Buscas por veganismo superam as por clima no Google

As buscas por veganismo no Google seguem em patamar elevado e superam até as pesquisas por mudanças climáticas, indicando a força cultural e econômica do tema no debate público. A constatação faz parte do relatório Veganismo ao Redor do Mundo, publicado pela The Vegan Society, que analisa como o consumo baseado em plantas influencia hábitos alimentares, turismo e inovação em diferentes países.
Holanda inaugura primeira fazenda de carne cultivada
De acordo com dados do Google Trends, as pesquisas por “veganismo” atingiram um pico por volta de 2020 e, desde então, se estabilizaram em um nível alto. Ainda assim, continuam acima das buscas por “vegetarianismo” e por “mudanças climáticas”, com poucas exceções pontuais.
Flexitarianismo amplia alcance do consumo vegetal
Embora o veganismo ainda represente uma parcela menor da população, o relatório aponta que o flexitarianismo já se tornou comum em diversos mercados. Pesquisas realizadas em dez países mostram que entre 16% e 30% da população se identifica como flexitariana.
A Índia se destaca no cenário global, com 14% da população se declarando vegana e 26% vegetariana. No panorama geral, a percepção sobre o veganismo varia de neutra a positiva, o que contribui para sua expansão para além de nichos tradicionais.
Turismo e restaurantes veganos ganham escala
O levantamento também analisou a oferta de restaurantes com opções veganas em diferentes países. A Nova Zelândia lidera em restaurantes com opções veganas per capita, impulsionada principalmente por estabelecimentos convencionais que incorporaram pratos à base de plantas.
Já Taiwan ocupa o primeiro lugar em restaurantes totalmente veganos per capita. Na Europa, a Islândia se destaca, com 43% dos restaurantes oferecendo ao menos uma opção vegana, enquanto Portugal aparece entre os líderes globais em restaurantes 100% veganos por habitante.
Em números absolutos, os Estados Unidos concentram o maior total de restaurantes veganos, seguidos por países do Sudeste Asiático, como Vietnã, Malásia e Singapura — regiões onde fatores culturais e religiosos influenciam padrões alimentares com menor consumo de carne.
Negócios à base de plantas avançam fora do eixo tradicional
No campo da inovação, os Estados Unidos lideram em número total de empresas que desenvolvem proteínas à base de plantas, cultivadas ou híbridas. No entanto, quando analisado o indicador per capita, o país perde espaço para mercados menores e mais dinâmicos.
Singapura lidera nesse recorte, seguida por Israel e Holanda. O país europeu também se destaca nos gastos per capita com carnes vegetais e combina um ecossistema empresarial robusto com vendas consistentes no varejo, assim como Alemanha e Reino Unido.
O relatório chama atenção ainda para o potencial de crescimento em mercados como Índia e China, onde os consumidores demonstram quase o dobro de propensão, em comparação aos norte-americanos, a comprar carnes à base de plantas.
Veganismo deixa de ser um movimento de nicho
Para Claire Ogley, chefe de campanhas, políticas e pesquisa da The Vegan Society, os dados reforçam uma mudança estrutural. Segundo ela, o veganismo já não pode ser tratado como um fenômeno restrito a pequenos grupos, mas como parte de uma transformação mais ampla nos sistemas alimentares.
Burger King Áustria adota leite de aveia Oatly em cafés
O crescimento das buscas por veganismo, a ampliação da oferta em restaurantes e o avanço da inovação em produtos indicam que o consumo baseado em plantas segue ganhando espaço em diferentes culturas e mercados, impulsionado por consumidores, empresas e políticas públicas.
Fonte: Vegconomist
Foto de Anna Pelzer na Unsplash




