinhadas à sua saúde”, afirma Gabriela Mourad Vicenssuto, engenheira de alimentos da equipe do Yuka.
Chegada ao Brasil aumenta a exposição da indústria
A estreia do Yuka no mercado brasileiro adiciona uma nova camada à relação entre consumidores, marcas e produtos. Ao simplificar informações técnicas, o aplicativo pode tornar mais visíveis aspectos como teor de açúcar, sódio, gorduras saturadas e uso de aditivos.
Para a indústria, esse movimento amplia a importância de formulações capazes de atender às expectativas nutricionais sem comprometer sabor, custo, estabilidade ou desempenho.
Também reforça a necessidade de acompanhar como sistemas privados de classificação influenciam a percepção do público, mesmo quando adotam critérios diferentes das normas regulatórias e das informações obrigatórias presentes nos rótulos.
Nesse contexto, a chegada do Yuka tende a acelerar discussões sobre transparência, reformulação e comunicação de atributos nutricionais no mercado brasileiro.



