Produtos saudáveis crescem 96% nos cadastros da indústria

O cadastro de produtos saudáveis pela indústria brasileira de alimentos e bebidas cresceu 96% em agosto de 2026 na comparação com agosto de 2025. O número de fabricantes que registraram itens com atributos de saudabilidade subiu 48% no mesmo período, segundo o Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos da GS1 Brasil, divulgado pela Mercado&Consumo.
No acumulado de janeiro a agosto, o avanço é menor, porém positivo. A quantidade de mercadorias com esses atributos aumentou 8% e o número de fabricantes, 13%, sempre em relação aos mesmos meses de 2025.
Como a GS1 Brasil mede os produtos saudáveis nos portfólios
Os números vêm de uma base que a própria indústria alimenta. O índice é calculado pela Associação Brasileira de Automação, a GS1 Brasil, a partir dos registros feitos pelas empresas no Cadastro Nacional de Produtos.
A entidade identifica, nas descrições dos itens cadastrados, termos associados à saudabilidade. Esses termos se dividem em dois grupos.
Termos ligados à adição de componentes
O primeiro grupo reúne referências a proteína, proteico e whey. São atributos que indicam a presença de um componente com valor nutricional percebido pelo consumidor.
Termos ligados à redução ou ausência de ingredientes
O segundo grupo inclui menções a
- redução de gordura;
- redução de sódio;
- ausência de açúcar;
- ausência de lactose;
- ausência de glúten;
- ausência de gordura trans;
- ausência de conservantes, aditivos, adoçantes e aromatizantes;
- ausência de álcool;
- ausência de ingredientes artificiais.
Como o levantamento se baseia no cadastro, ele mostra a intenção de colocar esses produtos no mercado, e não o volume vendido. O material divulgado também não traz recorte por categoria, como lácteos, bebidas ou snacks.
Alta dos produtos saudáveis segue a trajetória dos últimos anos
O salto de agosto se soma a um crescimento que vem de antes. Em 2024, as mercadorias com atributos de saudabilidade cresceram 51% e os fabricantes, 28%. Em 2025, as altas foram de 65% e 58%, respectivamente.
Segundo a análise divulgada, a aceleração indica que atributos ligados à composição passaram a ocupar mais espaço na renovação dos portfólios. O movimento envolve tanto a inclusão de ingredientes com apelo nutricional quanto a retirada ou a redução de outros.
Ainda de acordo com o material, a diversificação acompanha mudanças nas demandas e nas ocasiões de consumo, com produtos desenvolvidos para necessidades e perfis diferentes de consumidores.
O levantamento não traz declarações de executivos da GS1 Brasil nem explica o que motivou o pico de agosto.
Índice complementa a leitura sobre lançamentos da indústria
O dado de saudabilidade conversa com outro indicador da mesma entidade. O BHBFood mostrou, na matéria sobre os lançamentos da indústria que cresceram 9,1% em agosto de 2026, na comparação com julho, a evolução do Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial, que acompanha a solicitação de novos códigos de barras. Sobre agosto de 2025, a alta desse indicador foi de 19,4%.
Lidos em conjunto, os dois índices apontam um mês de preparação de novos itens em que os produtos com atributos de saúde também avançaram de forma expressiva.
As bases e as metodologias, porém, são diferentes. Por isso, os percentuais dos dois indicadores não devem ser somados nem comparados diretamente.
O que o avanço dos produtos saudáveis representa para alimentos e bebidas
Os números ajudam a dimensionar um movimento que já aparece nas gôndolas. A proteína é o exemplo mais visível, e a BHBFood mostrou que a demanda por proteínas deve crescer 11% até 2029.
Marcas de diferentes categorias vêm ampliando linhas com esse apelo. A cobertura do BHBFood sobre a linha Seara Protein, que chegou a 13 produtos, mostra como a proteína saiu dos suplementos e entrou em carnes processadas e pratos prontos.
O grupo de redução e ausência de ingredientes também tem casos recentes. Por aqui, também noticiamos que a Itambé prepara um doce de leite zero açúcar e zero lactose, combinação que reúne dois dos atributos acompanhados pelo índice.
Para as áreas de P&D e marketing, o dado indica que mais fabricantes estão registrando itens com esses apelos. Com isso, atributos como “zero açúcar” ou “fonte de proteína” passam a ser disputados por um número maior de marcas dentro das mesmas categorias.
Perguntas frequentes sobre produtos saudáveis
Quanto cresceu o cadastro de produtos saudáveis em agosto de 2026?
O número de mercadorias com atributos de saudabilidade cadastradas pela indústria de alimentos e bebidas cresceu 96% em relação a agosto de 2025, segundo a GS1 Brasil.
Quantos fabricantes passaram a registrar esses produtos?
O número de fabricantes que cadastraram itens com esses atributos aumentou 48% na mesma comparação.
Qual é o resultado acumulado em 2026?
De janeiro a agosto, a alta é de 8% em mercadorias e de 13% em fabricantes, na comparação com o mesmo período de 2025.
Quais atributos a GS1 Brasil considera no levantamento?
O índice considera termos como proteína, proteico e whey, além de referências à redução de gordura e sódio e à ausência de açúcar, lactose, glúten, conservantes, aditivos e ingredientes artificiais.
O índice mede as vendas de produtos saudáveis?
Não. O indicador se baseia nos registros do Cadastro Nacional de Produtos e mostra a intenção da indústria de colocar esses itens no mercado, e não o volume vendido.
O dado tem recorte por categoria?
O material divulgado não informa a divisão por categorias, como bebidas, lácteos ou snacks.
Fonte: Mercado&Consumo
Foto de Paulina Chmolowska na Unsplash




