Terceirização chega a 45% nas bebidas prontas no Brasil

A terceirização de bebidas prontas para consumo (RTD) atingiu uma taxa de 45% no Brasil entre 2022 e 2024, maior índice entre as categorias de alimentos e bebidas analisadas pela GrowinCo. O percentual era de 3% entre 2010 e 2012. Bebidas funcionais, energéticos naturais e cafés prontos estão entre os segmentos relacionados ao avanço da co-manufatura no país.
Os números fazem parte do CPG Leaders 100, levantamento da GrowinCo. baseado no banco de dados Mintel GNPD. O estudo considera 168.992 lançamentos de alimentos e bebidas realizados no Brasil entre 1996 e 2026.
Nesse universo, a taxa média de fabricação terceirizada em alimentos e bebidas é de 17,9%, bem abaixo do percentual alcançado recentemente pelas bebidas prontas para consumo.
Bebidas prontas lideram fabricação terceirizada
RTD é a sigla em inglês para Ready to Drink e identifica bebidas comercializadas prontas para consumo, sem necessidade de preparo, mistura ou diluição. A categoria inclui cafés gelados, chás prontos, bebidas funcionais, energéticos e coquetéis em lata, entre outros produtos.
Segundo a GrowinCo., os RTDs apresentam média histórica de 30,6% de fabricação terceirizada desde 1996. Nos anos mais recentes, o movimento se intensificou e a taxa chegou a 45% entre 2022 e 2024.
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Outras categorias de bebidas também registram índices históricos superiores à média geral. Bebidas esportivas e energéticas aparecem com 27,1%, seguidas por frutas e vegetais, com 23,9%; bebidas quentes, com 22,3%; e sucos, com 22,2%.
O levantamento mostra ainda que um volume elevado de lançamentos não significa necessariamente maior presença da fabricação terceirizada. Bakery, categoria que lidera em número de produtos lançados, registra taxa de 17,1%.
Funcionais e cafés prontos impulsionam terceirização
De acordo com a GrowinCo., o crescimento da terceirização de bebidas prontas acompanha a expansão de marcas de bebidas funcionais, energéticos naturais e cafés prontos para beber.
Nesses segmentos, a fabricação terceirizada é utilizada para ampliar a produção sem exigir investimento em linhas próprias. O modelo permite que a empresa contrate um fabricante para executar parte ou todo o processo produtivo, enquanto mantém o controle sobre o desenvolvimento, a formulação e a comercialização do produto final.
Marcas como Três Corações e Desinchá aparecem no CPG Leaders 100 nas categorias de bebidas quentes e RTD, que incluem cafés e bebidas funcionais prontas para consumo.
Co-manufatura pode assumir diferentes formatos
A terceirização de bebidas prontas pode variar de acordo com as etapas transferidas ao fabricante parceiro. A GrowinCo. divide a co-manufatura em cinco modelos.
No Full Service, o fabricante administra insumos, formulação, produção e embalagem. No Co-packing, a terceirização fica concentrada na embalagem. Já no Tolling, a marca fornece as matérias-primas e contrata o serviço de transformação.
Há ainda o Turnkey, no qual o fabricante gerencia a cadeia da compra dos ingredientes à entrega, e o Re-packing, destinado à reembalagem de produtos já existentes, importados ou comercializados a granel.
Os modelos permitem diferentes níveis de participação da marca no processo produtivo e podem ser escolhidos conforme as características de cada operação.
Empresas usam terceirização para ampliar portfólio
A fabricação terceirizada também aparece como alternativa para empresas que pretendem entrar em categorias diferentes daquelas em que concentram sua estrutura produtiva.
Segundo a GrowinCo., empresas como Copacol, Catupiry, Korin e Desinchá utilizam a co-manufatura para ampliar o portfólio e lançar produtos fora de seu núcleo produtivo, sem a necessidade de investir em novos equipamentos ou linhas.
O número de empresas que utilizam fabricação terceirizada no Brasil aumentou de 71 em 2003 para 1.542 no período entre 2022 e 2024.
Entre as marcas de bens de consumo embalados, excluindo varejistas e operações de private label, a taxa de terceirização chegou a 14% em 2024. Em 2000, era de 3,2%.
Terceirização ganha peso na indústria de bebidas
O avanço da terceirização de bebidas prontas se destaca dentro de um movimento mais amplo de crescimento da co-manufatura no setor brasileiro de alimentos e bebidas.
Segundo a GrowinCo., categorias como RTDs e bebidas esportivas e energéticas apresentam taxas elevadas de fabricação terceirizada mesmo com volumes de lançamentos menores. O estudo relaciona esse comportamento a fatores como complexidade técnica dos processos e volatilidade da demanda.
Para a indústria de bebidas, o modelo permite ampliar a produção e acessar estruturas industriais existentes sem necessariamente construir novas linhas. Também pode viabilizar a entrada em categorias adjacentes, estratégia que já aparece entre empresas analisadas pelo levantamento.
Com uma taxa de 45% entre 2022 e 2024, as bebidas prontas para consumo ocupam a liderança da fabricação terceirizada entre as categorias de alimentos e bebidas acompanhadas pela GrowinCo.
Fonte: Times Brasil
Foto de Tricia Timney na Unsplash




