Consumo de sorvete no Brasil sobe 13% e chega a 8,68 litros

O consumo de sorvete no Brasil chegou a 8,68 litros por pessoa ao ano, alta de 13% em relação aos 7,7 litros medidos dois anos antes. O dado é de uma pesquisa da Abrasorvete com a Empresa Júnior da Fundação Getulio Vargas (EJFGV.
O levantamento ouviu 2.500 pessoas em todas as regiões do país. Além do volume, o estudo mostra como os medicamentos para emagrecimento, a alta de preços e a busca por produtos premium mudaram a forma de consumir a categoria.
Consumo de sorvete no Brasil resiste a preços e canetas emagrecedoras
O crescimento ocorreu mesmo com fatores que poderiam frear a demanda. Segundo Márcio Favaro, presidente da Abrasorvete, o mercado passa por uma transformação guiada pela mudança no perfil do consumidor.
De acordo com o executivo, as pessoas não querem deixar de tomar sorvete, mas estão redefinindo como, quando e por que consomem o produto.
Usuários de GLP-1 reduzem porções e buscam zero açúcar
Os medicamentos para emagrecimento aparecem com destaque no estudo. Cerca de 30% dos entrevistados disseram usar ou já ter usado remédios da classe GLP-1.
Entre esses consumidores, os principais comportamentos identificados foram
- 54,1% diminuíram a quantidade ou o tamanho das porções;
- 40,5% procuram opções zero açúcar;
- 36,2% preferem versões proteicas;
- 22,6% aceitam pagar mais por produtos funcionais e premium;
- 11,2% tomam sorvete todos os dias, contra 2,5% entre quem não usa esses medicamentos.
A pesquisa também indica que a restrição ao consumo cai de 34,1% para 13,8% quando o tratamento é interrompido.
Alta de preços reduz frequência, mas preserva a marca
A reação aos reajustes mostra fidelidade às marcas preferidas. Diante de aumentos, 51,7% dos consumidores compram com menos frequência e 14,5% escolhem embalagens menores ou mais econômicas.
Apenas 25,4% consideram trocar por uma marca mais barata. Segundo o estudo, três em cada quatro consumidores preferem comprar menos vezes a abandonar a marca de que gostam.
Sabor pesa mais que preço e marca
Na hora da compra, o sabor é o fator decisivo para 62,6% dos entrevistados. O preço é prioridade para 15,6%, e a marca, isoladamente, para 5,2%.
Supermercado e sorveteria concentram as vendas de sorvete
Os canais físicos dominam a compra da categoria. As sorveterias e gelaterias respondem por 43,2% das escolhas, e os supermercados, por 35,3%. O delivery fica com apenas 4%.
Entre os motivos para desistir da entrega, 50,6% citam a taxa elevada e 39,7%, o tempo de espera. O estudo também contesta a ideia de que o brasileiro abandona o sorvete no frio, já que só 8,2% dizem nunca tomar no inverno.
O açaí aparece como concorrente. 31,3% o escolhem pela possibilidade de personalização, e 18,3% o veem como refeição rápida, sobretudo antes e depois do treino.
Consumidor aceita pagar mais por sorvete premium e funcional
A pesquisa aponta espaço para produtos de maior valor agregado. 73,7% dos entrevistados pagariam mais por um sorvete gourmet ou artesanal, e 55% citam a produção artesanal como justificativa para preços mais altos.
Os apelos de saúde também pesam. Ingredientes naturais aumentariam a intenção de compra de 40,4% dos consumidores, e produtos ricos em proteína, de 34,8%.
Segundo Márcio Favaro, o consumidor de hoje busca uma experiência, e o futuro do setor depende da entrega de valor agregado.
Recomendações da Abrasorvete à indústria
Com base nos resultados, a entidade sugere às empresas do setor
- investir em linhas funcionais sem perder a qualidade sensorial;
- avaliar formatos menores para momentos de alta de preços;
- manter ações comerciais nos meses frios;
- ampliar as categorias premium e artesanais;
- deixar clara a origem dos insumos e o método de fabricação.
O que a pesquisa indica para fabricantes de sorvetes e ingredientes
Os dados reforçam movimentos que o BHBFood já acompanhava. A matéria sobre o consumo de sorvete no Brasil, que havia atingido 7,7 litros por ano, mostrou o ponto de partida da comparação.
A demanda por versões mais saudáveis também já aparecia antes. Já mostramos por aqui que o mercado de sorvetes tem aumento na demanda por opções saudáveis, e a cobertura sobre a fibra prebiótica que pode substituir gordura em sorvetes apresentou uma das soluções de formulação disponíveis.
A procura por versões proteicas já chega às gôndolas. Na mesma semana da pesquisa, o BHBFood noticiou que a Urso e a Los Los lançaram um sorvete proteico com 15 g de proteína.
Perguntas frequentes sobre consumo de sorvete no Brasil
Quantos litros de sorvete o brasileiro consome por ano?
O consumo médio chegou a 8,68 litros por pessoa ao ano, segundo a Abrasorvete.
Quanto o consumo de sorvete cresceu?
A alta foi de 13% em relação aos 7,7 litros registrados na medição anterior, feita dois anos antes.
Quem fez a pesquisa?
O estudo foi feito pela Abrasorvete em parceria com a Empresa Júnior da FGV, com 2.500 entrevistados em todas as regiões.
Como os medicamentos GLP-1 afetam o consumo de sorvete?
Entre os usuários, 54,1% reduziram as porções, mas mantiveram o consumo, e 40,5% buscam opções zero açúcar.
Onde o brasileiro mais compra sorvete?
Nas sorveterias e gelaterias (43,2%) e nos supermercados (35,3%). O delivery responde por apenas 4%.
O consumidor aceita pagar mais por sorvete premium?
Sim. 73,7% dos entrevistados pagariam mais por um sorvete gourmet ou artesanal.
Fonte: Food Connection
Foto de Erwan Hesry na Unsplash




